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Análise: Um monstro e um ladrão unem suas forças para salvar o mundo em Majin and the Forsaken Kingdom (PS3)

A indústria dos videogames está passando por uma séria crise de originalidade. A grande quantidade de shooters e sequências sem inspir... (por Gabriel Vlatkovic em 21/04/2013, via PlayStation Blast)



A indústria dos videogames está passando por uma séria crise de originalidade. A grande quantidade de shooters e sequências sem inspiração vendendo milhões de cópias, enquanto títulos de gêneros diferentes ficam à míngua, desencoraja cada vez mais as desenvolvedoras a arriscar novas franquias. Contudo, algumas empresas insistem e criar algo novo a cada lançamento. A Game Republic, apesar de não ser muito conhecida, é uma dessas empresas. Responsável pelo intrigante Folklore, em 2007, três anos mais tarde nos presenteou com Majin and the Forsaken Kingdom, jogo de aventura que passou batido por grande parte dos jogadores. Descubra agora os motivos pelos quais a aventura merece ser visitada!

Tempos de Escuridão

Majin conta a história de um mundo em que a escuridão reina sobre a paz. Aquele lugar, antes cheio de luz, cores e natureza se tornou algo extremamente melancólico e sem vida, de forma que nem os animais que lá habitavam conseguiam sobreviver. Muito aflitos com a situação que os cercava, os seres, que iam de pequenos ratos a majestosos pássaros, se reuniram para pensar em uma solução para o problema que assolava o reino. Acontece, que um ser chamado Majin, que havia sido o guardião daquele mundo outrora, estava aprisionado em uma fortaleza, e ele poderia ser a única esperança de salvação. Assim, os animais decidem que um humano deveria realizar o serviço e o propõem a um ladrão que pouco sabe de seu passado. Sem muitas opções e vendo o reino ruir, o rapaz aceita o fardo e parte ao encontro de Majin, que nada mais é que um ogro que mal sabe formular frases coerentes. O guardião batiza o ladrão de Tepeu e os dois partem em busca da salvação do reino.


Influências lendárias

A estrutura de Majin muito lembra à da franquia The Legend of Zelda. No controle de Tepeu, o jogador deverá explorar o mundo em busca de novos itens e habilidades enquanto resolve uma série de quebra-cabeças inteligentes e enfrenta chefes que demandam estratégias e itens específicos para serem derrotados. O que realmente difere a mecânica dos dois jogos é a atuação do guardião na aventura. Isso porque os dois devem cooperar para enfrentar os desafios encontrados pelo caminho. Para isso, Tepeu pode dar ordens a Majin que vão desde empurrar objetos muito pesados até lutar contra hordas de inimigos que tentarão impedir o progresso dos heróis.



Falando em batalhas, eis o que o jogo oferece de mais desafiador. A dificuldade das lutas obrigam o jogador a criar estratégias específicas para derrotar os inimigos. Em alguns momentos, a melhor coisa a fazer é derrota-los sorrateiramente para que todos não venham juntos atacar; em outros, basta ordenar que Majin utilize algum objeto no cenário (como uma pedra gigante) e os derrote com apenas um golpe. O jogo oferece as mais variadas opções para os combates, tornando tudo muito interessante e divertido. A inteligência artificial de Majin funciona bem na maior parte do tempo, e as pequenas falhas não chegam a ser frustrantes, apesar de atrapalhar em alguns momentos. Ao final de cada luta, os heróis recebem pontos de experiência que lhes concedem melhoria em seus atributos físicos e pontos de amizade, que aumentam a sintonia entre Tepeu e Majin e lhes fornecem novos golpes.


Cada uma das cinco áreas do jogo devem ser exploradas para que os heróis conquistem partes de uma chave que dá acesso ao castelo do vilão do jogo, que não é bem definido até o final da aventura. Explorá-las é um deleite para qualquer fã de jogos de aventura com o ritmo de jogos da franquia The Legend of Zelda. Isso porque cada área é recheada de puzzles inteligentes que demandam o uso eficiente das habilidades dos personagens e geralmente são resolvidos de forma simples, contudo geniais. Ao final de cada área, Tepeu e Majin se deparam com um dos generais da trevas que comandam o reino, e aí as coisas começam a ficar sérias: os inimigos são colossais e exigem muita paciência e estratégia para serem derrotados. A única dica para derrota-los é que uma nova habilidade é aprendida por Majin em cada região, de maneira que, assim como na lendária franquia da Nintendo, ela será fundamental para derrotar o chefe e conquistar a parte da chave.



A aventura dura cerca de quinze horas, que pode se estender a vinte, caso o jogador resolva buscar todos os colecionáveis e conquistas do jogo. Vale a ressalva de que o título possui dois finais diferentes, sendo que o melhor deles só é possível se todos os itens espalhados pelo mapa sejam coletados, o que desestimulará os menos aficionados por colecionáveis. Contudo, boa parte deles é bastante útil e relevante: o jogador pode encontrar pelo caminho roupas que aumentam os atributos de Tepeu e até mesmo fragmentos da memória de Majin, o que enriquece bastante o enredo do jogo e dá mais motivação ao jogador.

Arte de cair o queixo

Não se engane: tecnicamente Majin and the Forsaken Kingdom é um jogo feio e cheio de serrilhados e texturas em baixa qualidade. Contudo, a arte empregada no jogo é que faz toda a diferença. O mundo do jogo é extremamente bem construído e cheio de locais artisticamente exuberantes. Nada parece estar lá por acaso, tornando o reino orgânico e cheio de nuances dignas de serem exploradas. A modelagem dos personagens beira à perfeição, principalmente a de Majin, que passa a sensação de um ser primitivo, que apesar de bruto, é extremamente adorável e grato a Tepeu. Os inimigos são muito macabros e casam perfeitamente com o reino melancólico que aquele mundo se tornou. A trilha sonora, apesar de pouco variada, possui músicas memoráveis que trazem as mais diversas sensações ao jogador. É algo que lembra muito Ico ou Shadow of the Colossus, jogos que conseguem transmitir diversos sentimentos só com a trilha sonora. O trabalho de dublagem do título não é dos melhores, exceto por Majin, que é provavelmente um dos personagens mais bem construídos que já tive o prazer de encontrar em todos esses anos jogando videogames.


Esquecido na escuridão

Majin and the Forsaken Kingdom é um jogo conhecido por poucos, mas é um sopro de esperança para um mercado dominado por shooters e jogos de ação frenética e deve ser jogado por aqueles que buscam experiências menos caóticas e mais introspectivas. Mesmo com alguns defeitos, a história e os personagens são tão envolventes que prenderão o jogador até o fim da epopeia. Majin é um jogo divertido, envolvente e emana luz própria, estando a frente de muita superproduções anuais que nada mais são do que expansões genéricas umas das outras que não trazem nenhuma inovação ao mercado. Vale ser jogado!

Prós

  • História envolvente;
  • Personagens carismáticos;
  • Batalhas e puzzles criativos;
  • Mundo crível e orgânico.

Contras

  • Gráficos medianos;
  • A inteligência artificial de Majin falha algumas vezes;
  • Dublagem sem inspiração.

Majin and the Forsaken Kingdom – PlayStation 3 – Nota: 8.5

Revisão: Ramon Oliveira de Souza
Capa: Vitor Nascimento 
Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

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