Blast from the Past

Blast from the Past: Dragon Ball Z: Legends (PS)

Sabe aqueles jogos que lhe fazem olhar para trás e sentir orgulho de tê-los jogado algum dia? Pois é, Dragon Ball Z: Legends é definitiv... (por Rayner Lacerda em 22/03/2013, via PlayStation Blast)

Sabe aqueles jogos que lhe fazem olhar para trás e sentir orgulho de tê-los jogado algum dia? Pois é, Dragon Ball Z: Legends é definitivamente um desses games. Apesar de controverso e até mesmo polêmico, o fato é que ele tem espaço garantido no coração de muitos fãs do Goku, principalmente por suas mecânicas muito diferentes do habitual, seu design retrô e a abrangência do seu modo história. Esse com certeza fez parte da minha história. Se você, assim como eu, teve bons momentos ao lado desse exótico título, não deixe de conferir nossa matéria.

Lembro como se fosse hoje: eu estava super animado após ter ganhado o meu PlayStation e não via a hora de comprar o meu primeiro jogo. Acostumado com o meu velho companheiro SNES, eu não conhecia muito sobre o novo console, nem sobre seus jogos. Chegando à loja, me deparo com trocentos CDs e uma dúvida colossal: qual jogo escolher?


Naquela época, meados de 1998, eu ainda não conhecia Dragon Ball. Não sabia o que era um Sayajin e o nome Goku não despertava nada em mim. Porém, aqueles guerreiros na capa do jogo me fizeram sentir alguma coisa inexplicável, pois, mesmo em meio aos protestos do meu tio, acabei escolhendo-o como o primeiro jogo de minha coleção.

Dragon Ball Z: Legends foi lançado para Sega Saturn e para o nosso querido PlayStation em 1996. Na época, a Bandai estava começando a se aventurar pela franquia, testando novas mecânicas e modos de jogar. Costumo pensar que, por bem ou por mal, Legends foi um grande experimento.

História completa

Um dos primeiros motivos que tornavam Legends um jogo especial era a sua abrangência. Você percorria toda a Saga Z, de Radits a Boo. Naquele tempo, isso era algo realmente grande em um jogo de luta. Acho que o mais legal de tudo era poder acompanhar o desenvolvimento dos personagens ao longo da história. Começávamos com um Goku “normal” e íamos até a transformação em Super Sayajin 3.


Nem preciso dizer que isso era um prato cheio para os fãs da franquia, que sempre foram apaixonados pelo enredo. Você acompanhava a história de Vegeta e Nappa pela TV Bandeirantes e depois podia ligar o console para fazer parte da aventura.

Ainda lembro com carinho da primeira vez que fui desbravando o modo história. Como ainda não conhecia o desenho (relevem, era 1998) eu achava alguns personagens muito estranhos, e dava meus próprios nomes a eles. Foi assim que Freeza virou o “lagartixa” e os Super Sayajins eram conhecidos como “loiros cabeludos”.

Foi só em meados de 2002, onde, além de bem mais velho, eu já acompanhava a série e lia revistas a respeito, que eu voltei ao jogo e pude realmente aproveitá-lo em toda a sua glória. E o melhor de tudo era que se você fizesse os mesmos eventos vistos no desenho, no jogo, conseguia desbloquear um novo final. Descobri com muita alegria que se você deixasse o Kuririn morrer na batalha de Freeza, o Goku se transformava em Super Sayajin, assim como na versão animada. Esse foi definitivamente um jogo que fez história para mim, gostava tanto que eu devo ter finalizado umas quatro vezes.

Estilo de luta diferente

A característica mais importante de Dragon Ball Z: Legends não era o seu modo história abrangente, mas sim a sua mecânica de luta. Mesmo na época em que o jogo foi lançado, todos estavam acostumados com o estilo tradicional de batalhas: dois botões para soco, dois para chute, combinações para golpes especiais e a possibilidade de efetuá-los ao longo das lutas.

Legends não era assim. Dependendo do momento, você podia lutar com até três personagens, e ainda que pudesse alternar entre eles a qualquer momento, você podia controlar apenas um por vez. Os controles eram simples: um botão para soltar bolas de Ki, um para realizar ataques físicos, outro para concentrar o ki e um para defesa.


O grande destaque ficava para a barra no centro inferior da tela. Era ela que decidia o rumo da luta, mudando conforme você batia e/ou apanhava. Se a cor azul tomasse o espaço da vermelha, você ganhava um round. Se fosse o contrário, você perdia. Por ganhar um round, entenda: uma finalização com um golpe especial. Isso mesmo. Você não podia soltar aquele Kamehameha maneiro a qualquer momento, antes disso você precisava lutar até a sua barra estar completa.

Nem preciso dizer que esse estilo pouco ortodoxo causou alvoroço, já que ia na contramão das lutas habituais. Eu demorei um pouco a me acostumar com ele, mas depois de um tempo, você aprende a gostar e bolar estratégias para vencer. É claro que era frustrante não poder executar os golpes especiais a qualquer momento, mas as animações deles valiam a espera. Quase todos os golpes especiais eram muito bem elaborados, fazendo frente aos da série animada. Isso sem falar que os combos davam a mesma sensação de poder que você via na TV.

É uma pena que a Bandai abandonou esse estilo de luta nos jogos posteriores. Acredito que o feedback do público não tenha sido muito favorável, já que, até hoje, a grande maioria prefere se sentir no controle daquela pancadaria desenfreada, podendo executar cada ação. Legends também tinha isso, mas de forma indireta e, nem por isso, menos divertida.

Remake de peso

Não sei vocês, mas para mim os jogos sobre Dragon Ball estão estagnados. A mecânica de luta que funcionou brilhantemente nos primeiros jogos, já está gasta (já estava na época do PS2). Ao invés de um jogo “mais do mesmo” com visual deslumbrante e toda aquela promessa de sempre, eu ficaria muito mais feliz com um remake de um título que deixou sua marca no nosso querido tijolão cinza.

E definitivamente podemos dizer que Dragon Ball Z: Legends fez isso. Com uma mecânica totalmente nova e original, história completa e um ritmo de jogo frenético, o título tem tudo para fazer sucesso hoje em dia. E você, leitor, o que acha? Vale a pena reviver as emoções desse jogo um tanto quanto exótico?

Revisão: José Carlos Alves
Rayner Lacerda é historiador, formado pela UFV. Eterno estudante e professor do mundo, se interessa por praticamente tudo, mas são os games a sua grande paixão. Tal fascínio o levou ao Blast, onde escreve atualmente. Encontre-o no Facebook

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