Jogamos

Análise: GOD WARS Future Past (PS4/PSVita) e a batalha do folclore japonês

Um belo RPG tático feito pela Kadokawa Games

Desenvolvido pela Kadokawa Games, GOD WARS Future Past (PS4/PSVita) traz a antiga mecânica de RPG do subgênero tático, no qual usamos um pequeno grupo de personagens para derrotar inimigos presentes em um mapa quadriculado. O jogo foi lançado no dia 16 de junho deste ano e além de divertir, ele consegue chamar atenção..


Os deuses da criação

O jogo foi anunciado pela Kadokawa Games em 2014, quando ele possuía o nome de Project Code: Tsukuyomi. O jogo sofreu modificações e, em novembro de 2015, começou a ser chamado de God Wars: Beyond Time. O jogo previamente foi apenas revelado como uma simulação de RPG para PlayStation 4 e PlayStation Vita.

God Wars possui uma história baseada no folclore japonês, incluindo aspectos contidos no Kojiki, a mais antiga crônica existente no Japão. O Kojiki é uma coleção de contos sobre mitos contando a origem das quatro ilhas principais do Japão e de seus deuses.


God Wars possui desenho dos personagens de Mino Taro, que trabalhou na série de jogos  Love Plus, feita pela Konami. Além dele, também está na equipe o designer de monstros e criaturas Sawaki Takeyasu, que trabalhou em séries como Devil May Cry e Ōkami. Essa combinação de arte gerou um jogo artisticamente atraente.

A arte usada combina com a narrativa utilizada, já que, em alguns momentos, somos surpreendidos com cutscenes que ocorrem no estilo de quadrinhos. Os quadros descem de forma animada enquanto os diálogos continuam da mesma forma. Outra característica desse estilo são as onomatopeias, deixando o visual, que possui cores vivas, ainda mais belo.

Batalha entre deuses

O jogo conta a história de uma terra bem antiga e pacífica. As pessoas dessa terra honravam seus ancestrais, evitavam conflitos e viviam em paz com a natureza. Porém, com o tempo, o progresso científico fez com que as pessoas começassem a buscar e confiar mais no metal, gerando conflitos entre os povos e enfurecendo os protetores da natureza.

Para evitar a fúria da natureza, Tsukuyomi, rainha de uma das três nações chamada de Fuji, sacrificou sua filha mais amada, Sakuya, na cratera do monte Fuji. Como segundo sacrifício, ela prendeu Kaguya, sua filha mais nova, num selo. Após 13 anos Kaguya consegue fugir com ajuda de Kintaro, seu amigo de infância, e a jovem busca descobrir o que aconteceu com sua mãe, que dizem estar desaparecida.


A história de God Wars pode não ser uma das melhores, ela possui algumas falhas, mas ela ainda assim consegue chamar a atenção. Ela traz bons plot twists que prendem o jogador e o faça  tentar conhecê-la mais a fundo, mas, às vezes, a interação entre os personagens parece um pouco forçada e estranha.

Mizuho

God Wars se passa em Mizuho, um continente que reúne os três grandes reinos de Fuji, Izumo e Hyuuga. O mapa do jogo se assemelha a um grande jogo de tabuleiro, no qual vamos de ponto a ponto para realizar as missões principais ou realizar missões secundárias, prosseguindo com a história e desvendando os segredos.


Em alguns pontos, porém, podemos ver uma casinha, que significa que neste ponto há uma loja (shop) e um templo (shrine). Como todo bom RPG, é na loja que nós iremos comprar as armas, armaduras e acessórios para fortalecermos personagens e onde também compraremos consumíveis para usarmos durante os combates.

No templo, nós podemos pegar missões secundárias que envolvem atacar inimigos até libertarmos os mapas. Cada templo possui um número diferente, porém finito, de missões. No templo também é onde podemos pagar para receber buffs, que melhoram à medida que investimos mais dinheiro no templo.


O mapa, nesse estilo, funciona para a história do jogo e para o sistema de RPG estratégico. O sistema de loja e templo também são bons e funcionam, mas, por ficarem apenas em lugares marcados, temos que ficar indo e voltando para esses lugares sempre que, queremos ou precisamos, comprar algo ou ganhar alguns níveis.

Novas e velhas mecânicas

O jogo se assemelha bastante ao antigo Final Fantasy Tatics (Multi), um RPG tático em turnos que leva em consideração terreno e altura de unidades. Unidades em terreno elevado possuem mais defesa e podem se esquivar facilmente caso sejam atacadas, enquanto as que estão em terrenos baixos são alvos fáceis.


Outra mecânica estratégica é a posição da unidade, pois se atacamos o inimigo pelas costas infligimos mais dano nele e ainda temos mais chance de acertá-lo de forma crítica, enquanto atacar pela frente permite ao inimigo se defender mais facilmente. Essa mecânica também é utilizada ao escolhermos defender, já que os personagens só defendem os ataques de frente.

A mecânica de status usada também surpreende. Caso um personagem já esteja sofrendo de uma enfermidade, status negativo, (veneno, visão turva, lentidão) e sofra dessa enfermidade novamente, há uma chance dela evoluir e  tornar-se um problema maior (veneno mais forte, cegueira, incapacidade de andar).


