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Análise: DJMAX Respect (PS4) — uma vasta e viciante experiência rítmica

O novo título da franquia acerta com grande quantidade de músicas e jogabilidade refinada.


A série de jogos rítmicos DJMAX tem uma legião de fãs, porém passou por alguns problemas. A franquia foi muito popular no PSP, entretanto, nos últimos anos, a desenvolvedora investiu em títulos para dispositivos móveis, o que não agradou tanto assim. DJMAX Respect, primeiro jogo da série lançado para um console de mesa, chega com a promessa de oferecer as melhores características da franquia. O resultado é uma experiência viciante por causa da atenção aos pequenos detalhes e pela presença de uma vasta quantidade de músicas.

Solidez clássica

O conceito principal de DJMAX Respect é bem simples: basta apertar botões na hora certa, no ritmo da música. A área de jogo é dividida em linhas verticais e apertamos o botão correspondente quando a nota toca a parte de baixo da tela. Alguns símbolos exigem um simples toque, outros demandam segurar um botão, e um terceiro tipo é ativado por meio das alavancas analógicas do controle — esse último comando é uma novidade introduzida em Respect. Durante a partida, é possível alterar a velocidade das notas, o que torna mais claro os momentos nos quais os símbolos estão próximos demais.


As modalidades de jogo alteram a quantidade de botões e, consequentemente, a complexidade dos padrões de notas. Elas são divididas em 4B, 5B, 6B e 8B — a mais simples usa quatro botões, já a mais complicada exige o domínio de oito botões (sendo dois deles L1 e R1). A dificuldade varia dentro de cada modalidade, sendo possível escolher padrões mais difíceis sem alterar a quantidade de botões. Há, também, uma mecânica chamada Fever: ao preencher uma barra, é possível ativar, ao toque de um botão ou automaticamente, um estado que multiplica a pontuação e o combo.

DJMAX Respect conta com mais de 140 músicas. Boa parte das composições apareceram originalmente em DJMAX Portable (PSP) e DJMAX Portable 2 (PSP), e Respect tem por volta de 40 músicas exclusivas — inúmeros pacotes de músicas via DLC de outros títulos da franquia já foram anunciados. A variedade de estilos é imensa: pop, rock, tecno, j-pop, metal, eletrônica e muito mais. Com uma diversidade tão grande, é fácil agradar jogadores que apreciam diferentes estilos. Os clipes, uma das marcas da série, ainda estão presentes, e boa parte deles foram remasterizados em alta resolução.

Incentivos para experimentar as músicas

Há muitas maneiras de explorar o conteúdo de DJMAX Respect. No tradicional modo Arcade, jogamos três músicas em sequência, sendo uma boa maneira de experimentar novas faixas. Já no Freeplay é possível jogar qualquer composição desbloqueada, seja sozinho ou com um amigo. Detalhes das partidas, como quantidade de botões, dificuldade, interface e velocidade das notas, podem ser alteradas individualmente, o que permite que jogadores de níveis diferentes joguem juntos. O modo Online parece com o Freeplay, com a diferença que os participantes alternam a escolha das faixas. Joguei várias partidas no online e tudo funcionou perfeitamente — por mais que só enfrentei asiáticos extremamente habilidosos. Por fim, há o modo Mission, em que precisamos jogar músicas em sequência obedecendo certas regras, como alcançar uma pontuação mínima ou executar um combo longo. As missões aumentam de dificuldade rapidamente, é um modo que eu indicaria para jogadores avançados.


Pequenas conquistas incentivam explorar os modos de DJMAX Respect. Ações como jogar em certas dificuldades, terminar músicas em classificações específicas, experimentar modalidades específicas, entre outras, liberam conteúdos: novas músicas, ilustrações, diferentes interfaces de jogo e mais. A quantidade de coisas para desbloquear é imensa e tudo pode ser acompanhado no menu Collection, que também exibe estatísticas gerais de jogo. Há, também, um Ranking Online para comparar os resultados com jogadores de todo o mundo. É uma boa ter muita coisa para desbloquear, porém, particularmente, gostaria de que as músicas fossem mais fáceis de liberar — algumas exigem tarefas bem trabalhosas ou difíceis.

