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Need for Speed Most Wanted (PS Vita) traz um pouco mais de velocidade ao portátil

Mesmo necessitando da velocidade, o título comprova que sem habilidade não é possível vencer. Mas será que apenas o jogador é o responsável por isso?

Desde que foi lançado em 1994, Need for Speed foi um divisor de opiniões. Conforme mais jogos foram lançados no decorrer dos anos, mais fora questionado sobre a real identidade da franquia, pois seus títulos frequentemente alternavam entre simuladores de corrida e arcades, ora possuindo apenas um conceito básico, ora possuindo uma história bem elaborada ou apenas deixando o jogador fazer o que quiser durante as corridas, sem ter de se preocupar com algum enredo.


Em 2012, na conferência da EA na E3, um título acabou por chamar a atenção de muitos fãs de longa data da franquia. Sob o desenvolvimento da Criterion Games, responsável por títulos de sucesso como Black (PS2/XB), a franquia Burnout e o reboot  de Need for Speed: Hot Pursuit, em 2010, o jogo acabou surpreendendo por seu título, que era o mesmo do antecessor de 2005, lançado para a sexta geração de consoles.

Será que a famosa equipe de destruição de carros virtuais conseguiu acertar nessa nova empreitada? Aperte os cintos, pois é o que vamos descobrir!

Será este o paraíso?

Passando-se na cidade de Fairhaven, Most Wanted trata-se não de uma continuação do clássico de 2005, mas sim um reboot, entretanto sem história, assim como Hot Pursuit, também da Criterion. O jogador, logo no início, é apresentado ao novo local, onde rachas violentos e perseguições frenéticas ocorrem com muita frequência.

Assim como no título original, Most Wanted possui a lista dos corredores mais procurados da cidade. Nessa lista, dez corredores – na verdade seus carros – estão marcados, sendo considerados como os mais rápidos e habilidosos de Fairhaven. O objetivo, claro, é derrotá-los e se tornar o melhor e mais procurado corredor da cidade.
Após assistir a primeira cutscene, o jogador recebe total liberdade para causar na cidade.

Carros… carros em todos os lugares!

Assim como alguns títulos anteriores, Most Wanted adere ao estilo de corridas arcade em sandbox, ou seja, em um mundo aberto. O jogador, logo no início, recebe total liberdade para explorar a cidade por completo, sem qualquer limitação.

Entretanto, para poder explorar por completo, o jogador necessitará, claro, de carros. Muitos carros. Todos os veículos, também no início, estarão à disposição do piloto. Entretanto, para que possa dirigí-los, o jogador deve, primeiro, encontrá-los, sendo que já estão espalhados pela cidade. Ao encontrar um, nos locais apelidados de “jackspot”, o jogador poderá trocar de veículo sem algum problema, deixando-o livre para correr a qualquer momento.
Ao encontrar um novo veículo, basta apenas apertar o botão e trocar. Fácil, não?

Velozes e furiosos

Need for Speed: Most Wanted possui uma enorme variedade de carros licenciados, partindo de convencionais estilosos, como o Ford Focus, até os mais desportivos e velozes, como o incontrolável Bugatti Veyron Super Sport.

Cada carro possui sua própria lista de eventos e customizações, fazendo com que o jogador tenha de conquistar tudo novamente ao adentrar em um novo veículo. Entretanto os carros estão limitados a apenas cinco eventos próprios, sendo estes exclusivos de cada carro, e alguns pouquíssimos eventos livres do jogo, onde qualquer carro pode adentrar. Após completar todos os eventos e, consequentemente, as customizações, o carro perde sua utilidade, por assim dizer.
Cada evento carro possui a própria lista de eventos, contudo são muito limitados.

Além do estilo, há também tecnologia

Na HUD do jogo é possível ver o carro, claro, o GPS, que indica as rotas das corridas, a localização do corredor, a velocidade e a barra de nitro (óxido nitroso) e os Speed Points.

Speed Points (ou apenas SPs) são os pontos necessários para subir na lista de mais procurado do jogo. Ao atingir a marca necessária de SPs, o jogador poderá enfrentar o corredor mais procurado da próxima posição. Para ganhá-los é necessário correr, seja livremente pela cidade, causando o completo caos, nos eventos disponíveis no Autolog, no modo online, ou fugindo da polícia.
O modo Easy Drive do Autolog é realmente muito útil e fácil de utilizar no portátil.
O Autolog é o sistema utilizado pelo jogo, que funciona como o menu do jogador, disponibilizando a lista de eventos e customização dos carros, a lista dos corredores mais procurados, o menu do modo online e o modo “easy drive”, que dá fácil acesso a alguns eventos, como aqueles em que seu amigo bateu seu recorde na PSN ou os desafios disponíveis pra cada carro.