Ao entrar no combate, os personagens começam com zero pontos de mana, que vai aumentando com o decorrer dos turnos ou ao usar habilidades que recuperam mana. A cada turno, todos os personagens, até os inimigos, ganham esses pontos e passam a ter acesso a habilidades mais fortes e destrutivas podendo mudar o curso da batalha. Porém, pelo fato da mana ser obtida dessa forma, devemos ser cautelosos ao usá-la.

Outra mecânica de habilidade muito interessante é a barra localizada no canto superior esquerdo da tela, que possui uma flor com 5 pétalas. Cada vez que a barra é enchida,  a barra, uma pétala se preenche. Atacar, defender e usar itens faz com que a barra encha, permitindo usar as habilidades divinas, que possuem custos na forma de pétalas e efeitos variados.


Essas mecânicas deixam o jogo interessante e mais estratégico, pois temos que prestar atenção não apenas nos personagens que escolhemos mas também nos inimigos e no cenário, gerando certa dificuldade a princípio. Porém, essa dificuldade permite que jogadores que gostam de táticas e estratégias se divertam nos combates e ainda aprimorem suas habilidades.

Personagens customizáveis

O jogo possui uma vasta gama de personagens para o jogador escolher em sua jornada, e cada personagem possui várias opções de customização. Cada um pode carregar armas que variam de tamanho e que podem ser  combinadas com um escudo, um elmo, uma armadura e dois acessórios diferentes. Dessa forma, o jogo possui mais de 200 variações de armas para equipar.

Além dos equipamentos, cada personagem pode possuir três classes, uma classe única para o personagem, uma classe principal e uma classe secundária. A classe única não pode ser trocada, mas as outras duas podem e, dependendo da situação, elas devem. Cada classe possui um nível limite, mas, após adquirir quinto nível em uma classe, uma melhor estará disponível, permitindo ao jogador escolher entre 30 classes distintas.


Cada classe possui uma árvore de habilidades que pode ser melhorada à medida que lutamos. Cada ação do personagem durante o combate fornece pontos que são distribuídos entre as três classes. Esses pontos podem ser gastos para comprar e melhorar habilidades, tornando o personagem ainda mais poderoso e permitindo que o jogador escolha entre 600 habilidades para seus personagens.

Habilidades ativas gastam mana e são usadas durante os combates, mas o personagem pode usar apenas habilidades ativas das classes que estiver usando. Porém, o jogo permite cada personagem equipar três habilidades passivas, que podem ser escolhidas entre qualquer classe que o personagem já usou e comprou.


Essa customização dos personagens de certa forma deixam o jogo mais único, já que duas pessoas podem usar o mesmo personagem de formas diferentes. Mas, em contraponto, a diferença é apenas na mecânica, ela não ocorre visualmente, as habilidades de classes distantes são extremamente semelhantes e os personagens não possuem variações de modelos.

Cores e mais cores

O design dos personagens, em sua maioria, são únicos e bastante interessantes, mas possuem algumas exceções. A escolha de cores utilizada neles também remete à forma como alguns deuses são descritos. Mas, como dito acima, a mudança de equipamentos não gera nenhuma mudança visível no personagem, o que pode talvez ser um pouco frustrante.


Os mapas são quadriculados e apresentam belas cores e detalhes, auxiliando nas mecânicas presentes no jogo, como altura e deslocamento. Durante as missões secundárias, os mapas são repetidos, mudando muitas vezes apenas o lugar onde nossos personagens começam e os inimigos presentes na região.

A trilha sonora é muito boa, possuindo um ritmo leve e progressivo. Porém, um pequeno defeito neste espetacular jogo se dá durante os diálogos, pois diversas vezes aconteceu de a voz do personagem ficar bem baixa ou bem alta, o que não atrapalha diretamente no jogo. E, às vezes, enquanto os personagens conversavam a voz parecia sem emoção.

Considerações 

GOD WARS Future Past é um excelente RPG da Kadokawa Games, que pode render horas de diversão e desafios. A história do jogo inicialmente pode parecer estranha, mas, à medida que tudo se encaixa, as coisas ficam cada vez mais interessantes, fazendo com que os fãs do estilo fiquem presos a ela.

A jogabilidade, somada à arte, ainda cria um estímulo maior para chamar a atenção dos fãs, seja através de táticas e desafios presentes no jogo ou do próprio folclore japonês, presente na história. Espero que esse seja o primeiro de muitos títulos desta bela série, e que a Kadokawa Games nos surpreenda ainda mais no futuro.


Prós:


  • Excelente design e arte;
  • Sistema de batalha estratégica melhorado;
  • Jogabilidade simples;
  • Extensa árvore de habilidades;
  • Personagens customizáveis;


Contras


  • Problemas de áudio e efeitos sonoros;
  • História parece um pouco apressada;
  • Não há mudança nos modelos dos personagens por equipamentos;


GOD WARS Future Past — PS4/PS Vita — Nota: 8,5
Versão utilizada para análise: PS4

Revisão: Renan Greca
Antonio Stark escreve para o PlayStation Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook