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Análise: Gravity Rush Remastered (PS4) vai (re)virar a sua cabeça

Retorne a um mundo fantástico onde as leis da gravidade jogam a seu favor.


Voar é um dos sonhos mais antigos da humanidade. É um desejo primordial, um sentimento puro de liberdade. Uma pena que nossos copos sejam limitados e a física não esteja a nosso favor. Mas e se pudéssemos ir além? E se tivéssemos o poder de controlar a gravidade na palma de nossas mãos? Você não precisa mais imaginar. Acompanhe-nos nessa revisitação a um belo clássico eletrônico que transforma nossos maiores sonhos em realidade em uma aventura surreal.

Um mundo de pernas para o ar

Um game que é remasterizado e portado para um sistema diferente tem dois grandes desafios: envelhecer bem e garantir uma experiência tão boa, ou melhor que a original. Felizmente, Gravity Rush vence essas duas dificuldades de uma forma incrível. O mundo do game parece ter saído diretamente de alguma animação do Studio Gihbi e o estilo cartunesco em que as cutscenes são passadas ao jogador torna toda a experiência mais íntima e charmosa.
A qualidade das texturas melhorou muito, como podemos notar logo na sequência de abertura.

Como o próprio título sugere, o foco de Gravity Rush é na gravidade, essa misteriosa força do universo. O jogador fica no comando da jovem Kat, que acorda sem memórias ao melhor estilo Newton, levando uma maçã na cabeça. Ela descobre ser uma poderosa Gravity Shifter, um ser humano capaz de controlar o poder da gravidade ao seu favor. Será utilizando suas habilidades que ela poderá enfrentar os desafios que vêm pela frente e tentar descobrir algum sentido para sua vida.
Nossa heroína Kat e seu gatinho Dusty.

O cenário principal é a cidade de Hekseville, uma metrópole flutuante ao melhor estilo de Columbia de Bioshock Infinite (Multi) (provavelmente foi daí a inspiração para o sucesso da Irrational Games?). Como todo bom RPG, a cidade está cheia de atividades para serem feitas, no entanto, não existem muitas side-quests disponíveis (nem muito significativas, na verdade). As atividades paralelas ficam por conta de desafios que aparecem gradativamente e são ótimos para melhorar as habilidades do jogador.
O mundo de Hekseville é gigante. Existe muito para se explorar.

Mas e quanto ao poder de controlar a gravidade? Será que a mecânica realmente funciona? Por mais que no início possa parecer que você simplesmente não vai se acostumar a ver o mundo por tantos ângulos diferentes, sim, é simples. O game facilita a missão do jogador com controles precisos e fáceis para fazer Kat permanecer suspensa no ar com gravidade zero ou cair em direção a algum referencial. Às vezes você irá errar seu alvo quando estiver disparando um chute no meio do ar, mas basta dar um toque no botão certo para controlar sua posição.
Controlar a gravidade é mais fácil do que se parece.

“Gatinha” cheia de marra


A protagonista da nossa aventura, Kat, não é somente uma bela menina, mas uma combatente cheia de confiança. Sempre acompanhada de seu gatinho Dusty, que possui uma misteriosa conexão com seus poderes, ela não se importa em pôr sua vida em risco se isso significa ajudar a dos outros. Da mesma forma que a franquia Zelda já conseguiu consagrar, Kat também possui uma personalidade forte, mesmo sem pronunciar uma palavra. Na verdade, ela até fala, mas somente o dialeto do game, impossível de compreender.

A remasterização do game ajudou muito a tornar mais nítidos alguns detalhes da cidade enquanto Kat faz sua viagem pelos ares. Na pequena tela do PS Vita, o efeito “serrilhado” e o embaçamento de partes do cenário tornava um pouco complexo os movimentos da heroína. Afinal, como o poder de Kat não é infinito ela depende de um medidor para poder ficar andando de cabeça para baixo ou sobre uma parede. E, quando os gráficos não são claros, vislumbrar a diferença entre uma superfície e um obstáculo pode se tornar complicado e confundir o jogador.
Os Nevi são uma ameaça constante e irritante.

Por mais que Kat seja uma ótima personagem e cheia de carisma, a falta de outros integrantes que realmente façam a diferença na história acaba sobrecarregando nossa heroína. Ao terminar a campanha, de cerca de 20 horas, a sensação que fica é que somente Kat estava lá e qualquer outra pessoa não passava de “enfeite”. Isso é um grave erro quando se está falando de um título RPG, que conta na interação entre o protagonista e outros NPCs como um de seus elementos essenciais. Kat é ótima, mas está sozinha nessa aventura.
Personagens como Gade, o Criador, poderiam ter sido melhor aproveitados.

Cair para cima ou cair para baixo?

Mas mesmo com todo esse ambiente incrível, uma protagonista simpática e personagens interessantes de conhecer, Gravity Rush ainda continua sendo um caso de amor e ódio. Por ter uma proposta inovadora, mesmo simples de aprender, muitos jogadores podem não curtir a mecânica da gravidade e não se sentirem estimulados pela linearidade da história. Portanto, se você já adorou a experiência no PS Vita, sinta-se à vontade para vivê-la no PS4, pois não irá se decepcionar. Agora, se você nunca teve a chance de conhecer o título original (como eu) e ainda estiver com um pé atrás, faça uma tentativa. Afinal, quem iria contra um sorriso desses, não é mesmo?

Prós

  • Estilo cartunesco atraente;
  • Mecânica de gravidade simples e intuitiva;
  • Protagonista carismática.

Contras

  • Curta duração;
  • Falta de side-quests importantes.

Gravity Rush Remastered — PS4 — Nota: 8.0

Revisão: Vitor Tibério
Capa: Diego Migueis
Luis Antonio Costa escreve para o PlayStation Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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