Crônica

Quando a caça aos troféus deixa de ser divertida

Caçar troféus não é uma tarefa fácil e tem momentos que parece não valer à pena.


Como eu havia confessado a vocês em um texto passado, recentemente tornei-me um Trophy Hunter (um Caçador de Troféus). Não é uma vida fácil. A caça por troféus até a busca da cobiçada platina é uma tarefa árdua e que exige muita paciência. Diversão mesmo, existe pouca. Tudo bem que ainda há aquela sensação incrivelmente ótima de recompensa quando você vê o troféu platinado aparecer, mas existem momentos desse percurso que simplesmente não fazem tanto desgaste valer a pena.

Em busca do troféu perdido

Meus problemas com a vida de Trophy Hunter começam com os troféus infames. De todos os sete games que já “platinei” até hoje (sim, são poucos, mas a lista está aumentando gradativamente), não existe nenhum que não tenha tido “aquele” troféu. Estou me referindo àquele tipo de troféu irritante que você passa várias horas tentando conquistar. Um desses tipos são os troféus que precisam que o jogador faça uma certa ação, de uma tal forma, em um dado momento.
Infamous Second Son foi um ótimo jogo, mas possuía uns troféus muito irritantes de se obter.

Um exemplo disso foi o troféu “Double Smoke Stack Attack” do game Infamous: Second Son (PS4). Ele consiste em usar os poderes de fumaça do protagonista Delsin para se lançar de duas ventilações, sem tocar no chão, e cair com um ataque “Drop Comet” sobre um inimigo. Esse era o último troféu que eu precisava para conseguir a platina e eu levei horas para obtê-lo. Como se não bastasse ter que ficar percorrendo toda a Seatle em busca de inimigos (porque eu havia concluído a campanha do game e livrado a cidade do cerco), ainda tive que achar uma posição em que meu oponente estivesse próximo a um prédio com duas ventilações para eu cair em cima dele.
É tanto trabalho para conseguir esse troféu que eu nunca iria repetir essa tática em outra situação.
Por mais que digam que troféus assim são “provas de habilidade”, para mim não passam de testes de paciência. São conquistas com metas específicas demais e que, convenhamos, eu nunca iria utilizar essa tática em outra circunstância no game a menos que ela fosse precisa para conseguir outro troféu. Não tive problemas nenhum em obter outros troféus que exigiam que eu acertasse cinco inimigos de uma vez ou que me livrasse de oponentes com uma fumaça intoxicante. Por quê? Porque eram momentos de combate que eram úteis para praticar e ficar melhor no progresso do game.

Você conquistou o troféu: “Paciente!”

A próxima categoria de troféus que merecem todo meu ódio gamer são aqueles que exigem uma enorme quantidade de tempo e, mais importante de tudo, paciência. Me refiro aos que precisam que o jogador colete uma série de itens para conquistar o troféu. Um exemplo é o troféu “Tricolore” de Assassin’s Creed Unity. Ele consiste em pegar todas as Cockades, pequenas insígnias que estão espalhadas por Paris. São 128 delas, localizadas em locais comuns e outras em lugares que nem sendo um assassino profissional você conseguiria pegar de primeira.
O que ganhei coletando todas as 128 insígnias? Cores novas para trajes, só isso...
Esse tipo de troféu é extremamente desgastante porque fiquei horas correndo para cima e para baixo na cidade, coletando as insígnias para, no final, não receber nada além do troféu e esquemas de cores especiais para meu traje. Não foi algo divertido e muito menos recompensador. Foi um teste de paciência que me fez questionar seriamente se valia a pena continuar desperdiçando meu tempo em busca da platina.

Existem outros troféus da categoria “paciência” que, apesar de serem longos, eles são extremamente recompensadores, como o “Bearer of the Shining Lamp” de Shadow of Mordor (PS4). Para conquistar esse troféu é preciso coletar toda a Ithildin, uma flor mágica espalhada por toda a terra de Mordor. É uma longa busca, mas, no final, catar essas plantinhas vale a pena para poder aumentar o poder de suas armas e poder equipá-la com runas especiais. Cansativo, mas gratificante.
Esse troféu deu um pouco de trabalho, mas foram ótimas as recompensas!

Por um mundo com troféus mais justos

Tanta reclamação tem um único propósito: ter esperanças de que os trófeus farão jus ao esforço para conquistá-los. Existem formas melhores de recompensar o jogador pelo tempo empenhado no game do que levá-lo ao extremo da irritação e total falta de paciência. Como eu afirmei na minha crônica sobre ser um Trophy Hunter, a maior vantagem do sistema de troféus da PSN é, ao obter a platina, saber que você fez 100% do game, ou seja, você o aproveitou ao máximo.
Nem toda busca pela Platina precisa ser uma aventura de Indiana Jones, não é?

Mas obter esses 100% não deve ser sinônimo de irritação e desgaste físico e mental. Se o jogador fica irritado por tentar pela milésima vez conquistar um troféu, onde foi parar a diversão? Games são diversão, extravasamento de energia e, o mais importante de tudo, nossa válvula de escape da sociedade. Quando eles perdem seu principal propósito, passam a se tornar algo completamente mecânico e automático. Uma situação em que o jogador apenas fica com o controle na mão fazendo exatamente o que o jogo pede, sem interagir com o mundo virtual da maneira lúdica.
Fazer check-in nos 100 Hotspots de Chicago é mais chato do que seria na vida real...

No momento eu estou tentando platinar Assassin’s Creed IV: Black Flag e Watch_Dogs. Ambos possuem os dois tipos de troféus que citei anteriormente, e eu já estava ciente disso quando os peguei para conseguir os 100%. Mas isso não me impede de reclamar dessa variedade de conquista. Estou tentando ter paciência para conseguir algumas delas, mas estou sentindo que, apesar de querer arremessar o controle na parede em certos momentos, estou aproveitando os games ao máximo.
Nesse troféun, o objetivo era matar 5 inimigos caindo de uma corda. Fácil e divertido!
Meu conselho que fica aos meus colegas Trophy Hunters é: por mais desesperador que possa ser, persistam. Até que as empresas tenham noção do que realmente significa “aproveitar” um game, continuemos caçando os troféus pelo prazer de jogar e da conquista, mesmo que ela tenha um sabor amargo às vezes.
Revisâo: Luigi Santana
Capa: Leandro Alves
Luis Antonio Costa escreve para o PlayStation Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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