Meu feriado sob o tenso multiplayer de The Last of Us (PS3)

Meu grupo de sobreviventes tem dez pessoas. Aquela conexão com o Facebook me permite ver quem é quem e o que cada um está fazendo. Maria ... (por Marcelo Alonso em 20/07/2013, via PlayStation Blast)


Meu grupo de sobreviventes tem dez pessoas. Aquela conexão com o Facebook me permite ver quem é quem e o que cada um está fazendo. Maria está fazendo uma fogueira, Paulo está preparando a janta, Pedro está caçando. Sinto que a sobrevivência desse grupo depende de mim. Ficamos sabendo que um carregamento grande de suprimentos está chegando dentro de 12 semanas. Precisamos sobreviver essas 12 semanas. Nesse meio tempo, todos os dias me encontro com líderes de outros grupos de sobreviventes aliados para buscar suprimentos em território inimigo. Não temos outra opção, nossa sobrevivência depende disso e nós cuidamos dos nossos.

Antes de sair para a busca verifico meu Loadout, não tenho muitas opções ainda, meus suprimentos ainda são escassos e não tenho muitas coisas liberadas. Como ainda sou novato nesse tipo de trabalho escolho a opção mais silenciosa possível. Um arco, e uma pistola 9mm silenciada. Uma habilidade permite que eu me mova furtivamente sem ser ouvido pelo inimigo, a outra faz com que meu modo de audição (ativado com R2) dure mais e seja recuperado mais rápido. O resto − bombas, molotovs, e kits de primeiros socorros − vou ter que me virar com o que achar por lá. No caminho para o lugar, penso que o mais estranho de toda essa situação é que os zumbis já não me preocupam. O que me preocupa são humanos, um grupo hostil chamado Hunters, e que no final das contas, estão apenas cuidando dos deles também.


Chegamos ao local. Somos quatro. Ouvimos falar que existem Hunters na área e precisamos ser cautelosos. Temos apenas 20 respawns e se eles acabarem antes dos respawns deles, perdemos o dia. Logo avistamos uma caixa e todos corremos para lá. Ao abri-la, coletamos materiais que permitem a confecção de bombas, molotvs e outras coisas bem úteis. O material que peguei não foi o suficiente para criar algo, fico apreensivo; precisarei procurar por outra dessas nas redondezas. Vejo onde está a próxima no radar e percebo que um dos meus aliados já está indo na mesma direção. Aproveito para acompanhá-lo, é sempre importante estar próximo dos outros líderes. Já passei por situações em que me afastei e acabei encontrando um grupo de Hunters, os quatro estavam juntos, munidos de molotovs, bombas e usando armaduras. Não foi nada agradável. Desde então tento sempre me manter junto com o grupo. A próxima caixa se encontra dentro do que um dia parece ter sido um restaurante e é lá que entramos.

Não nos conhecemos bem portanto não nos comunicamos da maneira mais produtiva, porém conseguimos nos entender. Os tres caras do meu grupo avançam direto para a caixa, mas decido esperar um pouco, olhar o que está acontecendo lá fora. Ando até a janela e logo avisto um Hunter, e outro, e outro. Eles estão um pouco mais à frente mas perceberam nossa presença lá dentro. Tento avisar os meus companheiros marcando os inimigos (R3) mas logo levo um tiro vindo de algum lugar que não consigo identificar, e sou obrigado a recuar. Agora com meus aliados alertas e posicionados consigo coletar os itens da caixa. Aproveito para pegar também um kit de primeiros socorros que estava jogado por ali, com ele selecionado e segurando o R1 consigo me recuperar do tiro que levei. Os Hunters avançam mais um pouco. Eles também são cautelosos e parecem conhecer bem a área. Preciso me apressar. Com os itens crio um molotov e uma bomba de estilhaços. Não é muito, mas deve ajudar por um tempo.

