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Análise: Abyss Odyssey Extended Dream Edition (PS4) te convida a explorar o abismo mais uma vez

Retorne mais uma vez ao abismo e procure riqueza e desafios.

Abyss Odyssey: Extended Dream Edition (PS4), é uma versão expandida de Abyss Odyssey, que foi lançado originalmente para PS3 em 2014. Na nova versão, além de gráficos melhorados e uma resolução de 1080p, o jogo conta com adições de multiplayer local e online e também um modo versus.

O jogo mostra a história de uma cidade do Chile enquanto é posta em ruínas pelo despertar de um “Bruxo” (Warlock em inglês) que foi selado nas masmorras do lugar. O problema é o seguinte: enquanto o Bruxo está despertando ele tem pesadelos terríveis que se materializam, e dão vida à várias criaturas que aterrorizam o lugar. Você é inesperadamente também um dos pesadelos e seu papel é o mesmo de sempre: desça os vários níveis do calabouço e ponha um fim de uma vez por todas no bruxo.


Qualidade artística

O título busca raízes para sua arte no folclore Chileno, com isso, vários prédios, estátuas e cenários são baseados no Chile do século XIX. O design das localidades é muito atmosférico e até os menus tem uma forte inspiração folclórica, sendo extremamente temático. O próprio abismo tem uma excelente ambientação e o detalhismo nos cenários é visível. A direção artística de Abyss Odyssey é definitivamente um ponto a mais.

As “salas” dos calabouços e seus desafios também dão um quê a mais ao jogo. Há várias armadilhas, abismos e pulos que exigem certa habilidade do jogador. A mistura entre encontros de inimigos, armadilhas e a caça por tesouros dão uma ótima tensão: há sempre a duvida de se vale a pena arriscar a pele para pegar aquele baú brilhante ou se é melhor dar o fora e marcar um novo checkpoint.


Jogabilidade truncada

Abyss Odyssey é basicamente um roguelike com elementos de dungeon crawler, ou seja: você deve explorar vários calabouços (o abismo) com inimigos e itens aleatórios, enquanto tenta encontrar a saída e derrotar o mal que assola o lugar. Enquanto se explora, é possível encontrar também artefatos que te dão a habilidade de se transformar em outros monstros, e isso dá uma dinamizada bem legal na jogabilidade, pois o personagem extra possui uma barra de vida e movimentos próprios.

Já que o jogo se baseia em um roguelike, espere morrer e morrer bastante. O título não conta com um tutorial muito bom, o que só dificulta tudo mais ainda. Você, o jogador, pode escolher dentre três personagens disponíveis para desbravar os calabouços, e obviamente, cada um tem sua própria classe de equipamentos e habilidades que os tornam únicos.



Pelo abismo ser sempre aleatório, o fato de que ao morrer você precisa voltar do início (ou de um ponto distante que você marcou) não influi bastante, sempre há algo para diferenciar a exploração, como novos tesouros e salas secretas para descobrir. Vale lembrar também que morrendo, seu personagem é trocado por um soldado, e você pode ser revivido em um dos altares espalhados pelos cenários. Se você falhar nisso, perde todos os equipamentos e volta apenas com o dinheiro e nível anterior. Ou seja, o jogo te dá uma chance de não "perder" seu progresso ao morrer.

A movimentação dos personagens pelo cenário é boa, o problema é nas animações do combate: o jogo parece incrivelmente robótico, as animações não são fluidas o suficiente e fazer combos é de um trabalho enorme. Não é que seja difícil, é ruim de entender. Os combos não são feitos a partir de sequências de botões (como em um jogo de luta ou hack'n slash), mas de uma forma diferente: você possui um botão de ataque e habilidade especial, e alternando entre eles, você faz realiza os combos. O problema é que os ataques e habilidades nunca se encaixam bem e o jogo passa a sensação de que você está fazendo algo errado. Que não pode ser só isso, entende? Acaba por ser um potencial perdido.

Para complicar o aprendizado, a inteligência artificial dos inimigos é altíssima logo no início do abismo. As primeiras salas de nível fácil já te dão muito trabalho, as de nível difícil então? Piorou. Para aprender a jogar direito e com o combate “estranho”, lá se vão muitas tentativas frustradas. Contudo, essa dificuldade pode te atrapalhar mais no início do jogo, até porque depois seu personagem estará mais forte e bem equipado para combater os perigos do abismo. Então apesar do início implacável, após algumas horas o título começa a dar o ar da sua graça.


Modo versus

No modo versus é possível jogar com qualquer personagem do jogo, incluindo inimigos. Aqui funciona da seguinte forma: sabe Smash Bros? Quase a mesma coisa. São até quatro personagens em uma pequena arena, e quem sobreviver ao embate vence. Para desbloquear novos personagens você deve jogar a campanha e é possível jogar também Online.

Esse modo é um pouco bagunça e pode trazer diversão entre amigos, mas por conta da jogabilidade travada, as lutas não são fluidas e não chega a ser nada de impressionante ou diferente.


Pra quem é recomendado?

Se você gosta de jogos que tenham um jeitão metroidvania e que possuam uma arte bacana, claro, recomendo. Só tenha em mente que o jogo possui seus problemas. Porém, se você é daqueles que não suporta quando o combate é travado e aleatoriedade incomoda, passe longe.

Abyss Odyssey: Extended Dream Edition é publicado pela Atlus e está disponível para PS4 na PSN.

Prós

  • Arte e cenários belíssimos;
  • Grande quantidade de personagens jogáveis;
  • Alto fator replay.

Contras

  • Combate robótico e travado;
  • Curva de aprendizado pode afastar jogadores;
  • Tutorial incompleto, ficando difícil entender as mecânicas.
Abyss Odyssey: Extended Dream Edition — PS4 — Nota: 5
Pedro Gusmão aprecia bons jogos independente de plataforma e gênero, mas tem um apreço especial por RPGs e jogos de estratégia. Aficionado por temas fantásticos, adora passar seu tempo livre escrevendo e enfrentando seres mitológicos em videogames.

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