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Análise: The Walking Dead: Survival Instinct (PS3) é uma ofensa à saga de Robert Kirkman

Poucas vezes tive o desprazer de jogar jogos tão ruins como The Walking Dead: Survival Instinct . Não exagero, o título é uma total perda... (por Rafael Becker em 01/04/2013, via PlayStation Blast)

Poucas vezes tive o desprazer de jogar jogos tão ruins como The Walking Dead: Survival Instinct. Não exagero, o título é uma total perda de tempo mesmo. Quando foi anunciado que a Activision iria lançar um FPS baseado na série exibida pela AMC, as minhas expectativas foram grandes, principalmente quando fiquei sabendo que a história seria focada em Daryl e Merle Dixon. Porém, eu deveria saber desde o início que a Activision iria fazer um péssimo trabalho só para tentar ganhar dinheiro em cima do sucesso da franquia. Se você deseja saber o motivo de tamanha decepção, leia os aspectos de Survival Instinct abordados por nós nesta análise.

Eles eram somente irmãos

Daryl Dixon
Enquanto o The Walking Dead da Telltale Games foca em personagens nunca vistos anteriormente e possui uma ambientação baseada nas HQs, Survival Instinct volta-se para os irmãos Dixon e, obviamente, em situações vistas somente no seriado, como briga em bares e procura por suprimentos. Controlamos Daryl, o "queridinho" da série, e não é para menos, visto que ele evoluiu muito como personagem desde a primeira temporada. Na começo da história, vemos o protagonista caçando com amigos na floresta, quando o seu grupo é surpreendido por criaturas aparentemente mortas e famintas por carne humana. Após conseguir fugir do lugar com um amigo do pai, Daryl parte para o meio urbano em busca do seu irmão aprisionado, Merle.


Confesso que a história de TWDSI é bastante interessante, pois só com ela podemos aprender sobre o passado dos Dixon, como as reviravoltas que eles tiveram que enfrentar até chegarem em Atlanta e como Daryl conseguiu a sua besta. Porém, já aviso que o final é simplesmente ridículo, uma blasfêmia com quem teve a ousadia de jogar esse game até o final. Bem, mas era algo de se esperar de uma empresa que pouco liga para o enredo e só pensa em qual será o próximo DLC que ela lançará. A Terminal Reality também não se safa: para quem não se lembra, foi ela a responsável por Kinect Star Wars. Fico imaginando a Activision e a Terminal combinando como estragar com mais uma obra de arte, visto que ambas já fizeram isso anteriormente.

Quem sabe mais alguns anos

O que falar dessa deformidade?
Não vou mentir, a premissa de The Walking Dead: Survival Instinct é realmente muito boa. Hoje em dia nós só vemos mais e mais shooters e, combinando essa fórmula com uma das "modinhas" televisivas, o sucesso seria avassalador. Mas só cegos não viram que o título foi totalmente feito às pressas. Duvido que ele tenha tido mais de um ano e meio de desenvolvimento, enquanto os jogos realmente bons que vemos por aí têm, no mínimo, três anos de modelagem. A textura e o visual são porcos, os efeitos sonoros não são nem um pouco empolgantes e a inteligência artificial dos zumbis é ridícula. Há partes na história, como uma missão em um hospital, em que você vê a tentativa da Terminal Reality em ter criado um survival horror. Eu realmente fiquei um pouco tenso em algumas partes, mas isso é só uma vez ou outra, enquanto deveria ser em todo ele.

Capa bonitinha, mas não dá para dizer o mesmo do game
"Olha minha cara de quem gostou
desse jogo"
Há também outras tentativas de fazer algo bom, mas que não deram muito certo. Uma delas é a pouca imersão do seu grupo. Conforme você vai passando pelas missões, ocasionalmente você pode encontrar algum sobrevivente e esse irá lhe pedir algum favor. Se você completá-lo, ele entrará para o seu grupo. No início eu pensei que eles (os outros sobreviventes) poderiam ser nossos companheiros durante a jogatina, até mesmo podendo ser controlados por outro jogador. Mas o que eles fazem é buscar recursos que nós pedimos, como gasolina ou comida, no início de cada missão. Falando em gasolina, antes de botarmos o pé na estrada podemos escolher de que forma chegaremos a tal localidade: por atalhos, ruas ou estradas. Cada uma consome certa quantidade de combustível e certa possibilidade de achar recursos. Porém, as ruas em que paramos são praticamente a mesma coisa e são também muito fáceis.