Logo que fecho meu inventário vejo um Hunter entrando por uma porta a minha direita, os outros devem ter seguido outro caminho. Olho em volta e todo meu grupo subiu para o segundo andar procurando se posicionar melhor e esperar o ataque. Não posso me precipitar. Com meu modo de audição confirmo que apenas um entrou e parece que ele ainda não me viu. Decido não marcá-lo para não denunciar minha presença. Ele está atrás de um sofá, ouvindo, pensando se pode alcançar a caixa e pegar mais itens antes de nos confrontar. Graças à minha habilidade de mover-me furtivamente consigo recuar um pouco e me esconder, mas não sem antes deixar uma armadilha com a bomba de estilhaços perto da caixa (com a bomba selecionada, basta apertar R1). Prendo minha respiração e espero. Não demora muito e ele dispara a bomba. Ouço de novo. Ele está nas últimas e não há outros deles por perto. Me levanto e vou até ele. Ele se arrasta na direção contrária, fugindo. Não há espaço para misericórdia e então me aproximo e com o triângulo ativo a execução. Me agacho, viro-o e dou dois socos, apenas para descarregar a adrenalina, saco minha pistola e termino o serviço.
Vejo que ele derruba duas coisas, uma latinha azul (peças, suprimentos) e munição. Tudo o que preciso. Com as peças, consigo abastecer um pouco do meu grupo e ainda comprar armaduras e munição extra caso necessário, mas o que peguei dele ainda não é o suficiente, preciso abater outros Hunters.

Lá em cima o clima começou a ficar pesado. Os Hunters decidiram nos flanquear pela casa do outro lado da rua. Provavelmente já têm bastante experiência e sabiam que íamos nos posicionar ali para nos proteger. Eu continuo no andar de baixo, administrando os itens que consegui pegar. Consigo ver que o grupo inimigo atacou, por uma ponte improvisada entre as casas. Vejo meus companheiros caindo, um a um,  e não consigo alcançá-los para ajudar sem me comprometer. A decisão é difícil mas é a única opção, eles já estão mortos, não há nada que eu possa fazer, então recuo. Corro para um lugar mais protegido, longe do massacre que acabou de acontecer. Por sorte, perto dali já havia mais uma caixa.

Ao longo dessa batalha tento me posicionar um pouco longe dos meus companheiros, eles estão se precipitando e denunciando suas posições com muita frequência, tornando-os alvos fáceis para os inimigos. Tento ao máximo denunciar aonde os Hunters se escondem e preparar os ataques, constantemente flanqueando-os. Consigo abater alguns mas coletar os suprimentos deixados por eles é uma tarefa difícil, eles estão bem organizados e tornaram o lugar uma fortaleza cheia de armadilhas. Meu grupo ataca aleatóriamente, sem estratégia, sem organização. Somos massacrados.

Em dado momento não nos restam mais spawns, sou o último de nós, e eles ainda são muitos. Me escondo atrás de um balcão. Espalhei algumas armadilhas à minha volta mas não tenho esperanças, sei que isso não será o suficiente e vejo-os avançando justamente pelo lado contrário a elas. Me restam um molotov, algumas flechas e poucas balas. Minha única vantagem é a confiança do adversário. Essa confiança condena dois deles que avançam sem cuidado e são atingidos pelo molotov. Os gritos me enchem de horror mas de alívio também, porém os outros dois agora sabem onde estou e meus segundos estão contados. Sou alvejado por dois lados diferentes, fruto de um ataque organizado, comunicação precisa. Não me restam forças, tento rastejar para fora, para morrer com alguma dignidade e não sendo executado de forma bruta e violenta mas não tenho chances. Este não foi um bom dia.

Retornando ao meu acampamento depois dessa humilhação, lembro que ainda tenho que lidar com meu grupo afinal, ele é minha responsabilidade. Consegui liberar algumas coisas que me ajudarão nos próximos dias mas a quantidade de mantimentos que trouxe não foi o suficiente para abastecer o grupo todo. Maria está fazendo uma fogueira, Paulo está considerando canibalismo, Pedro está morto.

Revisão: José Carlos Alves
Capa: Daniel Machado

Marcelo Alonso é formado em Cinema pela Faap. Seu sonho é que a linha entre cinema e videogames fique cada vez menos perceptivel. A vontade de discutir sobre o assunto o levou a escrever textos para o Blast. Pode ser achado no Facebook e no Twitter.

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