Jogamos

Análise: The Walking Dead (PSN/PS3)

Não é de hoje que os seriados televisivos são uma febre mundial, mas poucos se destacam como The Wal... (por Rafael Becker em 01/12/12, via PlayStation Blast)

Não é de hoje que os seriados televisivos são uma febre mundial, mas poucos se destacam como The Walking Dead. A obra estadunidense conta a história de um grupo de pessoas tentando sobreviver em um mundo pós-apocalíptico, infestado por zumbis famintos por carne humana. O seriado é baseado nos quadrinhos de mesmo nome, do escritor Robert Kirkman. Tentando atrair os fãs da série para as comics, a Telltale Games lançou The Walking Dead, com um visual cartunesco, para os videogames.

O game, que tem o mesmo título do seriado e dos quadrinhos, possui uma história paralela a esses dois, consequentemente não mostrando as ações do ex-xerife Rick Grimes e dos seus seletos seguidores. Nele somos apresentados a Lee Everett, o qual você pode conhecer na nossa análise.

Um novo dia

Lee Everett
O começo da história de Lee Everett não é muito diferente da de Rick. Um pouco só talvez, já que Lee é um prisioneiro e Rick é um policial. Bem, sem perder o foco, Lee estava sendo levado à prisão por ter cometido homicídio, mas então o motorista da viatura perde a atenção e acaba por atropelar uma estranha criatura. O protagonista acorda inconsciente em uma mata e vê o policial caído a sua frente. Ele caminha até ele para ver se estava tudo bem, mas o homem já estava morto. Lee vê a oportunidade de se libertar, mas, quando vai pegar as chaves no cinto do policial, este o agarra e tenta matá-lo. Mas como se ele já estava morto? Rapidamente Everett pega uma arma e atira na cabeça do já considerado zumbi. Ainda um pouco confuso, Lee se levanta e vê uma horda de errantes vindo atrás dele. Ele foge e acaba indo parar no quintal de uma casa, onde conhece Clementine, que seria a sua companheira e protegida dali para frente.


Lee e Clementine possuem uma relação muito boa para quem se conheceu de uma forma tão assustadora e confusa. Nos cinco capítulos de The Walking Dead, essa relação vai se tornando cada vez mais forte, como de pai e filha, e Lee se mostra capaz de fazer qualquer coisa para manter Clementine viva. Até mesmo se isso significar enfrentar os vivos ao invés dos mortos. Certamente, o ponto mais forte da saga está na história e nas decisões que o jogador toma para manter o seu pequeno grupo de sobreviventes a salvo em um mundo irreconhecível.

Mira aqui, mira lá

The Walking Dead traz uma jogabilidade um tanto quanto inusitada e escassa: a point-and-click. O exemplo mais comum disso e que todo mundo deve conhecer é The Sims, em que devemos usar um ponteiro para realizar ações para os nossos personagens. O título da Telltale Games usa o mesmo princípio, de uma forma bem fácil de entender. Usamos o analógico direito do controle para controlar o ponteiro e cada botão principal (xis, círculo, quadrado e triângulo) realiza uma ação, dependendo do momento. Na maioria das vezes, o triângulo serve para observar coisas, xis para abrir portas e círculo para atirar ou bater em algo. Além do ponteiro, também somos livres para movimentar Lee em algumas partes, principalmente nas de investigação de alguma sala. Os botões principais também são usados para responder perguntas ou dar ordens a alguém.


Cuidado com o que diz


Sim, tome cuidado, pois cada coisa que você for falar em The Walking Dead terá uma consequência diferente. Você pode escolher por ser agressivo, calmo, líder ou racional. Os membros do seu grupo poderão concordar ou não com as suas escolhas, e isso lhe dará também diferentes formas de tratamento dentro dele. E não são só as falas que são vistas com concordância ou não, mas as ações também. Em diversas ocasiões devemos decidir em questões de segundos por salvar uma outra pessoa de um zumbi, a melhor maneira de escapar de uma horda ou a quem dar a sua última barrinha de cereais. A Telltale nos pôs frente a um dos títulos em que tudo o que você faz sofrerá uma reação boa ou ruim, o que é importado perfeitamente de um capítulo para outro.

Um jogo (quase) perfeito

A PlayStation Network oferece jogos de baixo custo (a maioria) e que nos proporcionam muita diversão. Feita a devida conversão, todos os capítulos de The Walking Dead saem por menos de R$ 50,00 e nos dão cerca de dez horas só de história, enquanto alguns outros não tem nem um terço disso. O visual do jogo é realmente bonito, apesar das controvérsias por parte da crítica. Até agora só foram citados pontos positivos, mas é bom destacarmos também alguns negativos para não parecer que TWD é um jogo perfeito. Em várias partes da história, é possível que você encontre defeitos de programação realmente grotescos, como quando uma pessoa vai abraçar a outra e elas se atravessam. No quarto capítulo, diversos jogadores tiveram problemas com os seus saves e até chegaram a perdê-los momentaneamente, até a Telltale lançar um patch junto com o quinto e último capítulo.


Quem comprou o Season Pass de The Walking Dead também teve motivos para ter frustrações. A promessa da Telltale era de que seria lançado um capítulo por mês e, fazendo as contas, era para a saga ter terminado em agosto, mas isso só ocorreu no final de novembro. Já há a promessa de uma segunda temporada e esperamos é que a empresa seja responsável e respeitosa com os jogadores. Se vale a pena o investimento? Sim, muito. Mesmo se você não é fã do seriado ou dos quadrinhos, experimente comprar pelo menos o primeiro episódio de The Walking Dead, que sai por cinco dólares. Se você precisa de mais um motivo, bem, o título está concorrendo como o melhor jogo de 2012 no Video Game Awards, e todos sabem como é difícil ser sequer mencionado na premiação.

Prós

  • São os jogadores que constroem a narrativa de The Walking Dead;
  • Há diferentes reações para diferentes ações;
  • A dublagem quase não peca;
  • Enredo fortíssimo;
  • A história é consideravelmente longa, porém não é cansativa.

Contras

  • Uma certa quantidade de bugs e glitches;
  • Diversos atrasos quanto ao lançamento dos capítulos;
  • Muitos loadings;
  • Legendas dessincronizadas durante várias vezes.
The Walking Dead - PlayStation Network - Nota final: 9.5
Visual: 9.5  |  Som: 9.0  |  Jogabilidade: 9.5  |  Diversão: 10
Revisão: José Carlos Alves 
Rafael Becker é gaúcho de Porto Alegre e formado em Técnico de Informática pela Escola Alcides Maya. É super eclético em relação a músicas e videogames e é fã de Game of Thrones e sitcoms estadunidenses. Você pode contatá-lo acessando seu perfil no Facebook.

Comentários

Fórum
Google+
Facebook


Últimas do Fórum

Ver mais

No Facebook

Ver mais