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Mergulhe-se na nostalgia da nossa amada e querida vila número um: Lahan de Xenogears

Xenogears é um jogo que atualmente poucos realmente conhecem. Mas os que conhecem o amam. É um título antigo por idade e por estilo. Infe... (por Érika Honda em 20/06/2013, via PlayStation Blast)

Xenogears é um jogo que atualmente poucos realmente conhecem. Mas os que conhecem o amam. É um título antigo por idade e por estilo. Infelizmente não se vê mais JRPGs desse tipo para os fãs de longos enredos e complexas estórias. Das várias localidades memoráveis do jogo, alguns podem não se lembrar muito da cidade natal do protagonista, enquanto outros a guardam com carinho no coração. Lahan é uma cidade calma, simpática, que nos traz duras lembranças e tristes recordações.
O texto a seguir contém spoilers do jogo.

Simples e belo, um lugar para se chamar de lar

Lahan não é uma vila genérica, como podemos pensar logo no início do jogo. Parece ser só uma pacata cidadezinha, dessas que aparecem na abertura do game e logo é destruída, mas no decorrer da história passamos a ter uma certa saudade desse amável vilarejo.

Fei Fong Wong, herói da trama, mora em Lahan. Possui amigos por todo o vilarejo, um pai adotivo extremamente amável, uma garota a quem amar (mas que não pode, oh mundo cruel), um pirralho que o adora e um tutor que ensina sobre artes marciais e sobre a vida. Para quem joga Xenogears pela segunda vez, encontra-se em uma situação em que passear pela cidade poderia durar uma eternidade. Isso porque a cidade parece materializar tudo o que existe de bondoso e puro no mundo. Essa sensação ocorre depois de passarmos por todas as turbulências do complexo jogo. Mas por que passear pela cidade é uma sensação que queremos que dure para sempre? Simplesmente porque a vila inteira é queimada e destruída momentos depois, de uma maneira cruel e triste. Esse é o primeiro choque que Xenogears nos causa.


Parece ser de propósito que Tetsuya Takahashi nos provoca esse trauma, prendendo-nos no jogo. Deve ter sido, afinal os choques continuam sem parar até o fim do jogo. Lahan não existe mais, foi dizimada e compartilhamos das sensações do protagonista: medo, tristeza, culpa, ódio, frustração e depressão. É como se nos tirassem à força da nossa zona de conforto e nos jogassem às feras do mundo desconhecido.

Lahan, vítima da mais cruel realidade

No decorrer do jogo, conhecemos o passado de Fei. Fei foi trazido para a vila por um homem encapuzado, em um típico dia chuvoso. Deixou-o aos cuidados do chefe da vila e, sem mais, desapareceu e nunca mais voltou. Fei acabou sendo adotado pelo chefe e por anos viveu dias de felicidade, até o momento em que tudo desabou (literalmente).


Quando exploramos o mundo e conhecemos outras cidades, percebemos que o mundo está "podre". Tudo está entregue nas mãos de pessoas corruptas e cruéis, pessoas vivem no desespero e na miséria ou passam a vida na completa ignorância, apoiando os grandes malfeitores como se fossem deuses e dando a eles mais armas e poder. Lahan era a única parte pura de toda essa realidade.

Casa do Citan?
Não, só o workshop dele.
Originalmente o jogo era para ter um estilo mais pastoral e de raízes. Lahan seria uma vila marcada por artes marciais e seria tipicamente isolada do resto do mundo. Enquanto boa parte do jogo foi refeito para um estilo mais moderno e tecnológico, Lahan permaneceu na sua raiz e Fei manteve seu estilo de luta e características típicas do kung-fu, assim como seu colega e mentor Citan.

My Village is Number One!

Ainda hoje sinto saudades dessa pacata e bondosa vila chamada Lahan. A sorte de ela aparecer logo no início do jogo é que se pode começar um jogo novo só para poder passear nela e conversar com seus aldeões. A música tema da cidade, além de bela e nostálgica, possui um título que não poderia ser melhor: "My Village is Number One!". E, de fato, é a vila número um!

My Village Is Number One by Yasunori Mitsuda on Grooveshark


Revisão: Alex Sandro de Mattos
Capa: Douglas Fernandes

Érika Honda é formada em Ciência da Computação pela Unicamp. Possui grande afinidade com as áreas de Tecnologia, Artes e Game Design. É gamer desde a infância e sua curiosidade e gosto crítico fizeram da redação um grande hobby.

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