Blast from the Past

Junte-se a Rudy, Jack e Cecilia para salvar o mundo dos demônios em Wild Arms (PS)

Lançado originalmente no Japão pela Media Vision , em 1996, e com sua versão ocidental publicada somente em 1998, logo após a revolução ... (por Samuel Coelho em 29/07/2013, via PlayStation Blast)

Lançado originalmente no Japão pela Media Vision, em 1996, e com sua versão ocidental publicada somente em 1998, logo após a revolução que a série da antiga Squaresoft, atual Square Enix, provocou com o lançamento de Final Fantasy VII, Wild Arms tem a marca de um daqueles jogos que não recebeu nas terras do sol poente a devida atenção que merecia. Se unindo a três protagonistas com histórias e motivações diversas e bem definidas, o jogador deverá lutar em defesa da continuidade da vida no semidesértico, mas atraente, planeta Filgaia, que após o encerramento não definitivo de uma guerra que ocorrera há vários anos entre seus antigos habitantes e uma raça de alienígenas demoníacos, passou a perder pouco a pouco sua essência vital, o que provocou um gradativo processo de desertificação.

RPG transgênico

Quantas vezes você já salvou o mundo da destruição?
Fica logo claro que a premissa narrativa do jogo oferece a boa e velha missão de salvar o mundo da destruição, temática muito comum de ser encontrada nos RPGs japoneses e até em grande parte dos RPGs ocidentais. O diferencial deste título, no entanto, se mostra através de sua mecânica, que usa uma fórmula com altas doses de elementos dos sistemas de RPG tradicional por turno aliados a um esquema de exploração de cenários e resolução de puzzles que incentiva o jogador a realmente averiguar com atenção os objetos de cena e o cenário como um todo. Mas não se engane, em essência Wild Arms é um RPG tradicionalíssimo. Tal mecânica de exploração, que é muito comum em jogos de aventura onde precisamos procurar por pistas e resolver puzzles utilizando características únicas de alguns objetos de inventário, é utilizada em Wild Arms apenas para adicionar mais profundidade e diversão à sua jogabilidade.

Utilizamos vários itens do inventário para transpor obstáculos, alcançar tesouros e avançar na história

Você começa a aventura de uma forma um tanto quanto inusitada, através de uma narrativa não-linear. Escolhendo cada um dos três personagens principais, seu objetivo inicial será entender um pouquinho da história e das motivações de cada um enquanto caminha no jogo em direção a fazer com que o destino dos três heróis se cruze. Graças a esse desenrolar, ficamos conhecendo logo de início um bom bocado sobre a cultura e a mentalidade das pessoas desse mundo enquanto também logo vamos tomando consciência do atual e preocupante estado em que se encontra o planeta graças ao processo degenerativo desencadeado pelos demônios.


Mas o jogo vai muito além dos vários puzzles que são quase sempre fáceis de serem resolvidos. Como forma de conectar mais ainda os gêneros aventura e RPG, você aumentará os atributos de seus personagens não apenas através das muitas batalhas por turno contra dezenas de tipos de inimigos. A recompensa por você explorar e resolver todos os enigmas de cada canto dos cenários, seja de cidade ou de dungeon, muitas vezes virá na forma de power-ups para atributos específicos que farão com que você ganhe um leve aumento definitivo para um dado atributo a cada vez que você possuir e resolver usar um destes itens. Além de incentivar um maior estado de imersão no mundo do jogo, isso nos permite ter um certo controle na forma como os três protagonistas se desenvolvem.

