Blast from the Past

Mau dia, mau dia, mau dia! Relembre os melhores momentos da pancadaria hilária de Jackie Chan Stuntmaster (PS)

Se você curte filmes de artes marciais, com certeza já ouviu falar no icônico Jackie Chan (há quem prefira o Jet Lee, mas isso é outra hi... (por Rayner Lacerda em 30/06/2013, via PlayStation Blast)


Se você curte filmes de artes marciais, com certeza já ouviu falar no icônico Jackie Chan (há quem prefira o Jet Lee, mas isso é outra história). Com um estilo de luta característico e um humor cativante, tenho certeza de que os seus filmes fizeram parte da infância de muita gente. Eu me incluo nessa, pois sempre me diverti à beça com ele. Lembro muito bem quando estava, como sempre, namorando uma loja de jogos, e acabei me deparando com ele estampando a capa de um jogo. Como assim? Fiquei logo surpreso, pois não tinha nem ouvido falar sobre o tal jogo nas revistas especializadas. Mesmo assim resolvi dar uma chance, e foi assim que minha história com Jackie Chan Stuntmaster começou.

O ano era 2000, auge do PlayStation. Já naquele tempo, não víamos muitos títulos beat ‘em up para o console. Na verdade, nessa mesma época esse estilo já daria os primeiros sinais de um abandono, o que sempre foi uma pena. Mais um motivo para o título do Jackie Chan ter feito sucesso. Eu já estava com uma saudade danada do gênero, e acabo de encontrar um jogo com o Chan? Imaginem a euforia. Creio que esse foi o sentimento de muita gente.

Que enredo o quê? É um jogo de pancada do Chan


Como característica da grande maioria dos beat ‘em up, a história em si não era o mais importante.  Tudo começa quando o entregador Jackie Chan precisa levar um misterioso pacote ao Templo de Shaolin, a pedido do seu avô. Mais tarde, nesse dia, enquanto estava jantando ele percebe alguns suspeitos com o velho em um carro, e parte para ajudá-lo. Depois de muita correria, o pobre coitado acaba sendo sequestrado, e cabe a você a tarefa de resgatá-lo.

Até alcançar seu avô, Jackie precisava passar por um total de 15 estágios, divididos em 5 áreas: China Town, Waterfront, Sewer, Roof Top e Factory. As fases eram muito bem construídas e combinavam com o layout do jogo. Talvez o aspecto mais divertido fosse as máscaras de dragões vermelhos espalhadas pelos cenários. Cada um tinha 10 máscaras e se você coletasse todas, ganhava uma máscara de dragão dourada. Além disso, também havia uma máscara dourada escondida em cada área, cabendo a você achá-las entre as fases.

Lembro que muitos amigos criticavam o jogo simplesmente pelo seu visual, por acharem que os gráficos não eram muito bonitos, nem abusavam da capacidade gráfica do console.  Bom, sempre discordei disso, o layout do jogo era um fator que me agradava muito, com aquele aspecto suave das fases. E além disso, gráficos nunca foram e nunca serão sinônimo de diversão, e com Jackie Chan Stuntmaster não poderia ser diferente. A jogabilidade era fantástica, uma das melhores que já vi no gênero.

Batendo, correndo e se divertindo

Na verdade, todo o conjunto do game funcionava em sintonia. A criatividade, trilha sonora e a jogabilidade que o digam. As músicas combinavam de forma magistral com os cenários, ora com a sensação de perigo, ora com aquele toque de comédia.

Assim como os jogos do gênero, o grande objetivo aqui era bater em todo mundo, sem morrer pelo caminho. E nem preciso dizer que essa era a parte mais divertida. Os controles eram muito simples: um botão para chutar, socar, pular, agarrar e um de contra ataque. Mas combinados, podiam causar verdadeiros estragos.

Você se lembra daquelas cenas de luta em que o sorridente Chan simplesmente batia em 4 ou 5 inimigos? Pois é, o jogo permitia que você experimentasse isso. Outra característica dos filmes que estava presente no título era a possibilidade de usar praticamente qualquer coisa como arma: vassouras, panelas, mesas, cadeiras e até comida. E o melhor de tudo é que cada item tinha uma sequência de golpes específica, o que deixava as lutas sempre diferentes.

E isso era particularmente interessante, pois fazia com que Jackie Chan Stuntmaster fugisse do comum, mesmo para o gênero beat `em up. Por mais que ele seja amado por muitos gamers, é inegável que a grande maioria dos títulos possui uma série de elementos característicos, principalmente no combate simplificado. Quem viveu na era de ouro dos 16 bits sabe bem disso.

Em Stuntmaster isso não acontecia. Você sempre podia executar combos novos e diversificados, o que retirava toda a monotonia dos combates. Tudo isso contribuía de forma muito positiva para o fator replay. Para ser sincero, diversas vezes eu voltei a jogá-lo apenas para dar porrada nos inimigos e ficar perambulando pelas fases, mesmo após ter terminado tudo.


Mas acredito que para muitos, o melhor do jogo acontecia quando você coletava todas as máscaras de dragão dourado e terminava a fase secreta. A recompensa não era nada mais nada menos do que um making of de produção, onde podíamos assistir o próprio Jackie Chan no traje de captura de movimentos, fazendo as cenas do jogo. Era um motivo mais do que suficiente para completar os 100%.

No fim das contas, Jackie Chan Stuntmaster foi um dos melhores beat `em up que joguei no glorioso tijolão cinza. Com um layout carismático, uma trilha sonora bem decente e uma jogabilidade pouco vista em jogos do gênero, o título com certeza deixou sua marca nos fãs da Sony. Depois desse jogo, os fãs do Jet Lee talvez tenham revisto seus conceitos.

Revisão: Alan Murilo
Capa:  Diego Migueis
Rayner Lacerda é historiador, formado pela UFV. Eterno estudante e professor do mundo, se interessa por praticamente tudo, mas são os games a sua grande paixão. Tal fascínio o levou ao Blast, onde escreve atualmente. Encontre-o no Facebook

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