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Análise: School Girl Zombie Hunter (PS4) não serve nem para passar o tempo

Quase nada se salva neste jogo que serve apenas como meio de colocar mulheres em lingerie.

School Girl Zombie Hunter (PS4) é o típico jogo que faz a gente questionar o gosto de quem aprecia “obras” como essa. Tudo no game é simples, desde sua história, passando por seus personagens e sua jogabilidade. A única coisa complexa se deve ao fato de não haver razão para tal game existir.


Podia ser um anime

School Girl Zombie Hunter acompanha a história de cinco garotas colegiais: Sayuri, Risa, Mayaya, Enami e Rei. Elas são sobreviventes de uma invasão zumbi e estão presas no Colégio Kirisaku infestado. A história começa sem oferecer nenhum contexto. Em momento algum se explica os motivos da existência de um exército de zumbis controlado por um “zumbi mestre” consciente, e nem qual seu objetivo final.

As protagonistas possuem personalidades típicas de animes. Temos a corajosa e determinada, a amedrontada e que sempre fala olhando para baixo, a histérica, a líder e a convencida que não vai com a cara das outras. Há uma tentativa de desenvolvimento das personagens, principalmente quando suas relações são postas à prova e seus passados são discutidos, mas tudo é feito sem oferecer contexto e de maneira inorgânica, com conversas sem sentido em momentos inoportunos. Além disso, apesar de personagens até bem feitas graficamente, todas são inexpressivas, passando quase nenhuma emoção através de expressões faciais ou corporais, e isso é visivelmente um problema quando há cutscenes, deixando-as insossas e fazendo o jogador sentir preguiça de assisti-las, pois nada de fato acontece além de conversas.



Em um contexto geral, a história de SGZH não é ruim, e chega a oferecer alguns pequenos mistérios e reviravoltas que poderiam ser interessantes se fossem mostrados com uma boa animação. Adaptar a história em um anime seria uma maneira mais adequada e possivelmente de maior qualidade, destacando traços de qualidade, dando expressividade e carisma às personagens e criando cenas de ação realmente empolgantes.

Armas iguais e garotas de lingerie

School Girl Zombie Hunter oferece um arsenal de armas para derrotar as hordas de zumbis que infestam o colégio. Pistolas, submetralhadoras, rifles de assalto, escopetas, rifles de precisão e bazucas compõem uma seleção de armas numerosa, porém pouco variada. O que muda, basicamente, são as cores das armas e suas características especiais. É possível usar armas com taxa de recarga aumentada, munição perfurante, mira automática, dentre outras habilidades que podem parecer que oferecem algum senso de estratégia, mas no final das contas alteram pouco a jogabilidade. A organização do menu de armas é confusa, com nomes pouco distinguíveis e siglas para as habilidades especiais. Não é possível comparar uma arma nova com a que temos equipada, nem reorganizá-las, gerando ainda mais confusão na hora de selecionar equipamentos.



O game é dividido em missões variadas, podendo conter objetivos de sobrevivência, eliminação de inimigos, busca de itens, chefes, etc. Até temos um bom número de tipos de missões, mas que são prejudicadas por cenários iguais e extremamente preguiçosos. Não há detalhes relevantes em lugar algum e revisitá-los a todo momento é maçante. Os inimigos, por sua vez, são a maior diversificação que temos aqui, com tipos especiais que vão surgindo e se misturando com outros inimigos normais ao longo da campanha. Nada especial, mas oferecem uma pontinha minúscula de desafio a mais, principalmente os zumbis explosivos.

Cada protagonista possui uma habilidade especial para auxiliá-la nas fases. Sayuri, por exemplo, pode ressuscitar as companheiras, enquanto Enami é imune à perda de equilíbrio. Essas habilidades são mais úteis no modo cooperativo online do game. Outra habilidade, completamente desnecessária em todos os sentidos, é a de tirar a roupa das garotas. A explicação do jogo é de que os zumbis gostam de roupas, mas a verdade é que é só uma desculpa esfarrapada para deixá-las apenas de lingerie. Desnecessário, agressivo, sem sentido e que não acrescenta valor ao game.

Um jogo exclusivo para batatas

School Girl Zombie Hunter é um game exclusivo de PlayStation 4 mas parece ter sido feito rodando em uma batata. A performance é pífia, com quedas de frames por segundo a todo momento, prejudicando a fluidez de algo que já não é lá essas coisas.

Algumas fases colocam o jogador acompanhado das outras personagens sendo controladas pela inteligência artificial, o que pode tornar as coisas mais fáceis ou mais difíceis. Os inimigos tendem a ignorar o jogador, o que ajuda, mas suas parceiras podem fazer você empacar em algum corredor apertado, ficando imóveis e bloqueando a passagem sem razão aparente.



Graficamente o jogo não é feio. Feito na Unreal Engine 4, ele oferece bons personagens, inimigos e cenários de forma geral, com texturas “ok” para um jogo de menos de 3 GB de tamanho. Ainda assim, reitero, as personagens sem expressividade e os cenários repetidos quebram qualquer qualidade que o material gráfico poderia agregar ao valor final do título.


School Girl Zombie Hunters não oferece razão nenhuma para os jogadores o terem em sua biblioteca. Os momentos constrangedores na história e na jogabilidade se misturam a uma repetição e conceitos sem sentido e desnecessários, minando qualquer diversão que poderia existir. O multiplayer para 5 jogadores poderia ser a salvação mas é prejudicado pela jogabilidade desastrosa do game. O modo campanha possui missões curtas e cutscenes entediantes, e tenta oferecer um nível de desafio maior ao jogador com o modo Hard das missões. Mas entenda uma coisa: o maior desafio de School Girl Zombie Hunters é arrumar paciência para finalizá-lo.

Prós

  • Variedade de inimigos é "ok";
  • Deletar o game do HD.

Contras

  • História sem contexto;
  • Diálogos sem sentido em momentos inoportunos;
  • Personagens sem carisma;
  • Conceitos desnecessários;
  • Cutscenes insossas e entediantes;
  • Arsenal desorganizado e confuso;
  • Cenários repetitivos;
  • Performance inconstante.
School Girl Zombie Hunter — PS4 — Nota 2.0
Revisão: Ana Krishna Peixoto 

Francisco Camilo é formado em Serviço Social pela PUC-MG e até hoje não entende a verdadeira razão de ter feito tal curso. Apaixonado pelo mundo dos jogos eletrônicos, tem em sua mente um futuro ideal cuja existência é incerta e o leva a questionar se o que imagina é parte de um sonho ou ilusão. Pode ser encontrado aqui principalmente em análises e buscando troféus na PlayStation Network.

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