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Análise: Fallen Legion: Flames of Rebellion (PS Vita) tem boas idéias, mas a execução é imperfeita

O RPG da YummyYummyTummy traz um interessante combate com ação e tática, além de um belo estilo gráfico, porém é pouco desenvolvido em outros quesitos.

Fallen Legion chegou aos consoles da Sony recentemente pelas mãos da, ainda pouco conhecida por estas bandas, YummyYummyTummy. O jogo possui duas versões: Flames of Rebellion, para PlayStation Vita, que é objeto desta análise, e Sins of an Empire, para PlayStation 4. Com jogabilidades semelhantes, os games se diferem por seus protagonistas e pelos rumos que as histórias seguem.


O título surgiu trazendo a promessa de batalhas intensas através de seu sistema de RPG de ação. Somando o belo estilo visual desenhado a mão, podemos considerar que a obra é como uma mistura do que já vimos em Dragon’s Crown com seu hack ’n’ slash frenético e Grand Kingdom com o controle vários personagens e uso de tática nos combates.

Um livro e seus mistérios

Flames of Rebellion tem como protagonista o General Legatus Laendur. Ele é um mago estrangeiro, mas se comprometeu a proteger o império de Fenumia ao lado de seu irmão o cavaleiro Bryn, sua escudeira Antoinette, a princesa Cecille Octavia e alguns outros bravos guerreiros imperiais.


Tudo se inicia com a notícia do falecimento do imperador. A partir desse momento a princesa herda a coroa, o cetro e um livro mágico falante chamado simplesmente de Grimoire (grimório). O livro se impõe à mocinha como conselheiro necessário para as batalhas que virão e Laendur sente que algo não está certo nas intenções do artefato.

Posteriormente, nosso herói flagra uma conversa entre Grimoire e Cecille e descobre que o livro contém feitiços que permitem invocar manifestação física da alma de guerreiros lendários que estão mortos (Exemplars). Temendo as consequências desastrosas disso, o general decide destruir o calhamaço mágico na ausência de sua alteza, mas tudo que consegue é arrancar algumas folhas antes de ter sua presença notada e fugir.


Com isso, Legatus passa a ser considerado um traidor do império e torna-se procurado pelas forças reais. Perseguido, o protagonista decide ler as páginas do grimório que estão sob seu poder e invocar Exemplars para o seu auxílio, passando a lutar contra os soldados do exército de Fenumia, além de diversos monstros e criaturas que surgem em sua jornada.

A trama não é um ponto forte do jogo, pouco elaborada e previsível até nos seus twists. Os personagens são unidimensionais e acabam sendo rasos. Não há um crescimento pessoal relevante, uma grande redenção ou uma grande surpresa. Tudo serve como um mero pretexto para que existam os combates, que são a parte realmente interessante do jogo.

Mais ou menos um hack ’n’ slash tático

O ponto de destaque de Fallen Legion, além de sua bela arte, são as suas batalhas. Graças às folhas arrancadas do grimório, o protagonista pode invocar até três guerreiros portadores de diferentes armas entre si (espada, lança, rifle, martelo,...) para acompanhá-lo em cada fase e serem sua principal forma de ataque.


Cada um dos Exemplars fica associado a um dos botões do Vita (quadrado, X e círculo), quando um deles é pressionado o combatente referente realiza seu ataque. Há medidor circular com três marcadores que são gastos um a cada investida, que se recarrega com o tempo. É um ponto interessante, pois limita o lado hack ’n’ slash, faz com que se varie os golpes e que se planeje melhor quando avançar contra os inimigos.

Outro elemento que contrapõe a tendência de ataques seguidos e desenfreados é necessidade do uso do escudo para bloquear as investidas adversárias. Só atacar é muito ineficaz, principalmente contra chefes e criaturas mais fortes. Logo antes de um inimigo partir para cima de seu time, um indicador piscante aparecerá brevemente sobre ele, permitindo assim que o jogador bloqueie de forma bem sucedida. Essa defesa no tempo certo faz com que o carregador de ataque se encha e deixa o oponente vulnerável, possibilitando a criação de grandes correntes de combos que ocasionam mais dano.


Há ainda o papel de Laendur como guerreiro. Por ser um mago, ele faz uso de magias que são executadas através da combinação do botão triângulo com alguma direção no botão direcional. Os feitiços podem ser de suporte, cura ou ataque e possuem um círculo medidor específico para cada um que são carregados conforme os ataques dos Exemplars vão sendo bem sucedidos.

O sistema de combate é bastante interessante e o dinamismo de se usar o diversos elementos (ataques, defesa, magias) na hora mais adequada agrada o jogador que busca um bom desafio. Contudo, há alguns probleminhas como lag entre o pressionar do botão e a realização da ação pelo personagem, algo que felizmente a produtora tem tentado arrumar com patches de correção, e a confusão que tela pode se tornar com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo. A repetitividade das lutas também pode cansar alguns, apesar da curta duração do jogo.


Existem outros elementos nesse sistema como gemstones e tributes que melhoram atributos como ataque, barra de vida, velocidade de recargas, etc. Outra coisa é a possibilidade de escolhas que geram acontecimentos na história do jogo. Esses recursos não são ruins, mas também não possuem tanta relevância de fato para o gameplay.

Um bela obra, mas sem o refinamento devido

Na parte gráfica, o título é uma obra realmente muito bonita. Como já dito, arte feita a mão nos remete bastante aos lindíssimos trabalhos da Vanillaware como Odin Sphere: Leifthrasir e Dragon’s Crown. Embora não seja perfeito, é impressionante a qualidade do trabalho feito por um estúdio menor. O departamento sonoro também não fica atrás e nos brinda com um bela trilha.



Em suma, Fallen Legion: Flames of Rebellion se apresenta muito bem e traz ótimas ideias para o seu sistema de combates. O enredo é fraco e previsível, mas jogo diverte com suas batalhas. Todavia, o game frustra um pouco as expectativas, porque, por mais que as lutas sejam seu foco, ainda falta um refinamento. O jogo também sofre com lags e loadings um pouco demorados.

Prós

  • Combate divertido e dinâmico;
  • Bela arte;
  • Boa trilha sonora.

Contras

  • Sensação de repetitividade;
  • Fraco enredo;
  • Confusão na tela e lag em alguns momentos das batalhas;
  • Loadings demorados.

Fallen Legion: Flames of Rebellion — PS Vita — Nota: 7.0 

Revisão: Ana Krishna Peixoto

Luiz Filipe Cremonezi do Valle é formado em Direito pela UFJF. Adora videogames desde que se entende por gente. Gosta de jogos antigos, mas está sempre ligado nos novos games e tecnologias. Pode ser encontrado no Facebook e no Twitter.

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