Blast from the Past

Desafiando a gravidade e desviando de balas com estilo em Enter The Matrix (PS2)

Em 2003, a Atari, em parceria com a Warner Bros. e a desenvolvedora Shiny Enterntainment, deu à luz a Enter The Matrix, o primeiro e mais ... (por Samuel Coelho em 31/05/2013, via PlayStation Blast)

Em 2003, a Atari, em parceria com a Warner Bros. e a desenvolvedora Shiny Enterntainment, deu à luz a Enter The Matrix, o primeiro e mais popular jogo a retratar o universo da franquia que popularizou o bullet time, criada pelos irmãos Wachowski. Lançado no mesmo dia em que The Matrix Reloaded estreou nos cinemas, o jogo foi pensado como uma expansão da história contada no segundo episódio da trilogia.

Entrando na Matrix

Em Enter The Matrix você estava na pele de Niobe (capitã da nave Logos) ou de Ghost (primeiro imediato e atirador, também na Logos), e devia participar do começo da revolução dos humanos contra as máquinas, auxiliando imensamente, em momentos-chave, até o próprio escolhido e seus companheiros mais próximos. Os dois seguiam por caminhos da narrativa sutilmente diferentes e apesar de suas histórias se cruzarem por vários momentos, e de ambos terem movimentos de combate quase iguais, jogando com cada um você tinha duas experiências de jogo distintas e complementares.

Nos momentos em que deviam atuar juntos, como numa perseguição de carros, por exemplo,  escolhendo Niobe você guiava o carro, e escolhendo Ghost você devia usar uma arma para atirar em seus perseguidores enquanto Niobe, controlada pela IA.

O jogo se conectava não somente com o universo do segundo filme como também com a história Final Flight of Osiris, da série de curtas Animatrix. No decorrer da narrativa foram utilizadas várias cenas gravadas com os próprios atores, especificamente para o jogo, que mostravam um outro lado da história que se passa em simultaneidade com os eventos de Reloaded. Com elas você conhecia um pouco mais do universo de Matrix e descobria até mesmo sentimentos e relações inusitadas entre seus protagonistas.

Ao longo do jogo você deverá recuperar a última mensagem da nave Osiris, que mostra as máquinas perfurando o chão para chegar à Zion, conseguir a chave-mestra que abre o quarto 101 para Neo e até mesmo ajudar o grupo de Morfeu enquanto é perseguido na famosa rodovia que foi construída especialmente para o filme.

"Não existe colher. Só você."

Enter The Matrix contava com uma jogabilidade cinemática de qualidade técnica de altíssimo nível para os padrões de 2003. Mesmo com o jogo tendo uma mecânica de combate simples, você tem em seu controle o desenrolar de lutas com quase a mesma beleza acrobática e marcial das lutas encenadas para o filme. A forma como elas se desenvolviam conseguia passar toda aquela atmosfera de seres humanos capazes de manipular e dobrar a realidade com o poder da vontade e da concentração. Controlando os personagens, você sentia o caráter relativo das coisas quando via que, de uma hora para outra, os protagonistas que há pouco saltavam a curtas distâncias como qualquer humano normal, passavam a saltar por distâncias fenomenais.
Este sistema de interação se desenrolava através do famoso bullet time, tão imensamente característico dos filmes da série, que foi trazido para o jogo com uso da mecânica de Focus (que literalmente significa "Concentração"). No canto inferior direito da tela você tinha a representação do Focus através de uma barra laranja. Ao pressionar o botão L1, você ativava o uso dessa barra. Com isso, seus golpes ficavam muito mais fortes, você ficava muito mais rápido, podia saltar longas distâncias, correr pelas paredes e a ação ficava em câmera lenta, ao ponto de você enxergar a trajetória de balas.

Sucesso questionável

Lançado para expandir a história de Matrix Reloaded, e também para trazer a experiência do universo da trilogia de filmes para os games, Enter The Matrix foi um grande sucesso em vendas, que, embalado pela popularidade dos filmes, vendeu mais de cinco milhões de cópias pelo mundo todo. O jogo não foi recebido tão bem pela crítica, talvez pelo preconceito daqueles que já analisam com um "olho torto" games que são baseados em filmes, ou talvez por a crítica da época não ter conseguido comprar sua proposta de jogabilidade, mas o fato é que, se você gostou de Matrix, e gosta de jogos de ação, Enter The Matrix se consolidou (ou se consolidará) consolidará em sua mente como uma experiência memorável. Não por ser um jogo refinado, mas por conseguir reproduzir otimamente a atmosfera do universo de Matrix através de uma narrativa competente e de um sistema de combate belíssimo, que, para a época, revelou traços únicos e de fazer cair o queixo, muitos dos quais podemos ver reproduzidos até hoje em vários jogos que vieram depois de seu lançamento.

Revisão: José Carlos Alves
Capa: Stefano Genachi
Samuel Coelho é apaixonado por literatura, música, filosofia e arte digital. Ex-aluno de Ciência da Computação na UFPa, ator amador e notívago inveterado, ele passa noites e noites em claro se afogando em tudo o que o fascina. Encontre-o no Facebook ou no Twitter.

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