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Análise: Salve o mundo com estilo no peculiar El Shaddai: Ascension of the Metatron (PS3)

Em uma indústria dominada pela mesmice, é admirável quando uma desenvolvedora decide se arriscar para trazer algo novo aos jogadores. U... (por Gabriel Vlatkovic em 29/09/2013, via PlayStation Blast)


Em uma indústria dominada pela mesmice, é admirável quando uma desenvolvedora decide se arriscar para trazer algo novo aos jogadores. Um dos desenvolvedores mais bem sucedidos em tais empreitadas é Suda 51, que nos últimos anos emplacou jogos de qualidade com temáticas peculiares nos consoles de jogadores de todo o mundo. Contudo, nem todos que se arriscam conseguem obter o mesmo sucesso. É o caso da Ignition Entertainment com El Shaddai: Ascension of the Metatron, jogo de ação que prometia contar uma história profunda e diferente com um visual de cair o queixo.


O livro de Enoch

El Shaddai é inspirado na história do livro de Enoch, um famoso documento judeu, e conta a história de Enoch, um rapaz que deve encontrar sete anjos decadentes para impedir que o mundo seja destruído por uma grande enchente. Durante sua jornada, Enoch contará com a ajuda de Lucifel, um anjo guardião de todo o planeta. Com um enredo bem fundamentado e deveras interessante é difícil acreditar que algo pudesse dar errado. Infelizmente, algumas decisões de design foram extremamente equivocadas, e a história não chega nem perto de atingir seu verdadeiro potencial.

"Não sei bem o motivo, mas tenho que te matar"
Tudo é vago em El Shaddai. As cenas são mal explicadas e nunca há linearidade durante a execução do roteiro. Os personagens dizem coisas profundas em momentos inoportunos e tudo parece uma grande salada de simbolismos sem nexo. Além disso, pontos altos da ação são interrompidos por cenas, que na maior parte das vezes também não fazem sentido e acabam quebrando o ritmo da aventura. Como se não bastasse, a tal falta de linearidade faz com que o jogador não sinta que está progredindo ou que no mínimo saiba o que está fazendo.

"Eu não sei o que estou fazendo!"

Jogabilidade problemática

A jogabilidade do título também sofre pelas más decisões tomadas pela Ignition. Para que o lindíssimo visual da jornada pudesse ser melhor aproveitado, o jogo não conta com um HUD, ou seja, não é possível visualizar a energia, pontuação ou mesmo indicadores de especiais que Enoch é capaz de executar. Isso torna o jogo bastante confuso, já que quase nada é explicado no inicio da aventura e o jogador praticamente não tem nenhuma informação sobre o que está se passando na tela. A única forma de saber se Enoch está morrendo é pelo estado de sua armadura, que vai perdendo suas peças conforme o personagem é atingido por golpes dos inimigos. A pior parte, no entanto, é que quando terminado pela primeira vez, o jogo permite que o jogador visualize o HUD em uma nova partida, o que faz com que qualquer um se pergunte quem foi o gênio que decidiu tornar o jogo mais jogável apenas a partir da segunda partida.

Apesar de limitado, o combate de El Shaddai é divertido
Apesar deste problema, os comandos de Enoch são bastante precisos e fáceis de serem executados, mesmo que bastante limitados. Durante os combates, o personagem pode roubar as armas dos inimigos, mas existem apenas três tipos delas e sem nenhuma variedade nos ataques: basicamente Enoch pode utilizar uma espada com poder médio, mas rápida, uma muito pesada e devastadora e um lançador de projéteis.

O jogo ainda possui algumas passagens em cenários bidimensionais
Cada inimigo possui vantagens e desvantagens e é necessário utilizar a arma correta para derrotá-los. Nos primeiros capítulos da aventura, descobrir as fraquezas dos inimigos e as armas corretas para se utilizar contra eles é algo muito divertido. No entanto, dada a pouquíssima variedade de inimigos, a diversão é rapidamente interrompida e derrotá-los se torna algo mecânico e sem graça. O ponto alto dos combates do título são as lutas contra os chefes, que são desafiadoras o bastante para exigir que o jogador se concentre e possua um timing impecável para desviar dos ataques enquanto executa golpes precisos.

A incrível arte de El Shaddai

Se há um ponto da aventura que merece ser muito elogiado é seu visual. El Shaddai conta com gráficos lindíssimos, com paletas de cores que se alternam a todo o momento e tornam o visual artisticamente lindo. Em diversas passagens, me deparei admirando os belíssimos cenários do jogo, que mais parecem ter vindo diretamente de um sonho psicodélico do que de um jogo de videogame, dada a quantidade de cores e elementos bizarros que compõe a atmosfera do jogo, que é complementada por uma trilha sonora recheada de composições épicas e empolgantes.

Os belíssimos gráficos de El Shaddai não param de surpreender
Apesar da história não ser contada da melhor forma possível, a dublagem e atuação dos personagens durante as cutscenes é excelente, e mostram que a Ignition tentou, a todo custo, criar um jogo de alto nível e ao mesmo tempo diferente de tudo o que estamos acostumados a ver por aí.

Ficou na promessa

Apesar da proposta incrivelmente promissora e do visual arrebatador, El Shaddai: Ascension of the Metatron falha devido às péssimas escolhas da desenvolvedora no que tange à jogabilidade do título e o mal aproveitamento de um enredo que, além de interessante, possui material o suficiente para ser mais profundo e melhor contado. Apesar disso, o jogo consegue divertir em alguns momentos, com seus controles precisos e combates desafiadores (também em alguns momentos). El Shaddai poderia ser um jogo muito bom, mas é apenas medíocre.

Prós

  • Gráficos lindíssimos;
  • Trilha sonora bem trabalhada.

Contras

  • História confusa e mal contada;
  • Jogabilidade precisa, mas muito limitada;
  • Falta de um HUD prejudica demais o andamento da aventura.


El Shaddai: Ascension of the Metatron – PlayStation 3 – Nota: 5.5

Revisão: José Carlos Alves
Capa: Diego Migueis
Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

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