Blast from the Past

Blast from the Past: Resident Evil 2 (PS)

Após comerem o pão que o diabo amassou no primeiro Resident Evil, os membros sobreviventes do S.T.A.... (por Felipe Storino em 12/07/12, via PlayStation Blast)

Após comerem o pão que o diabo amassou no primeiro Resident Evil, os membros sobreviventes do S.T.A.R.S. voltaram para Raccoon City determinados a denunciar a corporação Umbrella para as autoridades. Infelizmente, a empresa possuía muito poder e isso, somado ao fato de que era difícil acreditar em histórias de zumbis, fez com que ninguém acreditasse nos policiais. Revoltado, Chris Redfield viaja para a Europa com o objetivo de encontrar provas contra a Umbrella. Mas talvez ele devesse ter ficado, porque três meses depois as coisas iriam piorar muito na cidade.

Bem vindos à Racoon City

Como dito no parágrafo acima, a história de Resident Evil 2 se passa cerca de três meses depois do primeiro game, quando dois forasteiros chegam à cidade. O primeiro é Leon Scott Kennedy, um policial novato que chega para o seu primeiro dia de trabalho na cidade. Primeiro, último e pior dia de trabalho, diga-se de passagem. Quase simultaneamente, chega à cidade Claire Redfield, que foi até Raccoon para procurar seu irmão Chris. Assim como no primeiro game, em RE2 o jogador também pode escolher com quem vai jogar. A novidade aqui é que essa escolha é feita na hora de colocar o CD do jogo. No primeiro disco, nós controlávamos Leon, enquanto o segundo era o de Claire.

Se abaixa, Claire!

A abertura do game já dá o tom de caos no qual a cidade se encontra depois que o novo vírus da Umbrella se espalhou. Leon chega de carro e encontra uma garota caída no meio da estrada e, ao tentar ajudá-la, é atacado. Enquanto isso, em outro ponto da cidade, Claire entra em uma lanchonete e também começa a ser perseguida por mortos-vivos. Neste ponto a história dos dois se cruzam e eles resolvem ir para a delegacia de polícia, onde Leon acreditava que estariam seguros. O interessante desta abertura é que ela tem uma pequena variação. Na cena em que a viatura bate no poste, dependendo de qual personagem o jogador escolheu, o carro bate de frente ou com a traseira.

Além de apresentar uma nova arma biológica (o G-Virus), Resident Evil 2 nos mostra que as garras da Umbrella chegavam muito além do que se imaginava. Sendo a maior empregadora da cidade, praticamente nenhuma autoridade queria mexer com ela, sendo até conivente com seus experimentos secretos. O laboratório nas montanhas Arklay, por exemplo, era apenas um pequeno local para testes. O grande centro de pesquisas da empresa se encontra mesmo é nos subterrâneos de Raccoon City, tendo como uma das entradas secretas a sala do chefe de polícia da cidade.

Fora Leon e Claire, o jogo trouxe também personagens secundários bem interessantes, como Ada Wong, que chega à cidade com a desculpa de procurar seu namorado, mas que possuía objetivos mais sombrios. Temos ainda Willian Birkin e sua esposa Annete, dois dos criadores do G-Virus, mas que tinham seus próprios planos para ele, que não incluíam a Umbrella. No meio desse fogo cruzado, estava a filha do casal, Sherry, que carrega sem saber a última amostra do G-Virus dentro de seu pingente.

Nunca mais pego esse ônibus

O começo do jogo abandonava a aura de mistério e investigação do antecessor, já colocando o jogador no meio da rua para enfrentar vários zumbis. Além dos que atacavam de frente, outros saíam dos destroços em chamas e ficavam atrás dos personagens. Isso, somado ao fato de ter pouca munição, criava um sentido de urgência para escapar dali o mais rápido possível. O começo do jogo era realmente bem empolgante e diferente do primeiro, com cenários como lojas de armas, becos apertados, quadras de basquete e até mesmo um ônibus abandonado. Não demora muito, porém, para que cheguemos até a delegacia de polícia e o jogo volte ao esquema do anterior, com um amplo cenário a ser explorado, repleto de passagens secretas.