Caçadores de Sonhos

Antes de ficarem popularmente conhecidos como os salvadores de Filgaia, os três heróis de Wild Arms serão conhecidos em um momento ou outro ao longo da história como Caçadores de Sonhos, pessoas de reputação duvidosa que viajam pelo mundo sem rumo definido atrás de aventura e recompensas. Cada um dos membros desse trio tem traços bem distintos um do outro, e se complementam muito bem tanto intelectualmente como quando na forma de uma party para as batalhas.
Rudy
Rudy Roughknight é o personagem mais enigmático da história, um Caçador de Sonhos que logo nos passa a impressão de ser um garoto de hábitos simples, com boa vontade e um coração puro, mas de quem quase nada sabemos verdadeiramente a respeito. Apesar da pouca agilidade, em comparação aos outros dois protagonistas, ele é o único do grupo capaz de usar os equipamentos conhecidos como ARMs, que possuem grande poder de destruição. Além disso, o jovem de apenas quinze anos de idade é dotado misteriosamente de uma força sobre-humana, o que fez com que a maioria das outras pessoas sempre o temessem e o repelissem para fora da sociedade assim que se davam conta disso.

Jack
Jack Van Burace é um espadachim de 27 anos perito nas técnicas conhecidas como Fast Draw, capazes de, num piscar de olhos, dizimar grupos inteiros de inimigos. Ele está sempre acompanhado de seu simpático amigo, e quase bichinho de estimação, Hanpan, e viaja pelo mundo em busca de poder e vingança enquanto tenta se redimir da culpa que assumiu por deixar morrer o amor de sua vida. Alguns detalhes do seu passado são revelados através um prelúdio que o jogador pode assistir ao não pressionar nenhum botão na tela de abertura do jogo. 

Cecilia

Cecilia Adlehyde é a princesa de um dos maiores reinos de Filgaia. Ela foi educada desde muito jovem num convento com o intuito de se tornar uma grande conhecedora e usuária de magia. Aos dezesseis anos, quando estava prestes a retornar à sua terra natal para assumir seu lugar como princesa, um chamado de uma das deidades mantenedoras da vida em Filgaia, conhecidas como Guardiões, coloca a garota na posição de uma das peças principais para a salvação de todo o planeta. Após a ameaça de destruição iminente chegar com toda a força ao seu reino, ela embarca em uma aventura para tentar salvar o mundo e recuperar a Teardrop, uma relíquia sua que é fundamental para o desfecho da guerra e para o futuro de Filgaia.   

Diversão imersiva, pura e simples

Já andou de Golem?
O grupo de heróis viajará pelo mundo a pé, de navio, montado em um Golem gigante e até utilizando um sistema de teletransportes construído por membros de uma civilização antiga. Nas batalhas, além de você poder usar as habilidades específicas de cada personagem, ainda é possível contar com o apoio dos vários Guardiões mantenedores da vida de Filgaia, que podem ser usados no jogo como summons por qualquer um dos protagonistas e que, dependendo de suas características, conferem ao personagem ao qual se ligam um bônus temporário de atributos.
Wild Arms conta com vários elementos que todos os fãs de RPG tradicional por turnos adoram
Para que salvemos Filgaia de seu destino apocalíptico precisaremos nos mudar para lá por cerca de 40 horas. O título só aparentemente não inova em nada, mas a verdade é que nele conseguiram misturar elementos incomuns de encontrarmos juntos em um mesmo jogo até nos dias de hoje. Elementos capazes de nos proporcionar uma aventura longa, divertida, de mecânica simples e funcional, com uma boa dose de personagens carismáticos e muitas reviravoltas. Wild Arms ainda hoje pode angariar fãs entre os que não priorizam tanto os avanços técnicos na questão gráfica. E para os que realmente não curtem um visual retrô com sprites, mas que ainda assim se interessaram pelo apelo conceitual da série, vale lembrar que foi lançado para o PlayStation 2 uma versão remake deste jogo, intitulada Wild Arms Alter Code: F.

Revisão: Leandro Freire
Capa: Felipe Araujo
Samuel Coelho é apaixonado por literatura, música, filosofia e arte digital. Ex-aluno de Ciência da Computação na UFPa, ator amador e notívago inveterado, ele passa noites e noites em claro se afogando em tudo o que o fascina. Encontre-o no Facebook ou no Twitter.

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