Discussão

Crise e baixas vendas - entenda como o PlayStation 4 pode ser o último console da Sony

Desde sua entrada no mundo dos jogos, a Sony tornou-se rapidamente sinônimo de consoles de qualidade. Sua abordagem de desenvolvimento... (por Alex Campos em 10/04/2013, via PlayStation Blast)


Desde sua entrada no mundo dos jogos, a Sony tornou-se rapidamente sinônimo de consoles de qualidade. Sua abordagem de desenvolvimento, priorizando títulos mais adultos, fazia um perfeito contraponto aos clássicos das gigantes Nintendo e Sega, atraindo para o mundo dos jogos tanto aqueles que antes os consideravam jogos um passatempo infantil, quanto os que não gostavam mais de Super Mario e cia. De lá pra cá, em três gerações, a empresa conquistou uma base leal de seguidores, e foi responsável por apresentar ao mundo alguns dos maiores heróis dos games. Hoje, entretanto, em meio a um mercado conturbado e uma grave crise financeira, a empresa pode estar vendo o fim de sua vida.

Uma empresa que perdeu o foco

Antes da linha de produtos PlayStation adquirir seu invejável sucesso, a Sony era conhecida mundialmente por outros produtos de alta qualidade. Trabalhando no desenvolvimento de televisores, rádios, telas e toda sorte de aparelhos, não demorou para que a companhia conquistasse uma ótima posição no mercado, entretanto, com o passar dos anos, a postura inovadora da empresa tornou-se conservadora, de um modo quase radical.

Alimentada pela crença em seu status de gigante, a empresa passou a ignorar seus concorrentes. Nesse caminho, além de aumentar consideravelmente o preço de seus aparelhos, a Sony focou seu departamento de desenvolvimento em suas próprias tecnologias, muitas já ultrapassadas. No começo dos anos 2000 por exemplo, a empresa ainda investia em televisores de tubo, enquanto concorrentes como a LG  e Samsung trabalhavam já com LCD.

As primeiras Sony Wega com LCD só viriam perto de 2004
Por fim, a entrada de novos concorrentes especializados nos diversos segmentos do mercado fez com que a Sony lentamente se transformasse em uma segunda opção. A linha Walkman perdeu espaço para os iPods da Apple, os televisores para a Samsung e a linha de celulares nunca emplacou de verdade no mercado.

Um herói solitário

Em meio a toda essa situação caótica, uma divisão da empresa sempre manteve bons resultados financeiros: a linha PlayStation. Desde sua origem, a divisão de consoles da Sony sempre atraiu consumidores, garantindo para a companhia bons lucros operacionais. Entretanto, após duas gerações de sucesso, a chegada do PSP e do PlayStation 3 no mercado foram menos do que animadoras.

Ainda que hoje tenham seu lugar garantido, tais aparelhos, mesmo carregando um hardware possante, tiveram carreiras turbulentas. Altos custos de produção, erros de marketing e a falta de um público-alvo fizeram com que os consoles levassem um bom tempo para atingir números satisfatórios de vendas.


Nos dias de hoje, embora o PlayStation 3 tenha se consolidado como um produto lucrativo, as baixas vendas do PS Vita e o ceticismo da imprensa mundial sobre lançamento do PlayStation 4 podem ser entendidas como mais do que uma repetição da geração passada, um sinal de uma grande mudança na industria.

Tempos de crise - não ta fácil pra ninguém

Ainda que a empresa venha tentando se reestruturar, a conjuntura do mercado certamente não anda favorável. De catástrofes naturais afetando linhas de produção, ao período de retração pelo qual passa a economia global, a empresa é vista hoje como um mau investimento, sendo classificada no mercado de ações como BB- e Junk - uma empresa em crise, de risco a longo prazo...ou seja: um mau negócio.

Para completar a bagunça, temos ainda uma geração estranha. Grandes produtoras indo a falência, renomados estúdios sendo fechados, vendas de consoles menos do que animadoras (como o Wii U), títulos vendendo milhões de unidades e ainda assim falhando em atingir as metas. O cenário é definitivamente desanimador.

Lojas da Sony estão vazias mundo afora
Tentando se manter no mercado, a empresa já vendeu algumas de suas maiores lojas e escritórios mundiais, como sua maior sede em Tóquio, ainda assim, o fato das lojas da empresa permanecerem como cidades fantasma em meio a grandes conglomerados comerciais mostra que, mais do que dinheiro, a Sony perdeu muito de seu prestígio.

Apostas para o futuro

Com toda essa confusão, pode parecer difícil imaginar uma saída para a Sony. Ainda assim, devemos lembrar que, embora a situação não seja das melhores, a companhia detém uma vasta experiência no mercado, e vem trabalhando diariamente em um tipo de serviço que deve se tornar padrão para as próximas gerações: interconectividade.

Com a compra do Gaikai e o fortalecimento da Sony Entertainment Network, a empresa trabalha para oferecer aos consumidores grandes vantagens na compra de diversos produtos da companhia. A integração nas nuvens, assim como o compartilhamento de conteúdo entre os diversos aparelhos da companhia servem para fortalecer as ligações entre os produtos da empresa.


Para salvar a Sony, essa pode ser vista como uma ultima tacada: se der errado a empresa perderá o pouco prestigio que ainda lhe resta. Mais do que voltar a ser uma grande fabricante de aparelhos, a Sony quer ser uma experiência, e vai ter que trabalhar duro para conseguir isso. Resta a nós gamers colaborar e torcer pelo melhor.

Revisão: Bruna Lima
Capa: Douglas Fernandes
Alex Campos é graduando em Produção Sonora pela UFPR. Trabalha como músico freelancer e participa ativamente no cenário de jogos indie nacionais. Estuda por diversão sobre a indústria de games e está no Facebook.

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