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Análise: Godzilla (PS3/PS4) – Controle o lagartão e destrua cidades genéricas e sem vida

Encarne a pele de borracha de Godzilla e parta para destruir Tóquio e lutar contra monstros gigantes em cidades monótonas.

Godzilla marca o retorno do lagartão atômico exclusivamente aos consoles de mesa da Sony em que a palavra de ordem é destruição. O título é uma homenagem ao legado de mais de 60 anos de história do personagem e traz toda a ação no melhor estilo tokusatsu.


Mas apesar de trazer um excelente acervo de informações para os fãs, o título pode decepcionar até os mais entusiastas por jogos de ação destrutiva.

A história do retorno do lagartão

Godzilla traz alguns modos de jogo interessantes, porém muito parecidos entre si. Nele encontramos o famoso modo história, aqui chamado de Deus da Destruição; Rei dos Kaijus, no qual se enfrenta hordas de monstros gigantes; e Evolução, em que a ideia é apenas evoluir Godzilla para ser usado nos outros modos.

Há também a possibilidade de montar dioramas e tirar fotos com personagens, cenários e peças que são desbloqueados durante os modos de jogo quando se realiza determinadas ações, como destruir um prédio específico. E também um guia Kaiju que faz um grande “fan service” ao trazer informações detalhadas sobre monstros e criaturas vistas nos filmes e seriados.

Godzilla está de volta e quer detruir tudo
A história do modo principal gira em torno do retorno de Godzilla. Com sua primeira aparição, os humanos foram capazes de descobrir a Energia G e usá-la para sustentar suas cidades, além disso uma nova unidade de desastres foi criada, a Força G, para combater um possível retorno do lagartão e manter a paz nas cidades.

Após 60 tranquilos anos, Godzilla está de volta atrás dos geradores de Energia G, sua fonte principal de alimento. Durante toda a jornada, somos informados da situação através de uma oficial da Força G que se comunica com um líder do governo. Esse líder muda no decorrer da história e isso influencia na dificuldade da fase. O líder, dependendo do nível de destruição causado pelo jogador, pode aumentar o nível de desastre enviando novas formas de combater os monstros, como aviões mais poderosos e bombas. A história é curta e pode ser terminada em poucas horas, mas rotas alternativas podem ser tomadas e novos cenários visitados.

Destruindo cidades limitadas

A primeira coisa que chama a atenção ao iniciar a jornada de Godzilla em qualquer um dos modos são os gráficos. Apesar dos monstros estarem com um modelação razoável, os cenários são genéricos e sem vida. As ruas são vazias e não possuem pessoas, carros ou outros veículos civis, as construções possuem texturas que remetem a jogos lançados há duas gerações e que poderiam ser facilmente renderizadas pelo PlayStation 2. Além disso, os efeitos como água, fogo e fumaça parecem ter saídos de jogos de décadas atrás.

É possível destruir cidades, usinas e cais enquanto a Força G tenta impedi-lo com seus helicópteros, caças e robôs genéricos que se repetem. Ao destruir os cenários, poeiras e escombros são espalhadas e dificultam até mesmo a visão do jogador — é fácil pisar em um tanque sem ao menos tê-lo visto antes. Por falar em repetição, os cenários, dependendo da rota tomada pelo jogador, também são revisitados, deixando tudo com uma impressão de mais do mesmo.

Prepare-se para destruir cidades fantasmas e genéricas.
Outro ponto desanimador é a limitação. Ao iniciar uma nova fase, é possível visualizar uma grande área, porém apenas uma parte dela é destrutível. Uma linha laranja a delimita e passar por ela é impossível. Mesmo os prédios fora da área, e que são alcançáveis, não podem ser destruídos, permanecendo imóveis mesmo após algumas tentativas de golpeá-los.

Além de Godzilla, outros monstros visitam os cenários para enfrentar o jogador. Todos eles surgem sem nenhuma explicação aparente durante a jornada pelo modo história. Os monstrões gigantes atrapalham a destruição desafiando o jogador para uma batalha de um contra um. Mecha Godzilla, Mothra, King Ghidorah e Hedorah são alguns exemplos de inimigos enfrentados e todos estão bem modelados contrastando com os cenários.