 

Caminhos divididos

Uma das grandes novidades de Resident Evil 2 era que cada personagem possuía dois cenários para serem jogados. Ao terminar o game com um dos personagens, o jogador usava o save game para jogar o segundo cenário do outro personagem, que mostrava o que ele andou fazendo enquanto você zerava o jogo. Além das diferenças entre uma partida e outra, o que você fazia no cenário de um influenciava no do outro, como pegar algum item que serviria para os dois personagens, por exemplo. Esse sistema de cenários A e B dava um fator replay muito grande para o jogo, principalmente levando em conta que já existiam diferenças nos cenários, dependendo de qual personagem você escolhesse.

Entre essas diferenças, estavam os personagens secundários. Do lado do Leon, nós somos apresentados à espiã Ada Wong, que voltaria a aparecer somente em Residen Evil 4. Jogando com Claire as coisas são um pouco mais difíceis, uma vez que em certas partes do jogo assumimos o controle de Sherry Birkin, uma criança que não faz nada além de correr e se desviar dos monstros que aparecem pelo caminho. Além disso, cada personagem possui armas exclusivas, como a shotgun para Leon e a besta para Claire.

O fator replay aumentava ainda mais graças aos cenários secretos que eram desbloqueados caso o jogador alcançasse certas condições. Na verdade, era apenas um cenário secreto, mas que podia ser jogado com dois personagens diferentes. O primeiro deles era o mercenário da Umbrella chamado Hunk, que possui a missão de levar uma amostra do G-Virus de volta para a Umbrella. Ele possui algumas armas, munições e itens de cura limitados e é realmente um desafio terminá-lo. Para quem ainda não achou isso desafio suficiente, temos o personagem Tofu, que nada mais é do que um queijo de soja gigante. Ele aguenta muito mais dano que qualquer personagem do jogo, mas é armado apenas com uma faca e não possui item de cura algum.

Apesar de continuar com o sistema de controle do jogo anterior, Resident Evil 2 trazia uma bela inovação no sistema de dano. Este foi o primeiro jogo da série a mostrar o status da saúde no próprio personagem, sem a necessidade de entrar no menu para saber como está sua energia. Quando a barra de vida ficava amarela, o personagem colocava a mão na barriga para mostra que não estava muito bem. Já quando a energia ficava vermelha o jogo ficava até mais difícil, pois o personagem perdia a capacidade de correr. Então se a munição acabasse e você não tivesse mais itens de cura, provavelmente iria morrrer, já que correr também deixava de ser uma opção. O legal deste jogo também é que, em certo ponto, os personagens ficavam com uma aparência diferente. Leon era atingido por um tiro e passava a andar com o peito enfaixado, enquanto Claire tirava seu colete rosa e ficava apenas com a blusa preta. Na época, isso era um avanço e tanto, pois dava uma sensação maior de realidade.

Olá, eu sou o dr. Willian BirkinE esse também é (ou era) o dr. Birkin

 

Nunca mais volto nessa cidade

Além dos tradicionais zumbis, cachorros e aranhas mutantes, Resident Evil 2 trouxe os temidos Lickers para perturbar os jogadores. Essas criaturas nojentas tinham os cérebros expostos e possuíam uma longa língua e garras para atacar os personagens. Eles assumiram o lugar dos hunters para fazer as decapitações no jogo. E falando em decapitações, o game trouxe algumas das mortes mais impactantes da série, como um personagem que é rasgado de dentro pra fora por uma espécie de parasita gigante. Sem contar o crocodilo gigante, que foi um dos monstros mais comentados pelos fãs na época do lançamento do jogo.

Likers

Resident Evil 2 é, sem dúvidas, um dos grandes capítulos da série, o único porém fica por conta dele prometer uma coisa e não cumprir. Os trailers que saíam na época davam a entender que o jogo se passaria em uma Racoon City totalmente infectada e repleta de caos, algo que só aconteceu no terceiro game da série, já que RE 2 se passa quase o tempo inteiro dentro da delegacia e do laboratório. Mas nada que estrague este grande jogo.

Revisão: José Carlos Alves

Felipe Storino é formado em jornalismo e joga videogame desde a época do Atari e Odissey. Além de redator no PlayStation Blast é editor no site de cultura Mob Ground. O lugar mais fácil de encontrá-lo é no Twitter.

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