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Análise: Bound (PS4) é uma experiência de arte e emoção

Acompanhe a jornada de uma bailarina em um mundo de cores, sons e perigos.


Video games podem ser muito mais do que apenas produções de entretenimento. Eles também podem ser verdadeiras obras de arte, contando histórias e transmitindo sentimentos de diferentes formas para cada jogador. E é justamente nesta segunda categoria que Bound se encaixa. Através de dança, música e um visual simples, mas belo, o game aborda temas profundos da vida de muitas pessoas e como podemos superar todas as adversidades mesmo quando o mundo parece se fechar ao nosso redor.

Dançando a dança da vida

Em Bound, o jogador controla uma dançarina humanoide de gestos graciosos, uma princesa em um reino feito de formas geométricas que parece ter saído de uma pintura surrealista. Essa personagem nada mais é do que uma representação da protagonista “real” do game, uma bailarina que retorna à sua casa da infância para enfrentar alguns demônios e se inspira nos desenhos de seu antigo caderno para relembrar suas alegrias e tristezas de quando era jovem. É a construção perfeita para o mundo abstrato da nossa bailarina perfeita, que precisa atender ao pedido de sua mãe, a rainha, e deter um terrível monstro que assola o reino.
Enfrentando os perigos com a graciosidade da dança.

Como nossa heroína irá combater esse mal? Com o poder da dança. Mas não se preocupe: você não terá que dançar em frente ao console ao estilo Just Dance. Os movimentos ritmados que a bailarina pode fazer são suas principais armas contra os inimigos que podem lhe cercar, além do monstro gigante que urra ao longe. Através de passos bem executados, a heroína pode afastar perigos ou dançar em frente a ameaças, sem ter medo de seguir em frente. Cada movimento é belo de se ver, mesmo que ocorra um certo atraso entre o pressionar do botão no controle e a execução do passo.
Os movimentos da bailarina são muito bem elaborados.

A aventura consiste de cinco níveis intercalados por momentos em que o jogador acompanha a personagem real, lutando para reviver suas memórias (tanto as felizes quanto as dolorosas). Cada nível é uma jornada não linear até um altar onde as realidades se fundem e você começa a entender mais sobre o passado da bailarina real. Para que a jornada pelos níveis não se tornasse simples ou até tediosa demais, existe um pouco de plataforma para se fazer mas nada muito complexo. O jogo não é punitivo, então não existe possibilidade de morte aqui, já que, ao cair em um fosso ou de uma altitude muito alta, o máximo que irá lhe acontecer é retornar ao último ponto em que estava.
Para não manter o jogo muito simples existem alguns trechos com mecânicas de plataforma.

Falando através da arte

Bound pega carona na mesma mecânica e estilo que consagrou um novo gênero: o dos games artísticos. Alguns dos maiores representantes desse estilo são Journey e Flower (ambas produções da ThatGameCompany), aventuras que conseguem criar uma experiência profunda para o jogador mesmo sem utilizar uma linha de diálogo ou uma mecânica de interação complexa. Para isso, esses games contam com uma estética limpa, sem muitas informações visuais, que permita um maior senso de profundidade e imersão; uma trilha sonora de excelente qualidade que acompanha cada movimento e ação do jogador e é colocada nos momentos exatos da jornada; e uma mecânica simples que não exige muito trabalho do jogador para compreender, permitindo uma experiência mais intuitiva e natural. Bound acerta em todos esses quesitos.
Talvez a maior falha para criar um game puramente artístico, no sentido prático do gênero, é a forma como a dança da bailarina é utilizada. Apesar de o passo simples da personagem imitar o movimento delicado do balé, é possível atravessar todos os níveis do game sem pressionar o botão de interação para executar um passo de dança mais elaborado. Sendo assim, o laço sentimental que cria a atmosfera da experiência artística com o jogador é quebrado, uma vez que somente passeando e pulando você pode concluir partes da história.
Muitas vezes você pode preferir apenas caminhar normalmente do que ficar dançando o tempo inteiro.

Bound conta uma história que pode ser a de muitas pessoas que atravessaram fases difíceis na infância e adolescência e monta sobre isso uma alegoria fantástica com a dança como arma para enfrentar qualquer desafio. Apesar de o jogo ser facilmente terminado em apenas quatro ou cinco horas, ele é válido como uma das experiências mais belas disponíveis para o PS4, com uma mecânica simples para qualquer um poder aproveitar o visual surrealista mas simples desse reino imaginário.
Música, dança e emoção!

Prós

  • Transmite muita emoção sem uma palavra;
  • Visual simples e belo.

Contras

  • Muito curto;
  • Falta de mais mecânicas de interação.
Bound - PS4 - Nota: 7.5

Revisão: Bruno Alves
Luís Antônio Costa é graudado em Ciência da Computação pela UFRGS. Apaixonado por games desde que ganhou seu primeiro Master System e conheceu Sonic, também é amante da ciência e um devorador de livros. Além do PlayStation Blast, também faz alguns textos para o Medium e pode ser encontrado no Facebook e Twitter.

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