Muttley, faça alguma coisa!

Embora o ambiente do título ofereça tamanha liberdade, os eventos acabam dando a impressão contrária, ainda possuindo a cidade para explorar, mas com um enorme porém: por possuir uma rota traçada, o jogador fica totalmente limitado a ela, sem poder desviar para realocar-se a uma nova, mesmo que chegue no mesmo destino, sempre tendo de passar pelas barras de checkpoint que estão espalhadas pela rota. Caso o jogador desvie do percurso pré definido e não passe por um dos checkpoints, não terá a chance de terminar a corrida até que volte e passe pelo mesmo.
Todos os eventos possuem os checkpoints, necessários para confirmar a rota. Eles podem ser bem chatos em alguns momentos.
São seis eventos disponíveis, sendo eles: corrida comum, onde é necessário seguir a rota até o destino final, circuito, que consiste em uma rota com algumas voltas, cronômetro, consistindo no mesmo estilo do primeiro modo, mas com o objetivo de vencer o tempo limite, teste de velocidade, em que o jogador deve bater a velocidade alvejada, e emboscada, onde o jogador deve se livrar dos policiais dentro do menor tempo possível.

Cada evento possui uma dificuldade própria, sendo esta baseada no carro em si (propriedades próprias e iniciais do carro), na distância e intensidade do tráfego presentes na rota, e na IA dos oponentes, definindo comportamentos como velocidade, agressividade e desempenho de cada um.
Ao iniciar com o carro, o mesmo se encontrará sem um galão de nitro, tendo de correr no primeiro e mais fácil evento para adquirir.
A customização do piloto também pode influenciar na dificuldade de cada evento. A cada colocação alcançada, o jogador é recompensado com uma quantia de SPs e uma peça para a tunagem do carro.

Personalização impersonalizada

Os carros possuem uma lista própria de aprimoramento, onde se encontram as opções de partes para serem trocadas e melhorar o desempenho. São elas pneus, podendo variar entre off-road, reinfláveis e específicos para pista, o tipo do nitro utilizado, o chassis do carro, espessura da carenagem, o que pode melhorar a resistência contra as batidas, e a transmissão de marchas, que definem a velocidade em que o carro acelera.

Embora haja, de fato, personalização própria, os carros estão limitados a apenas estas, além de que elas só influenciam no desempenho do carro, sem a possibilidade de alternar as cores ou a aparência. As cores dos veículos podem ser alternadas aleatóriamente ao passar por um dos diversos postos de gasolina espalhados por Fairhaven, que, além da cor, também repara totalmente o carro, caso este esteja danificado (com pneus furados ou arranhado), e ajuda a reduzir o índice de procurado nas perseguições policiais para escapar.
Os pneus dos carros podem estourar, pelo próprio jogador, ou serem furados pelos espetos da polícia.
Mesmo sendo um jogo de corrida, estratégias são muito necessárias em vários momentos, o que faz com que o Autolog disponibilize a customização do carro a qualquer momento, mesmo que seja em meio a uma corrida, o que possibilita a mudança dos pneus, principalmente, ao trocar de terreno.

Prenda-me se for capaz

Como é de praxe na franquia e o próprio nome sugere, Most Wanted influencia o jogador a “criar problemas”, o que acarreta em perseguições policiais. As perseguições podem ser iniciadas dentro dos eventos, onde a polícia estará programada para aparecer em meio à rota e tentar pegar os corredores, ou enquanto o jogador corre livremente pela cidade, tendo uma tolerância a até 80m/h para que “suspeite” do carro.
Eles estão de olho. Ao menos é o que faz parecer.
Iniciando uma perseguição, uma contagem de SPs é iniciada logo abaixo da barra de contagem total, no topo da tela, onde o valor das infrações do jogador acabam sendo contados em SPs, assim como era contado em dólares nos títulos anteriores. Quanto mais infrações e caos o corredor causar, maior o valor de SPs que contará.

Uma barra de perseguição é ativada logo ao início da mesma, esta que informa o nível da tática que os policiais utilizarão, partindo de viaturas convencionais e barreiras com placas, até carros mais velozes e fortes, como mini-vans para barreiras e perseguições de alto nível, além de ficarem muito mais agressivos, destruindo absolutamente tudo que for possível para conseguir alcançar e bater no carro do corredor. Ao ser preso, o jogador perde os pontos ganhos APENAS naquela perseguição, sem levar qualquer outro tipo de prejuízo. Ao escapar os pontos ganhos são somados à quantia total.
Os eventos de modo emboscada servem especificamente para escapar dos tiras.