Entre a frustração e o vício

As mecânicas de DJMAX Respect são bem básicas e convencionais, porém fiquei impressionado com a complexidade dos padrões de notas.

Mesmo nas dificuldades mais baixas, o jogo pode ser intimidador. As faixas mais fáceis apresentam sequências bem simples, porém rapidamente as coisas ficam complicadas, com trechos que demandam muita atenção, velocidade e técnica. No começo, me senti intimidado e até mesmo frustrado, pois não conseguia completar músicas de dificuldade média, contudo com o tempo fui pegando o jeito e melhorei significativamente. DJMAX Respect exige um pouco de dedicação, mas com treino é perfeitamente possível avançar para as dificuldades mais complicadas — agora já consigo me virar bem no modo de seis botões nas músicas não tão difíceis.

Isso é justificado pelo fato de que DJMAX Respect se propõe a ser um jogo de ritmo hardcore com grande quantidade de padrões muito difíceis. Novatos em jogos de ritmo podem ter muita dificuldade, pois a curva de aprendizado é acentuada, principalmente quando você passa de uma modalidade de botões para outra — levei um bom tempo para me acostumar com a quantidade de botões maior entre as modalidades. Infelizmente o jogo não oferece ferramentas para novatos: não há um modo treino e nem mesmo um tutorial explicando os conceitos básicos do jogo. Eu gostaria de alguma opção que me ajudasse em algumas músicas mais complicadas, como os escudos de erros de SUPERBEAT: XONiC (Multi). É perfeitamente possível se divertir com as faixas mais fáceis, mas quem não está bem acostumado com jogos de ritmo pode se sentir frustrado.

Passado o estranhamento inicial, DJMAX Respect se torna uma experiência imersiva e viciante. É muito legal mover freneticamente os dedos no ritmo da música, principalmente quando você consegue acertar sequências complicadas. Também é interessante a sensação de que você próprio está construindo a música: cada nota tocada é um elemento da composição, e quando erramos o tempo a faixa fica levemente diferente. Esses detalhes me incentivaram a explorar a extensa trilha sonora (toda hora encontro uma nova música interessante), e também me esforcei em desbloquear os conteúdos adicionais, como ilustrações e clipes. DJMAX Respect é mais um daqueles títulos que jogamos por meses frequentemente.


Um retorno impressionante

DJMAX Respect é um título de ritmo impecável. O jogo me conquistou com sua vasta e diversa trilha sonora, sua jogabilidade simples e as muitas opções de dificuldade. Enquanto é possível se divertir nas músicas mais simples, o melhor da experiência está nas faixas mais complexas, principalmente por causa da intensidade da ação — sair vitorioso, nessas situações, é extremamente recompensador. O único porém vem do fato de que o título apresenta forte apelo hardcore com uma curva de aprendizado acentuada e poucos recursos para ajudar novatos, sendo assim é necessário se dedicar para conseguir evoluir. No fim das contas, DJMAX Respect é imperdível, principalmente para fãs de títulos rítmicos.

Prós

  • Mecânicas de ritmo intensas com foco em precisão;
  • Mais de 140 músicas com padrões de notas divididos em 4, 5, 6 e 8 botões;
  • Modo para dois jogadores flexível, com direito a modalidade online;
  • Muitos itens para desbloquear, como ilustrações e vídeos.

Contras

  • Curva de dificuldade acentuada, com ausência de tutoriais, facilitadores ou modos de treino.
DJMAX Respect — PS4 — Nota: 9.0
Revisão: Diogo Mendes
Análise produzida com uma cópia digital cedida pela Neowiz Games
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos e também pode ser encontrado no Twitter.

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