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Análise: The Seven Deadly Sins: Knights of Britannia (PS4) peca por ser ambicioso demais

Game tenta emplacar diferentes tipos de jogabilidade, mas falta de foco resulta em combates pouco empolgantes.

Jogos baseados em animes e mangás de sucesso são sucesso há décadas. Nos últimos anos, porém, o nível dessas produções tem tomado níveis altos a ponto de competirem com séries do porte de The King of Fighters e Street Fighter. Franquias como Naruto Ultimate Storm e agora Dragon Ball FighterZ (Multi) se tornaram exemplos de como transportar o universo dos desenhos para a linguagem dos videogames.


Diante desse cenário, a Bandai Namco apresenta The Seven Deadly Sins: Knights of Britannia (PS4), um jogo ambicioso que promete unir gêneros diferentes e contar a jornada de Meliodas e a princesa Elizabeth em busca dos integrantes do grupo Seven Deadly Sins. A seguir você descobrirá conosco se o jogo faz jus ao sucesso do desenho de origem, ou se comete os maiores pecados dos games.

Lutando contra inimigos e a repetitividade

Durante a maior parte do tempo que você estiver com Knights of Britannia, você estará provavelmente lutando, tanto no modo Duelo como no modo Aventura. O primeiro deles é bastante autoexplicativo, e se resume a combates um contra um ou dois contra dois entre jogadores ou em modo solo. É possível escolher entre vinte e cinco personagens vindos diretamente da primeira temporada do anime.


No modo aventura, onde está inserido também o modo história, há diferentes formas de jogar. Temos lutas um a um contra chefes seguindo os passos do desenho, batalhas contra hordas de inimigos no estilo musou, e também um modo de busca por itens no qual também é preciso evitar os ataques inimigos. Mas não se anime, essa variedade é justamente um dos principais pontos que tira o brilho da aventura.

A falta de foco faz com que o jogo no geral ofereça muitas coisas, mas nenhuma delas desenvolvidas a ponto de fazer o jogo se destacar. No modo duelo, não há muita diferença no gameplay entre os personagens, tornando as batalhas maçantes em pouco tempo.

Do começo ao fim, a formula de se teleportar para as costas do inimigo, atacar com combos de um botão e inserir um ataque de energia se repete incansavelmente. Isso até a sua barra de ataque acabar e você ter que esperar que ela retorne, o que acaba tirando a fluidez da batalha.

Contra as hordas, quase não há um senso de prazer de eliminar inimigos pois os ataques não parecem encaixar nesse segmento com todos os personagens. E o que falar das missões de busca por itens? Elas parecem mais ser uma forma de fazer com que todos os personagens principais do desenho sejam jogáveis, em vez de serem algo substancial para o desenvolvimento do jogo, o que pode ser dito sobre outras coisas em Knights of Britannia.

Há ainda a possibilidade de incrementar os lutadores com até três melhorias que são destravadas ao completar as missões do modo Aventura. Algumas delas dão um acréscimo de força, outras dão mais energia vital, e outras aceleram o movimento no mapa. A má notícia? Elas não fazem tanta diferença assim na maioria dos casos.

A reconquista de Liones

Enquanto alguns estão aqui pelas lutas, outros podem estar interessados na história do jogo, que acompanha os acontecimentos da primeira temporada do anime. Há uma década atrás o grupo de guerreiros The Seven Deadly Sins, defensores do Reino de Liones, foi acusado de tramar contra a paz e com isso desbandado. Os membros então se separaram e entraram para as sombras com o intuito de fugir das garras dos Cavaleiros Sagrados.

Após um golpe de estado dado pelos Cavaleiros Sagrados, a princesa Elisabeth viaja pelo território da Britânia em busca dos integrantes da equipe para que consiga enfrentar seus inimigos e retornar sua família ao trono. O primeiro deles a ser encontrado é o protagonista da aventura, Meliodas, o Pecado da Ira do Dragão. Líder do antigo grupo, hoje ele é do bar itinerante Chapéu de Javali e será essencial para reunir todos os pecados.


Essa jornada é contada no modo Aventura de forma até de forma diferenciada: assim como em RPGs, há um mapa mundi por onde guiamos o Chapéu de Javali e encontramos cidades, vilarejos e outros ícones. Em cada um desses pontos é preciso lutar para aumentar o nível de boatos entre os moradores e destravar novos capítulos da quest principal e as sidequests.

Mas há um pequeno problema: a forma como a história é contada é bastante jogada. Quem está acostumado com a narrativa de Naruto Shippuden Ultimate Ninja Storm, por exemplo, onde há desenvolvimento da forma como é feita no anime, irá se decepcionar muito. Na maioria dos casos o jogo oferece pedaços de textos na tela de carregamento e já coloca o jogador no meio de algum acontecimento. Isso dificulta muito o acompanhamento da história e a criação de uma conexão com os personagens.

Belas artes, execução pobre

Mas há uma razão para esse deslize ao contar a história. A apresentação gráfica do jogo é bastante irregular, com alguns pontos sendo bem feitos e outros deixando bastante a desejar. Cenas que contam a história do jogo são excelentes exemplos de como The Seven Deadly Sins peca neste quesito. Os modelos ingame utilizados nestes segmentos raramente mostram animações além de movimentos de respiração.

As coisas melhoram quando chegamos às batalhas ou ao mapa mundi, onde a distância dos modelos acaba escondendo os detalhes comprometedores. Um detalhe que eleva a qualidade gráfica é a atenção ao reproduzir a arte característica de Nakaba Suzuki. Esse cuidado se estende aos modelos dos personagens e personagens secundários ao cenário e suas construções tipicamente medievais.


Mesmo com esses pontos positivos, é preciso mencionar outros problemas, como o anti-aliasing que parece não existir em algumas partes do jogo. Há também uma queda brusca de framerate quando algo pesado acontece, como quando um ataque especial é lançado e partes do cenário são destruídos. É difícil de entender a existência de ambos, já que não acontece nada de tão especial que exija tanto do console.

Vale perdoar os pecados?

The Seven Deadly Sins: Knights of Britannia comete muitos pecados, e talvez o maior deles foi ser ambicioso demais para um budget aparentemente baixo. As batalhas são simples demais, não há profundidade em seus sistemas e depois de terminar as missões para destravar todos os personagens no modo duelo há pouco incentivo para retornar ao jogo. Há certa diversão, mas é difícil recomendá-lo para qualquer outro público a não ser fãs que queiram controlar seu herói favorito.

Prós


  • Estilo artístico é fiel ao material de origem
  • Destruição de terreno adiciona impacto a certos golpes
  • Exploração de Britânia por meio de mapa mundi

Contras


  • Mecânicas de jogo pobres
  • Pouca diferenciação entre os personagens
  • Jogabilidade travada tanto no modo Duelo como no Aventura
  • Modo história não explica bem os acontecimentos
  • Quedas bruscas de framerate e problemas no anti-aliasing
  • Animação de personagens fora da batalha muito simples

The Seven Deadly Sins: Knights of Britannia — PS4 — Nota: 5.5
Thiago Caires escreve para o PlayStation Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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