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Análise: Bigby Wolf está de volta em Smoke and Mirrors, o segundo episodio de The Wolf Among Us (PS3)

Após uma angustiante espera de pouco mais de três meses, o lobo está novamente entre nós! The Wolf Among Us, o jogo de aventura baseado... (por Gabriel Vlatkovic em 16/02/2014, via PlayStation Blast)


Após uma angustiante espera de pouco mais de três meses, o lobo está novamente entre nós! The Wolf Among Us, o jogo de aventura baseado na série de quadrinhos Fables e desenvolvido pelas mesmas mentes geniais que estão por trás de The Walking Dead (Multi), chegou ao seu segundo episódio na última semana, trazendo consigo ainda mais mistérios e emoções para os jogadores. Na pele do xerife Bigby Wolf, a nossa busca pelo assassino de princesas continua, tomando um rumo inesperado, e a Telltale consegue nos mostrar, mais uma vez, o seu incrível talento em contar uma boa história.


Sem pistas

Após o chocante final de Faith, o primeiro episódio da série, que também é o nome da pobre coitada assassinada no início da história, Bigby continua com suas investigações acerca dos terríveis crimes que vêm ocorrendo em Fabletown. Sem tanta ação e muito mais focado em cenas de suspense e tensão emocional, Smoke and Mirrors cria uma identidade própria com seu ritmo mais lento e suas cenas investigativas. Alguns personagens do primeiro episódio marcam seu retorno, e algumas escolhas simples feitas pelo jogador anteriormente acabam influenciando todo o desfecho narrativo desta nova parte da trama.

É, senhor Wolf...A mentira tem perna curta.
A história central da temporada não se desenvolve muito durante este episódio, que parece servir mais para criar o clima para o próximo, e também para introduzir mais elementos de jogabilidade à já muito polida fórmula encontrada pela desenvolvedora. Por mais que tente, até o final do episódio, Bigby não consegue chegar a muitas conclusões sobre o que está acontecendo e nem sobre os motivos que estimulam o assassino a exterminar suas vítimas de forma tão sádica.

Contra a parede

Uma novidade que se provou uma adição de peso à já excelente fórmula de gameplay desenvolvida pela Telltale é a dinâmica dos interrogatórios que Bigby deve fazer durante sua investigação. As duas cenas deste tipo que estão presentes no episódio mostram como a desenvolvedora sabe criar situações que causam desconforto nos jogadores, situações que acabam tornando muitas decisões tão difíceis que acabam sendo equivocadas.

Mais técnico, o primeiro interrogatório faz o jogador pensar
A primeira cena de interrogatório, menos psicologicamente problemática, faz com que Bigby tenha que ter jogo de cintura para conseguir encontrar contradições no discurso do interrogado. A cena força o jogador a utilizar evidências e até mesmo a decidir se vai agir de forma agressiva ou mais solidária, o que abre um leque de possibilidades no enredo e faz com que o jogador se sinta culpado caso não consiga alguma pista por ter agido da forma “errada”.

Interrogar TJ é um dos momentos mais pesados do episódio
A segunda cena é mais intensa, e faz com que o jogador tenha que pressionar TJ (o pequeno sapo, filho de Toad), que precisa se lembrar de uma cena traumática. O bebê sapo se mostra um personagem tão crível e bem construído que faz com que o jogador entre em conflito com si mesmo, quando não consegue decidir se é mais importante chegar ao assassino ou manter intacta a sanidade mental de uma criança.

Os mesmos obstáculos de sempre

Smoke and Mirrors retorna com os mesmos excelentes gráficos introduzidos em Faith, que passam aquela sensação de filme noir e trazem certo desconforto ao jogador graças ao clima pesado que o estilo possui. Novamente, a interpretação dos atores que emprestam suas vozes aos personagens está impecável e cada estranho morador de Fabletown parece ter vida própria. A trilha sonora complementa o pacote com composições muito competentes que ajudam a estabelecer o clima pesado do título.

Sem opção, algumas princesas começam a se prostituir
Infelizmente, as já tradicionais travadas de câmera estão de volta e de maneira ainda mais intensa. Na primeira vez que iniciei este episódio, o jogo travou completamente durante a tela de carregamento, o que fez com que eu tivesse que reiniciá-lo. Após o pequeno transtorno, me deparei com as pequenas travadas com as quais eu já estava acostumado, e elas novamente incomodaram durante as duas horas de aventura.

A expectativa continua

Smoke and Mirrors termina de forma chocante e cria uma excelente ponte para o próximo episódio, que ainda está sem data de lançamento. O segundo episódio da mais nova história contada pela Telltale pode não marcar por uma grande evolução no enredo, mas serve de prova para mostrar que a desenvolvedora é capaz de inovar dentro de sua própria fórmula, inserindo novos elementos que dão identidade própria ao jogo e o distanciam ainda mais do clássico The Walking Dead, que agora compartilha com The Wolf Among Us apenas o gênero e a desenvolvedora.

Prós

  • Personagens excelentes;
  • Interrogatórios causam desconforto ao jogador;
  • Gráficos belíssimos;
  • Final chocante.

Contras

  • Pouca evolução no enredo principal;
  • As eternas travadas de câmera estão de volta.



The Wolf Among Us - Episode 2: Smoke and Mirrors - Nota 8.5

Revisão: Samuel Coelho
Capa: Rafael Lam
Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

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