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Análise: Psychonauts in the Rhombus of Ruin (PS4) é engraçado, mas pouco imersivo

O prólogo de Psychonauts 2 diverte, mas não impressiona.


Desde que comprei meu PlayStation VR, escrevi sobre uma variedade de jogos em realidade virtual que, sinceramente, me impressionou. Eu sabia que comprar um hardware daqueles tão cedo era uma aposta arriscada, mas agora meu PS4 conta com um bom número de jogos que são exclusivos para VR ou possuem algum modo interessante em VR. Muitos desses jogos foram experiências realmente intrigantes, passando pela psicodelia de Rez Infinite (PS4), a imersão de Batman: Arkham VR (PS4) e a galhofa de Job Simulator (PS4/PC). Minha mais recente aventura foi em Psychonauts in the Rhombus of Ruin (PS4), um curto jogo lançado como prólogo de Psychonauts 2 (Multi), mas infelizmente essa não ficou entre as mais memoráveis.

Psychonauts in the Rhombus of Ruin (posso chamar de PRR?) é uma história curta posicionada entre o já clássico Psychonauts (Multi), que eu nunca joguei, e Psychonauts 2, que deve ser lançado em 2018. Os membros da equipe da Double Fine, produtora do jogo, são conhecidos por ter criado alguns dos mais importantes jogos point-and-click já feitos, como Day of the Tentacle (Multi) e Grim Fandango (Multi), mas o primeiro Psychonauts foge bastante disso, sendo um jogo de plataforma em 3D. Rhombus of Ruin volta às origens de Tim Schafer & Co., trazendo elementos tradicionais dos jogos point-and-click para realidade virtual.



Quem acompanhou meus outros textos sobre a plataforma, no entanto, pode lembrar que eles não foram os primeiros aí. Batman: Arkham VR segue muitos dos mesmos princípios, permitindo que o jogador interaja com objetos do ambiente um a um para resolver puzzles. Enquanto Batman usa seus batarangues, batgarras e batqualquercoisas, Razputin, o protagonista de Psychonauts, é equipado com poderes psíquicos como telecinese (que o permite movimentar objetos) e pirocinese (que o permite incendiar objetos). Como já é de se esperar, esses poderes são a chave para resolver uma diversidade de quebra-cabeças durante a jogatina.

Assim como no jogo do Batman, movimentar o analógico do controle não faz com que Razputin se mova. Em PRR, a solução para evitar enjoos é o poder de projeção do protagonista, que faz com que a perspectiva mude de um personagem para outro. Ou seja, para se obter uma visão ampla de cada ambiente, é preciso "possuir" outros humanos e animais e aproveitar seus pontos de vista.

Apesar de me encontrar travado em algumas situações por alguns minutos, não achei nenhum dos puzzles particularmente fascinante, e quase sempre consegui resolvê-los simplesmente explorando todas as possibilidades que meus poderes davam. O grande mérito do game, como fãs da série talvez já esperavam, está na escrita. Mesmo não conhecendo o passado daqueles personagens, não deixei de me importar com eles e de dar risadas de algumas piadas. O último trecho, em particular, traz uma perspectiva (literalmente) interessante sobre alguns clichês narrativos.



Talvez o maior fracasso de PRR seja que ele não se justifica muito como experiência exclusiva para VR. Diferente de alguns outros jogos, nunca me senti completamente imerso no personagem de Razputin, e parece que tudo seria perfeitamente viável (ainda que menos intrigante) na tela da TV. Para algo com a intenção de promover um lançamento futuro, realmente é curioso terem decidido limitar tanto a potencial audiência.

Psychonauts in the Rhombus of Ruin não é a melhor experiência VR que pode ser comprada hoje, nem de longe. Ainda assim, fornece alguns bons momentos de entretenimento e, sem dúvida, deve ser experimentado por todos os fãs do jogo original que antecipam a continuação. Só é uma pena que poucos deles terão acesso fácil a um PS4 com o jogo e a um PSVR.

Prós

  • Narrativa divertida;
  • Bom intermediário entre Psychonauts 1 e 2.

Contras

  • Puzzles pouco interessantes;
  • Faz pouco proveito da realidade virtual.
Psychonauts in the Rhombus of Ruin — PS4 — Nota: 7.0
Revisão: Bruno Alves 
Renan Greca Quando não está ocupado sendo diretor, redator, newsposter, podcaster e RP do PlayStation Blast, Renan Greca gosta de jogar videogames. Às vezes, lembra de focar em seu mestrado também.

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