Blast from the Past

A pancadaria rola solta em Fighting Force (PS)!

A geração 32-64 bits foi extremamente marcante para a história dos jogos. Em primeiro lugar, tivemos a estreia da Sony na indústria, qu... (por Gabriel Vlatkovic em 22/09/2013, via PlayStation Blast)


A geração 32-64 bits foi extremamente marcante para a história dos jogos. Em primeiro lugar, tivemos a estreia da Sony na indústria, que trouxe consigo uma visão mais madura do que os videogames deveriam transmitir ao público e arranhou a superfície do mundo de funções multimídia com o PlayStation e sua capacidade de tocar CDs de música. Além disso, a geração marcou a transição entre gráficos bidimensionais, tais como eram no Super Nintendo, para um visual mais realista e tridimensional. A transição não foi das mais fáceis, e as desenvolvedoras encontraram muitas dificuldades em transportar suas franquias consagradas ao mundo dos polígonos e cenários com livre exploração, de maneira que alguns gêneros caíram no esquecimento, por mais que algumas empresas tentassem adaptá-los para os novos padrões de mercado.


Um dos gêneros que mais sofreu foi o beat’em up. Consagrado por títulos de peso como Battletoads (NES), Double Dragon (NES), Golden Axe (Mega Drive) e Streets of Rage (Mega Drive), tal gênero fez a felicidade de milhões de jogadores por todo o mundo com seu estilo de jogabilidade simples e extremamente divertido, que buscava a cooperação entre players para derrotar, na porrada, hordas e mais hordas de inimigos para que, ao final da fase, lutasse com algum chefe troglodita sedento pelo sangue dos jogadores.

Bons tempos...
Sentindo que os jogadores estavam ansiosos pela adaptação do gênero ao mundo tridimensional, a Eidos Interactive, criadora de sucessos como Tomb Raider (PS), decidiu se unir a CORE Design Limited para criar uma nova franquia capaz de trazer de volta todo o prazer de se jogar um beat’em up. O resultado foi Fighting Force, o primeiro – e talvez um dos únicos – jogo de pancadaria de sucesso daquela época.

Pouco cérebro e muita porrada

Os jogos de pancadaria nunca foram muito conhecidos por histórias envolventes e diálogos profundos e Fighting Force não se esforça em absolutamente nada para mudar isso. A Eidos apenas criou um criminoso que conta com um exército particular responsável por sua proteção, e um grupo de quatro pessoas bem irritadas dispostas a destruir a vida de cada coitado que cruzar seu caminho só para poder derrotar o vilão, que neste caso se chama Dr. Zeng (não que isso seja importante).

Vai encarar?
Para chegar ao pobre coitado, os personagens precisavam passar por 25 estágios diferentes que iam desde um shopping até uma estação de metrô, derrotando todas as pessoas que encontrassem pelo caminho. Assim como nos clássicos do gênero, em Fighting Force era possível dar socos, chutar, agarrar e usar um devastador golpe especial que consumia um pouco da barra de energia do herói. A maior diferença é que os cenários passaram a ser tridimensionais, o que possibilitava maior exploração e liberdade na movimentação dos personagens. Para os que, como eu, estavam acostumados com beat’em ups bidimensionais, no começo a jogabilidade causava uma certa estranheza. Entretanto, a Eidos conseguiu implementar controles sólidos e precisos, de maneira que, com poucos minutos de jogatina, os jogadores já sabiam exatamente o que e como fazer.

Era possível usar até armas de fogo!
A sacada mais legal de Fighting Force era a grande interação que o jogador tinha com os cenários. A maior parte dos objetos encontrados pelas fases era destrutível e podia ser utilizado como arma contra os insistentes inimigos do jogo. Apesar dos clássicos possibilitarem ao jogador o uso de armas encontradas pelas fases, foi com Fighting Force que se tornou possível destruir completamente a mobília e outros objetos encontrados pelo caminho. O nível de interação era surpreendente e fazia com que os jogadores sempre buscassem novas maneiras, ainda mais brutais, de derrotar seus inimigos.

As limitações do mundo tridimensional

Assim como vários jogos lançados para PlayStation, os gráficos do jogo não eram um primor de qualidade. Mesmo assim, Fighting Force não fazia feio para os padrões da época e contava com cenários amplos e variados, movimentação fluída e personagens bem modelados. Para os que curtiam o gênero no Super Nintendo e no Mega Drive, o jogo soava como uma grande homenagem aos clássicos de outrora, além de uma nova e promissora franquia que poderia levar os jogos de pancadaria a um novo patamar. Infelizmente, não foi o que aconteceu. Apesar de ser um título muito bom, a indústria estava focada em outros gêneros que estavam nascendo ou se tornando mais populares com a nova tecnologia disponível no mercado, o que fez com que Fighting Force não tivesse o reconhecimento que merecia e com que o gênero caísse cada vez mais no esquecimento.

Sindrome de Street Fighter...quem nunca?
Em 1999, o jogo recebeu uma sequência que se distanciava do gênero beat’em up e contava com uma jogabilidade mais voltada ao stealth para apenas um jogador, o que é uma pena, já que a jogabilidade estilo arcade dos beat’em ups acabou sendo quase que totalmente descartada daquela geração de consoles.

Esperanças para o futuro?

Fighting Force quase recebeu um terceiro título, para PlayStation 2. Contudo, o jogo foi cancelado antes mesmo de dar as caras. Entretanto, estamos presenciando um retorno do gênero aos consoles caseiros, com remakes e ports de séries de sucesso. A PSN, que possui Fighting Force em sua linha de clássicos, possui um vasto catálogo de beat’em ups que vem crescendo cada vez mais e tornando o gênero popular novamente. Seria esse um sinal de que os jogos de pancadaria poderiam ter seu merecido retorno? E mais: seria essa a chance da Eidos (agora estúdio interno da Square Enix) reviver sua franquia? Nos resta apenas esperar e torcer...


Revisão: Alex Sandro de Mattos
Capa: Diego Migueis
Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

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