“Há um lugar tão distante…”

Fairhaven é uma cidade realmente grande, embora acabe não parecendo muito por conta da alta velocidade em que o jogador corre. A ambientação é deveras variada, não se limitando apenas às ruas da cidade, mas todos os lugares onde um carro se encaixa, seja em depósitos de containers, estacionamentos, ou até mesmo parques. No ambiente sempre estarão presentes carros civis, não muito variados, passando sem rumo pelo local, estando lá apenas para atrapalhar a passagem do jogador, pois, ao bater, uma cena de batida é focada, assim como na franquia Burnout. Na versão do portátil, o número de veículos diminuiu, pois o console não aguentaria a cidade inteira com todo o trânsito presente.
A variedade na ambientação é um dos maiores atrativos do jogo, contendo até mudanças de clima em tempo real.
Contudo, um limite para a “inocência” na presença dos civis não foi imposto pela programação, pois, caso o jogador pare no meio da rua para customizar o carro ou organizar o Autolog, acaba sendo atropelado (sim, atropelado) pelos transeuntes, que apenas buzinam no momento da batida. Nessa hora, o Autolog fecha e a cena de batida entra em foco.

Agora é com você, DJ!

A trilha sonora é uma boa mistura de gêneros, que acaba se encaixando muito bem no ambiente do jogo. Trazendo músicas como Won’t You Be There, do grupo eletrônico Nero, Weatherman, da banda de hard rock Dead Sara, dentre vários outros, contando com mais de trinta músicas.

Contudo, após algum tempo, a empolgação transmitida pelas músicas acaba se esvaindo, fazendo com que não haja real diferença caso algo toque ou não, o que é outro problema do jogo, que interrompe a trilha sonora, fazendo com que o jogador tenha de reativá-la manualmente. Nada que não possa ser resolvido com o modo de reprodução de músicas do PS Vita, pois este pode ser ativado a qualquer momento durante o jogo.
Embora perfeitamente funcional, as músicas pausam durante algumas telas de carregamento, mas voltam automaticamente logo em seguida.

Um arcade social

NFS: Most Wanted possui um modo multiplayer realmente muito bom e massivo, suportando até quatro jogadores na mesma partida, disputando dentro da cidade. Basicamente, toda a cidade estará disponível, com algumas rotas diferentes do modo campanha para serem escolhidas e com todo o resto à disposição, tanto a enorme cidade como o trânsito.
O modo online consegue ser estável e divertido, embora possua alguns problemas.
Contudo, os carros que o jogador encontrou e customizou não estarão todos disponível, fazendo com que o jogador os libere e ganhe novamente as partes conquistadas para aquele carro, embora a vantagem da vez seja a possibilidade de customizar sua cor manualmente. Sendo mais básico e específico, o jogador é transferido para uma outra Fairhaven, esta sendo online, onde poderá competir contra os outros três que estarão na mesma cidade.

Além das partidas, há também um ranking online, onde os amigos que possuem o jogo na PSN podem competir para bater o tempo do outro em alguns eventos ou deixar a marca registrada na cidade do outro jogador. Como um exemplo, ao pular pelas rampas e destruir os outdoors presentes na cidade, o jogador terá a distância do salto contada e, caso possua a maior distância dentre os amigos, seu ícone da PSN será reproduzido naquele outdoor e estará disponível na cidade dos amigos, ficando assim até que algum outro amigo da lista bata o recorde.
Destruir alguns outdoors com o ícone do seu amigo pode até tirar o estresse, mas e quando o ícone é seu?

O Paraíso sem o paraíso

Mesmo com vários pontos positivos listados, o jogo está muito, mas muito longe de alcançar a perfeição. As partidas online, embora divertidas e muito estáveis, constantemente sofrem de estranhos glitches, que podem ser tanto teleportes de carros, impossibilitando o jogador de bater no oponente, quanto as batidas sempre afetarem somente o corredor.

O modo online está longe de ser o único sofredor. No modo solo os bugs são muito frequêntes. Em vários momentos é possível notar que a cidade não está totalmente carregada, principalmente quando o jogador está em alta velocidade, o que faz parecer que o console não consegue acompanhar a velocidade dos carros, influenciando, também, na física do jogo.

