Blast Test

Detroit: Become Human (PS4) — escolhas e consequências

O novo game da Quantic Dream será lançado no dia 25 de maio exclusivamente para PS4.


No dia 23 de abril deste ano, foi anunciado que o próximo exclusivo da Quantic Dream para PlayStation 4, Detroit: Become Human, entrou em estado gold e está pronto para ser lançado no próximo 25 de maio. Celebrando a conquista, a produtora disponibilizou uma demonstração de Detroit na PlayStation Store no dia 24 de abril, dando a chance dos jogadores experimentarem um pedacinho de sua mais nova produção. Detroit: Become Human acompanhará a história de três andróides: Kara, uma senciente que consegue escapar da fábrica onde foi produzida; Connor, investigador responsável por encontrar andróides divergentes; e Markus, um revolucionário que busca libertar os andróides de sua servidão aos humanos.

Entre homens e andróides

A versão de demonstração de Detroit traz a cena de resgate de refém anteriormente demonstrada na PlayStation Experience 2017. No papel do andróide investigador Connor, nossa missão é salvar a vida da pequena Emma, que está sendo mantida refém pelo andróide de sua família, Daniel. Podemos caminhar por todo o cenário, buscando pistas para entender as motivações do sequestrador e sua relação com a família. Ao segurar R2, o tempo pára e podemos ver quais são nossos objetivos e locais com possíveis pistas. Conforme analisamos os cenários à nossa disposição, novas pistas vão sendo desbloqueadas e o conhecimento de Connor aumenta, abrindo novas opções de diálogo e ação no momento de confrontar o sequestrador. É possível também usar um modo de realidade aumentada para recriar alguns acontecimentos, desde que juntemos todas as pistas de um determinado local.



Sendo uma situação de extrema urgência, há um limite de tempo para que Connor busque pistas, e quando a tensão entre os policiais e o sequestrador chega ao limite, somos obrigados a entrar em ação. Tudo o que descobrimos e as ações que tomamos antes do ápice, influenciarão nas opções de escolha disponíveis durante os diálogos com Daniel. Há diversas possibilidades de resultado. O sucesso de Connor é medido em porcentagem na tela, dando ao jogador uma noção de como ele precisa lidar com a situação para cumprir sua missão.

A interação com Daniel é interessante, podendo ser levada por diversos caminhos, sendo eles empáticos, agressivos ou realistas. As atitudes do andróide, sua tonalidade de voz e expressões faciais e corporais vão mudando conforme o diálogo acontece, demonstrando um primor visual e sonoro da parte da produção do jogo. Em nossos testes, buscamos duas abordagens: empática e esperançosa, e realista e agressiva. Em ambas a missão foi cumprida, e a pequena Emma fora salva. Mas em uma delas, Connor se sacrifica para salvar a garota, resultando na morte do personagem. Por ser apenas uma demonstração, fica difícil saber até onde a morte de Connor irá influenciar no desenvolvimento do restante da história de Detroit, mas isso é uma característica marcante da Quantic Dream em seus games: toda escolha tem uma consequência. E não envolve apenas a morte de personagens. Tudo o que é vivido por Connor é assimilado e memorizado por ele, possivelmente influenciando-o em situações futuras.



Não há segredos com relação aos controles utilizados pelo game. Tudo é feito de maneira simples, utilizando os analógicos, gatilhos e touchpad para interagir com os cenários. Há a presença de quick-time events, mas nesta pequena porção, foi algo extremamente pontual e que determinaria o sucesso ou não de uma ação com consequência definitiva, assim como em Heavy Rain (PS3/PS4). É um detalhe que faz com que o jogador tenha controle mesmo em cenas determinantes e de ação, não deixando o jogo se transformar apenas em uma longa cena de corte.

Temos duas dificuldades nesta versão de demonstração, uma focada na imersão em que todas as decisões pesarão no desenvolvimento da história, incluindo morte de personagens; e uma dificuldade focada em uma experiência casual, em que a morte de personagens ocorrerá com maior dificuldade e dando maior ênfase em uma narrativa geral para aqueles que querem apenas aproveitar a história sem muitos desafios ou escolhas.

Detroit: Become Human (PS4) está prestes a ser lançado e sua versão de demonstração é uma prova da Quantic Dream de que eles confiam no trabalho que desenvolveram. Assim como suas outras produções, Heavy Rain e Beyond Two Souls (PS3/PS4), Detroit focará em histórias densas e temas delicados, como pertencimento, escravidão e violência doméstica. O jogador terá a oportunidade de imergir no mundo tecnologicamente avançado do game, enxergando os humanos através dos olhos dos andróides, com a chance de questionar o quão diferentes as duas raças são. Aqueles que já jogaram os dois games anteriores da Quantic Dream sabem o que esperar e, mesmo que eles não vão além daquilo que já mostraram em termos de mecânicas e jogabilidade, sempre têm boas histórias para nos contar, especialmente ao dar a chance do jogador forjar seus próprios caminhos.

Francisco Camilo é formado em Serviço Social pela PUC-MG e até hoje não entende a verdadeira razão de ter feito tal curso. Apaixonado pelo mundo dos jogos eletrônicos, tem em sua mente um futuro ideal cuja existência é incerta e o leva a questionar se o que imagina é parte de um sonho ou ilusão. Pode ser encontrado aqui principalmente em análises e buscando troféus na PlayStation Network.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook