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Análise: Bad Apple Wars (PS Vita) traz intensos dilemas

O conflito entre seguir regras, perdendo sua essência com isso, e arriscar um caminho próprio, mas com todas as incertezas que isso traz.

Bad Apple Wars é mais uma das visual novels produzidas pela Otomate e que chegaram neste ano ao Ocidente pelas mãos da Aksys Games, os dois outros foram Collar X Malice e Period: Cube ~Shackles of Amadeus~. Todos eles foram lançados para o PlayStation Vita, algo que reafirma a vocação do portátil da Sony para atender ao público do nicho dos jogos com características da produção nipônica bastante marcantes.


O título, mais especificamente falando, pertence ao gênero Otome ou Shoujo. Para quem não sabe, as obras nesse estilo trazem protagonistas femininas e envolvem, além da história central a ser contada, elementos que apelam para o público feminino adolescente como romances e vida colegial. Mas isso não significa que Bad Apple Wars não possa agradar àqueles que estejam fora desse grupo-alvo, pois conta com uma interessante história e personagens bem elaborados.

“Não conheci o outro mundo por querer”

A personagem principal, Rinka, inicia a história em seu primeiro dia de aula em um novo colégio onde começará o ensino médio. Apesar de marcar uma nova etapa em sua vida de estudante, ela sente que seus dias são sempre iguais e acredita que continuará sendo assim para sempre. Ledo engano, algo que mudará seu destino para sempre está prestes a acontecer.


Ao atravessar correndo uma rua no caminho para a nova escola, a mocinha perde um de seus novos sapatos. Por esse motivo, ela volta para pegar seu calçado mas neste momento acaba sendo atropelada por um veículo que circulava pela rua. Este evento crítico faz com que nossa heroína desfaleça na hora.


Algum tempo depois, a estudante acorda e não está mais onde o acidente ocorreu. Um homem com cabeça de coelho lhe dá as boas-vindas. Ele conta a Rinka coisas surpreendentes: ela está morta, aquele lugar em que estão é um colégio que se chama Nevaeh Academy, lá todos alunos são pessoas que morreram e eles podem voltar à vida desde que sigam as regras da instituição.

Caminhos e escolhas

Durante a cerimônia de recepção à  Nevaeh Academy, a protagonista descobre que voltar à  vida não será tão simples quanto pudesse parecer. Ela é apresentada a dois grupos: os Bad Apples, time de jovens que se rebelaram contra o regulamento do colégio pós-morte, e os Prefects, formado por aqueles que defendem a integridade das regras da instituição. Há um conflito entre os seguidores das duas correntes e ambos lutam intensamente por seus ideais.


Um grande dilema é posto para nossa heroína. Seguir o imenso conjunto de normas estritas da academia pode levá-la novamente a vida, mas isso fará com que ela perca suas memórias, personalidade e individualidade tendo um comportamento apático e vazio de sua essência.


Por outro lado, como defendem os rebeldes, o melhor caminho seria quebrar cada uma das regras impostas, principalmente um conjunto delas conhecido como Unbreakable Rules (regras inquebráveis) daria acesso ao “fruto proibido” que os permitiria escapar daquele lugar preservando a si mesmos.

Interagindo e indo mais afundo

A trama progride através de escolhas e a principal delas está entre acompanhar os Prefects ou os Bad Apples. Dependendo de qual grupo se escolhe seguir é possível interagir com alguns de seus integrantes e fazer com que a mocinha vá se tornando mais íntima de qual dos rapazes preferir. Os diálogos são bem feitos, com um ritmo fluido, e a maioria dos personagens é bem construída, com traços de personalidade únicos e uma certa profundidade. Isso também contribui na rejogabilidade, pois cada par escolhido oferece uma experiência diversa.


No entanto, é possível notar uma certa predileção dos produtores do jogo para que certas linhas sejam seguidas pelo jogador. A história se apresenta mais rica em detalhes se optarmos em nos aproximar dos líderes de cada grupo em vez de algum de seus companheiros. Esse acaba sendo um dos pontos fracos da obra, pois mostra que se quisermos ter uma experiência mais completa não há tanta liberdade assim.


Um elemento que contribui para a aproximação da protagonista com o rapaz escolhido é a inserção de um minigame. Em certos momentos de proximidade do casal surgirá a possibilidade de se tocar o “crush” em certas partes do corpo através da tela de toque do Vita (nada muito obsceno). Esse contato fará com que Rinka tenha a visão de memórias relevantes de seu interesse afetivo. É um joguinho bem bobinho, mas ajuda na imersão na história.

Uma maçã de gosto peculiar

O visual geral do jogo é bastante bonito e os personagens são muito estilosos, em especial os professores, que estão sempre usando máscaras ou algo que lhes cubra a face. Não há que se falar em framerate já que é basicamente tudo contado através de imagens estáticas, justamente como um mangá interativo. A parte sonora não é nada excepcional, as dublagens são no máximo decentes e a trilha não colabora de forma efetiva para criar climas.


Bad Apple Wars se mostra como uma obra voltada a um público bastante específico, mas se o jogador for de mente aberta é possível se divertir e até refletir um pouco com a trama. De toda forma, o jogo é uma obra bem executada, com algumas falhas aqui e ali, sendo recomendado aos fãs do estilo Otome.

Prós


  • Trama bem escrita;
  • Personagens únicos;
  • Belos traços dos personagens.

Contras


  • Trilha sonora pouco inspirada;
  • Predileção muito escancarada por certos personagens pelos roteiristas;
  • Interatividade diversa limitada a um único minigame.

Bad Apple Wars - PS Vita - Nota: 6,5

Revisão: João Paulo Benevides

Luiz Filipe Cremonezi do Valle é formado em Direito pela UFJF. Adora videogames desde que se entende por gente. Gosta de jogos antigos, mas está sempre ligado nos novos games e tecnologias. Pode ser encontrado no Facebook e no Twitter.

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