Corra, Godzilla, Corra!

OK, sabemos que monstros gigantes não têm uma movimentação tão dinâmica, mas não deveria ser difícil controlá-los. Mesmo levando em conta que estamos no controle de um ser com metros de altura, tudo deveria ser mais orgânico e funcional, porém o jogo nos entrega controles travados, movimentos robóticos e uma lentidão do personagem principal que faz tudo ficar ainda mais sofrível.

Mothra quer matar Godzilla de tédio.
É quase impossível virar para trás sem perder bons segundos para tal movimento. O direcional fica a cargo da movimentação, mas é necessário apertar o R1 ou L1 para que mude de direção, deixando qualquer ação mais lenta. Um exemplo que pode acabar sendo frustrante é lutar contra Mothra. A gigante mariposa ataca Godzilla com golpes aéreos e vai para suas costas, logo é necessário se virar para atacar, até fazer isso você já foi golpeado novamente e agora ela está do outro lado, deixando qualquer um frustrado.

Os botões ficam encarregados de golpes típicos, como rajadas de raios, ataques fortes e normais, além de uma enorme explosão de energia que causa a destruição de tudo à sua volta.

Nem tudo está perdido

Os pontos fortes do jogo ficam por parte dos desbloqueáveis e algumas ações interessantes que podem ser executadas durante a jornada para destruir cidades genéricas, além de um DLC que libera o controle da versão de Godzilla do filme de 2014.

Apesar de não haver nenhum modo online que chame a atenção, um ranking online permite comparar sua performance nos cenários com de seus amigos e outros jogadores, que levam em conta os níveis de evolução e destruição alcançados.

Godzilla clássico e versão 2014 estão aguardando por um bom jogo com seu nome.
Outro ponto de destaque fica por conta da coleta de dados. Durante a destruição dos cenários, alguns pontos iniciarão as coletas. Ao se apertar o botão indicado, o ponto de vista é mudado para alguém fazendo filmagens de Godzilla. O jogador continua no controle do lagarto, mas vendo tudo através de uma câmera portátil, o que remete aos antigos filmes japoneses. Há geralmente quatro desses pontos, e cumprir todos eles liberam itens e informações sobre Godzilla.

Não foi dessa vez, grande amigo

Godzilla no geral é apenas um jogo mediano e sem maiores atrativos. Com cenários repetitivos, genéricos e sem vida, o título acaba se tornando chato com o tempo e mesmo seus modos de jogo não são suficientes para prender o jogador por muito tempo por serem essencialmente parecidos.

A falta de um modo online de destaque poderia acabar suprindo o impacto dos defeitos mais gritantes. Jogar com os amigos acabaria se tornando o modo principal, evitando que o título acabasse empoeirando na estante ou lá no final de sua biblioteca digital.

Mesmo entregando um grande acervo de informações para os fãs de longa data das séries e filmes de Godzilla, o jogo peca em seu aspecto principal, ser um bom jogo. Há melhores jogos nas gerações passadas que destacavam toda a ferocidade de Godzilla e seus amigos (ou inimigos). Infelizmente não foi dessa vez.

Prós

  • No início é divertido destruir as cidades;
  • Monstros bem feitos;
  • Ótimo fan service.

Contras

  • Modos de jogo parecidos;
  • Gráficos feios;
  • Cenários repetitivos e sem vida;
  • Controles travados.
Godzilla – PS3/PS4 – Nota: 5.0
Versão utilizada para análise: PlayStation 3

Revisão: Alberto Canen
Capa: Felipe Araújo

Fabio Oliveira é Analista de Sistemas formado pela UERJ. Além da paixão pelo mundo dos games, é fanático por seriados americanos, cultura japonesa e filmes de ficção científica. Fã de Mario e Resident Evil resolveu contribuir para o universo gamer sendo newposter no PlayStation Blast.

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