Como vocês podem ver, a proposta de The Walking Dead: Survival Instinct é excelente, mas ele deveria ter pelo menos o dobro da produção que recebeu. A versão da Telltale Games tinha menos expectativas e acabou sendo eleito por diversas premiações como o "Jogo do Ano" de 2012. Então, o que deu de errado com Survival Instinct? A afobação da Activision e da Terminal Reality em ganhar dinheiro.

Finish Him!

Já acabamos com essa tentativa falha de reproduzir TWD, mas ainda precisamos dar o Fatality. 

Ainda não disse que o jogador muitas vezes irá acabar se perdendo em objetivos porque a orientação do título é péssima. Há somente a existência de uma bússola que fica apontando para onde você deve ir, e muitas vezes ela é imprecisa e acaba lhe desorientando, enquanto deveria fazer o contrário. Houve uma parte em que eu precisava coletar uma chave do corpo de um morto e fiquei uns cinco minutos procurando-a. É disso que estou falando, dessa falta de equilíbrio e fuga dos tradicionais mapas e radares, o que acabou ocasionando em uma bússola. Sim, que porcaria.

"Zumbi? Larguei, agora sou um passáro"
O inventário de Daryl também é um lixo: você pode carregar somente dez itens (e a munição e comida estão inclusos) consigo enquanto o restante deve ser armazenado no seu carro. Para trocar de arma, você deve ficar apertando triângulo até chegar na desejada, mas até conseguir isso já terá um grupo de mortos-vivos em cima de você. Se por engano você acabou passando da arma que queria, vai ter que passar por todas novamente.

Note como todos os zumbis ficam praticamente na mesma posição
Para terminar o nosso apedrejamento, vamos falar do combate. Se comparado com a série e os quadrinhos, ele é bem realista, pois você só mata zumbis acertando-os na cabeça. Mas se você está com uma faca, que é um dos itens mais utilizados no jogo, são necessárias quatro facadas para acabar com o inimigo, e ele sequer irá tentar reagir (aí entra o problema da IA que falamos anteriormente). E também é cômica a forma como eles caem para trás quando são mortos: retos e duros. Falando em zumbis já mortos, prepare-se para ver um festival deles iguaizinhos uns aos outros, e dezsegundos após você ter acabado com eles um truque de mágica irá fazer com que desapareçam misteriosamente.
Então, você gosta de survival horror, correto? Siga o meu conselho: guarde o seu dinheirinho até o dia 14 de junho e compre um verdadeiro título do gênero: The Last of Us. Survival Instinct não vale nem um centavo seu, pode confiar em mim. O início do game pode ser bem agradável, mas depois você jogará uma hora e nunca mais irá querer tocá-lo novamente. Há rumores de que o jogo é tão ruim que o PlayStation 3 se recusa a lê-lo.

Prós

  • Possibilidade de conhecer o passado dos irmãos Dixon;
  • Dublagem feita por Norman Reedus e Michael Rooker;
  • Dispare uma arma e aguarde uma horda vir atrás de você;
  • Só se mata zumbis acertando na cabeça.

Contras

  • Visual (gráficos e textura) muito mal trabalhados;
  • Zumbis mais ignorantes do que deveriam ser;
  • Bugs que atrapalham a experiência;
  • Poucas mudanças na jogatina, que se resume em terminar um objetivo e fugir de uma horda;
  • Falta de um mapa/radar, já que a bússola muitas vezes é imprecisa;
  • Inventário muito mal organizado;
  • Ausência de um modo cooperativo, que poderia fazer toda a diferença em diversos momentos;
  • Efeitos sonoros fracos.
The Walking Dead: Survival Instinct - PlayStation 3 - Nota: 3.0
Revisão: José Carlos Alves 
Rafael Becker é gaúcho de Porto Alegre e formado em Técnico de Informática pela Escola Alcides Maya. É super eclético em relação a músicas e videogames e é fã de Game of Thrones e sitcoms estadunidenses. Você pode contatá-lo acessando seu perfil no Facebook.

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