As cutscenes presentes no início de cada evento também podem atrapalhar muito na jogatina pois, em alguns casos, se o jogador resolva não assistir, poderá ter a velocidade do veículo reduzida misteriosamente. Em meio a perseguições, caso o corredor se esconda em algum lugar onde a polícia não pode chegar, o nível de procurado sobre instantaneamente, ficando no máximo. Não que seja difícil escapar da polícia, que por sua vez estranhamente se teletransporta (é isso mesmo) em algum ponto próximo do jogador quando está correndo ou simplesmente girando as rodas parado, o que resulta em iniciação de perseguição.
As cutscenes, embora sem nexo e até engraçadas, conseguem ser um dos provocadores dos bugs.
A cena de batida por si também não se salva. Embora seja interessante e previne a total redução de velocidade do jogador em uma partida, acaba tirando um pouco da identidade do jogo, fazendo com que se assemelhe muito mais aos títulos da franquia Burnout que um Need for Speed, além de não possuírem uma tolerância fixa, podendo aparecer em vários momentos sem nexo, onde o carro fora apenas arranhado, como também simplesmente não aparecer em momentos quando o jogador bate diretamente contra a parede ou outros carros, o que atrapalha, e muito, em sessões no modo multiplayer, por exemplo.

E isso não é tudo, pessoal!

Need for Speed: Most Wanted marca, de fato, o retorno da Criterion na franquia, trazendo novos e interessantes elementos, como troca instantânea de carros e a customização em tempo real, o que foi uma boa adição para o estilo que o jogo aderiu. Em específico, a versão de PS Vita consegue, também, fazer muito bonito, mesmo com a redução gráfica, que não passou de alguns molhados na pista e os danos do carro (eles só arranham, não sofrem dano real) e a redução do trânsito civil no jogo, pelo processamento e tamanho da tela do console, o título ainda possui uma cidade inteira para ser explorada, contando com mudanças climáticas, som ambiente e bastante velocidade.

Os controles também foram muito bem adaptados ao console, fazendo com que até mesmo a tela de toque traseira do portátil seja utilizada  para trocar as músicas  além de poder tocar as já armazenadas no console ao fundo enquanto se diverte pela grandiosa Fairhaven no local que bem desejar.
Fazer pose para o selfie dos carros consegue ser muito divertido, além de ser mais fácil do que parece.
Contudo os erros caminham juntamente dos acertos. Os diversos bugs do jogo podem muito bem comprometer a paciência do jogador em vários momentos, seja com as cutscenes ou até mesmo com a cena de batidas, que pode ser tanto um aliado quanto um vilão, principalmente no modo multiplayer, onde acaba atrasando mais o jogador. O modo multiplayer, mesmo divertido e massivo, faz com que o jogador deva reconquistar tudo o que conseguiu com aquele carro, o que desequilibra a partida e acaba, em alguns momentos, frustrando.

A resistência à polícia também não faz sentido depois de algum tempo, pois carros como o Bugatti Veyron Super Sport, por exemplo, são tão rápidos que simplesmente deixam a polícia para trás, sem alguma chance de perseguição. Além disso, a punição por ser preso é tão mínima que também não dá muito sentido à fuga.
Em vários momentos, escapar pode levar segundos.
A trilha sonora também não escapa, pois mesmo sendo muito boa, acabou sendo uma das menos empolgantes desde a sexta geração de consoles, fazendo com que dependesse muito das músicas que possuía armazenadas.

Contudo, isso não me impediu de acumular trinta horas de jogatina, em meio ao estresse, irritações e muita, mas muita diversão. Sensações estas que eram sempre presentes quando jogava algum jogo da franquia Burnout, o que apenas comprova que a Criterion Games sabe muito bem fazer um jogo arcade, mas sempre acabará envolvendo seu título original no meio, arriscando até mesmo a identidade dele.

Uma "Calrton Dance" cairia muito bem nessa cena! NFS: Most Wanted em resumo.

Prós

Muito divertido;
Vastidão de conteúdo;
Multiplayer online massivo;
Novidades bem-vindas e interessantes;
Utiliza vários das funcionalidades do portátil;
Perde pouco, se comparado à versão dos consoles.

Contras

Bugs e glitches frequêntes;
Trilha sonora sem muito impacto;
Personalização mínima dos carros;
Perseguições poderiam ter mais valor;
IA de civis e policiais poderia ser mais elaborada;
Compromete, em vários momentos, a identidade do jogo.

Need for Speed: Most Wanted  Electronic Arts  PS Vita  Nota: 7.5

Revisão: José Carlos Alves
Capa: Diego Migueis
Gustavo Dourado é estudante do Ensino Médio e fissurado por tecnologia e games. Adora animações e quadrinhos japoneses, além de filmes de todas as partes do mundo. Ama RPGs, sejam eles de mesa ou digitais e desafia qualquer game que lhe desperta algum interesse.

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