Blast Test

Dissidia Final Fantasy NT (PS4) mostra a evolução da série para o molde dos eSports

Batalhas entre equipes são intensas, exigem dedicação e total domínio das emoções nos momentos mais tumultuados das partidas.

Em uma geração na qual os jogos de luta têm ganhado novamente um grande destaque entre os principais lançamentos, nada mais natural do que a Square Enix mostrar suas armas e levar Dissidia Final Fantasy NT, sucesso nos arcades japoneses, para o conforto do lar dos donos do PlayStation 4. Tivemos acesso a uma chave da versão beta, na qual é possível testar o funcionamento do core gameplay, as mecânicas e o online, e contamos agora para vocês os principais pontos do game.

Difícil de entrar e de dominar

Esta versão do jogo conta com três opções de atividades, a primeira opção lógica para quem começa é assistir ao vídeo tutorial em que as principais mecânicas do jogo são explicadas. Em seguida, o jogador pode colocar em prática tudo aquilo que aprendeu no segundo modo, para só então descobrir que não aprendeu absolutamente nada no modo Matchmaking, no qual enfrentamos inimigos reais em partidas online.

Preste muita atenção para esta frase: Dissidia Final Fantasy NT é um jogo para poucos e pacientes jogadores. Há um nível de desafio que é totalmente diferente de qualquer coisa que um jogador de games de luta estão acostumados. Diferente de jogos como Guilty Gear Xrd (PS4) ou Street Fighter V (Multi), que dão certas oportunidades até para iniciantes ganharem, ele já começa a detonar com uma quantidade de ações frenéticas logo de cara.

Quem já jogou outros jogos da série, como Dissidia Final Fantasy (PSP) e sua sequência/expansão Dissidia 012: Duodecim Final Fantasy (PSP) tem certa vantagem por conhecer os principais objetivos dos embates que fogem dos simples bater para tirar sangue. Porém, a nova entrada na série não segue o padrão de lutas que estamos acostumados nem mesmo na franquia e dá preferência a um estilo de batalha mais próximo a um eSport ou MMO para as batalhas de 3 jogadores contra 3.


O que quero dizer com isso? A resposta é simples: assim como em jogos populares da atualidade, a formação de cada time é a chave para ter qualquer sucesso nas lutas e um ponto mais fraco da equipe é o suficiente para desestabilizar toda a partida. Logo, criar estratégias com os parceiros de trio é algo primordial, mas é uma das coisas mais difíceis a se fazer — pelo menos neste período de Beta e provavelmente no jogo final — pela limitação de comandos básicos relegados ao direcional digital para comunicação.

Sempre vigilante

Uma das principais reclamações após o jogo sair nos arcades era sobre como a interface do jogo estava poluída e como seria necessário diminuí-la quando fosse lançado para consoles. Eu era uma dessas pessoas, e digo que mordi a língua pois eles estão exatamente do jeito que deveriam estar. Isso porque ter às mãos e de forma mais clara possível as informações que ela passa é nada menos do que essencial para ter qualquer futuro no game.


No canto esquerdo inferior temos todos os dados de nossa equipe durante a partida, o HP e o nível de Bravery de cada um dos heróis (ou ainda vilões no jogo final), assim como as nossas EX Skills. Do outro lado, no canto inferior direito ficam as mesmas informações, mas referente ao inimigo, com destaque para o medidor de Bravery que quando está pronto para ser utilizado muda de cor para roxo, sinalizando a hora de utilizar alguma estratégia para baixa-lo.

Logo sobre isso está o mini mapa, outra ferramenta vital para a criação de estratégias, em que são exibidas as posições de cada combatente no mapa e quem está atacando quem. Saber tirar proveito dele é ótimo para prevenir o amontoamento de lutadores inimigos em um só aliado e também uma maneira de ver espaços livres para executar a invocação de uma das sete entidades disponíveis no beta.


Para que elas sejam convocadas para o campo de batalha, é preciso encher uma barra localizada no canto superior esquerdo. É neste espaço ainda que podemos ver o “HP da equipe”, um medidor dividido em três pedaços, os quais simbolizam uma “vida” cada. Quando um desses times perder todas as vidas a outra equipe é declarada a vencedora.

Como dá para perceber só pela quantidade de coisa que escrevi para explicar a interface, não há um momento de descanso em uma partida em Dissidia NT, o que o torna um verdadeiro pesadelo para iniciantes. É preciso ter um ótimo reflexo para julgar em pouquíssimos segundos a melhor forma de sair de uma situação que pode envolver até mais outras cinco pessoas. Isso nos leva a um dos pontos mais enlouquecedores desta versão do jogo, a latência da conexão.

Problemas de conexão

Há poucas coisas mais desesperadoras no mundo dos games do que perceber que seu adversário está antecipando todos os seus golpes. Mais desesperador ainda é saber que isso está acontecendo pela qualidade da conexão do jogo, em uma situação que não é possível fazer nada a não ser sentar e chorar. Essa é uma das principais reclamações sobre o jogo nesta versão beta: a dificuldade de formar uma partida com conexão estável.


De cerca de dez campanhas, pelo menos quatro delas apresentaram algum tipo de problema de conexão — no começo do período de teste o número era maior. A maioria das quedas não eram simples e imperceptíveis, mas sim as mais pesadas, chegando a durar alguns segundos. Esse tempo era o suficiente para o adversário construir os pontos de Bravery e dependendo do personagem até mesmo desferir um golpe de HP, o que possivelmente eliminaria um contador de energia da equipe.

Outro obstáculo comum era a dificuldade em formar as partidas. Em alguns momentos mais rápidos, a espera era de cerca de menos de um minuto, mas em muitos deles chegava a ultrapassar os três. Apesar da demora ser registrada em horários naturalmente de baixo acesso, não era nada incomum ter longas esperas também em momentos de pico, nos quais uma mensagem pedia para o jogador enviar um feedback para a equipe.

Mas tudo bem, esta é justamente uma das razões para o período beta existir, testar como os servidores se comportam para que o produto final seja o mais equilibrado possível. Esses mesmos problemas de conexões foram bem suavizados graças às constantes atualizações do jogo, o que dá uma esperança sobre a versão do game que chegará às lojas.

Evolução da fantasia

Há uma infinidade de coisas que não conseguimos ver durante a beta, assim como funcionalidades que estarão disponíveis somente na versão final. Disponível para a imprensa, por meio de sorteio ou ainda para os jogadores que haviam feito a reserva em algumas lojas, a beta de Dissidia Final Fantasy NT deixou um ótimo gosto na boca, ainda que um certo amargor pelos problemas de conexão. O que posso garantir é que no dia 30 de janeiro estarei com minha cópia nas mãos e pronto para ganhar mais um nível no ranking. Espero encontrar todos lá!

Revisão: Ana Krishna Peixoto

Thiago Caires escreve para o PlayStation Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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