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Análise: Corra que o alienígena vem aí em Bit. Trip Presents Runner 2: Future Legend of Rhythm Alien (PS3)

Correr dos seus problemas nunca é a melhor solução, já dizia a minha avó. O ideal é enfrentar o que você deve enfrentar. Não importa com... (por Rodrigo Bitencourt em 11/09/2013, via PlayStation Blast)

Correr dos seus problemas nunca é a melhor solução, já dizia a minha avó. O ideal é enfrentar o que você deve enfrentar. Não importa como, quando, onde, e nem que as suas chances sejam mínimas. Fugir não é uma opção e reagir é uma obrigação. E é isso que você deve fazer no papel de Commander Video em Bit. Trip Presents Runner 2: Future Legend of Rhythm Alien (nossa, não havia um título mais longo que esse, não?). Você deve correr, correr muito, não dos seus problemas, mas sim em direção a eles.

Primeiros passos 

Para quem não percebeu, no meio do imenso título do jogo, que a gente vai chamar de apenas Runner 2 daqui para frente por motivos óbvios, tem um número dois. Sim, amigos leitores, ele se trata de uma sequência, é a continuação de Bit. Trip Runner, lançado em 2010 pela desenvolvedora Gaijin. Um jogo de plataforma, no mínimo curioso, com gráficos que seguiam uma direção de arte rústica, numa pegada mais 8-bits. Três anos depois, no começo de 2013, estamos de volta ao mundo de Bit. Trip, agora com Runner 2. Só que muito mais bonito, viciante, sonoro e veloz.
Nosso herói e seus amigos 








Logo no começo do jogo, somos apresentados ao protagonista alienígena, Commander Video, e seu grupo de amigos, que viajam tranquilamente pelo espaço. Até que, do nada, um raio surge em direção ao pequeno grupo. Commander, como o bom herói que é, se sacrifica pela turma, mas inexplicavelmente não morre e é levado até outra dimensão. E é aí que nossa aventura começa. Ah, sim, essa não seria uma análise completa se não mencionássemos que o narrador do jogo é o Charles Martinet, o mesmo dublador daquele famoso encanador da Nintendo, o Mario. Épico, não é mesmo?

Apesar do enredo divertido, a excelente narração e as animações convincentes, a história não é a grande estrela aqui. Muitas vezes eu mesmo me peguei pulando as cutscenes, visto que assisti-las, pra mim, é quase um ato religioso, mas que às vezes exige paciência (Metal Gear Solid que o diga). Não que a história seja ruim em Runner 2, longe disso, mas é que o gameplay é tão viciante que você mal vai poder esperar para começar a próxima fase.
E a nossa corrida acaba de começar ...

Linha de largada 

O jogo começa muito simples: você tem que ir do ponto A ao ponto B, evitando os inimigos de uma maneira clássica ou seja, pulando, e durante o trajeto deve coletar o maior número possível de barras de ouro e cruzes vermelhas que servem como power ups. Simples e inofensivo, correto? Errado. Runner 2 é um daqueles jogos hipnóticos que começam simples e possuem uma boa curva de aprendizagem. A cada nova fase você aprende algo novo sobre ele. E é esse algo novo que vai fazer você jogar ele por horas.

Você deve estar se perguntando onde entra no jogo a parte do “futura lenda do ritmo alien” do título. É aí que temos mais um ingrediente do efeito viciante e hipnótico do jogo. Conforme você coleta as barras de ouro, itens, ou desvia dos inimigos, pequenos sons são ativados. E esses sons entram em total sincronia com a trilha sonora do game. Então, além de toda a correria, você ainda tem tempo pra deixar a música mais animada de acordo com o seu progresso.
Lindos gráficos e uma trilha sonora de outro mundo tornam o jogo hipnótico 
Ainda sobre o fator vício, em Runner 2 não há vidas ou continues. Toda vez que você bater em algum objeto, o seu personagem vai voltar para a linha de largada da fase ou para o checkpoint. Cada fase possui pelo menos um checkpoint. Esse pequeno detalhe na jogabilidade cria a possibilidade de “segundas chances” infinitas. E é isso que estimula a superação dos desafios impostos pelas fases. Quando você voltar para onde começou, já vai saber onde falhou e poderá então ter sucesso dessa vez.

OK, já comentamos sobre como você vai ficar viciado a partir do momento em que começar a jogar Runner 2, ressaltando a música e os desafios. Mas ainda faltou um detalhe, se você é do tipo de jogador que adora caçar colecionáveis, então vai adorar o jogo. Algumas fases escondem pequenos baús que liberam novas roupas e também novos personagens. Isso mesmo, não é necessário ser o Commander Video o tempo inteiro. Tem até um personagem que é uma espécie de metade homem, metade peixe. Mas se você não quer ter pesadelos durante a noite para o resto de sua vida, aconselho a nem desbloquear essa criatura. Sério.

Fator replay 

Não é só o título do jogo que é grande, mas a quantidade de fases que ele tem também. Dividido entre 5 mundos diferentes com lindos gráficos e paisagens atraentes, cada um com um número pertinente de fases, Runner 2 promete roubar muitas horas da sua vida. Isso se você estiver motivado a terminar o game e enfrentar os desafios que o aguardam.
As fases se tornam cada vez mais desafiadoras 
No começo ele pode parecer um pouco difícil, mas com o tempo os controles são de fácil memorização e o timing pode ser facilmente aprendido, ainda mais com o recurso sonoro que acompanha a sua excelente trilha. Mas para aqueles que estão achando a correria toda muito desafiadora, é possível escolher entre três dificuldades diferentes: fácil, normal e difícil. Pronto, todo mundo pode jogar, todo mundo fica feliz.

Aos perfeccionistas de plantão, em Runner 2 é preciso pegar todas as barras de ouro, power ups e no final da fase ainda ser arremessado por um canhão em um grande alvo. Se acertar em cheio no meio, com todos esses objetivos cumpridos, você acabou de terminar uma fase perfeitamente. Agora só é preciso fazer isso nos três diferentes modos de dificuldade e em todas as fases. Boa sorte.

Algumas vezes os estágios podem se tornar repetitivos demais para quem estiver encontrando dificuldades. Mas isso também é uma vantagem, pois para os mais persistentes é apenas mais um desafio a ser superado. E essa é a ideia em Runner 2, correr para superar seus maiores desafios.
...finalmente chegamos a linha de chegada e ao final da análise. 

Linha de chegada 

Bit. Trip Presents Runner 2: Future Legend of Rhythm Alien é o tipo de jogo hipnotizante e viciante que vai fazer você jogar por horas e horas a fio, e quando estiver cansado vai pensar em voz alta: “OK, só mais uma fase”. Com gráficos mais avançados do que o original e uma maior variedade de fases, com diferentes níveis de dificuldade, o jogo encanta pela sua excelente trilha sonora e jogabilidade.
A cada novo mundo, você vai aprender novas habilidades como pular, deslizar, chutar, dançar, vai fazer o que tiver que fazer para chegar ao objetivo final. O importante é continuar correndo, não dos seus problemas, mas em direção a eles, enfrentando-os. Runner 2 é um jogo tão bom que até lição de moral rendeu no final da sua análise.

Prós

  • Gráficos atraentes com lindas paisagens;
  • Trilha sonora excelente; 
  • Jogabilidade amigável; 
  • Altamente hipnótico e viciante. 

Contras

  • Algumas fases podem se tornar frustrantes;
  • A velocidade pode causar vertigem em alguns momentos.

Bit. Trip Presents Runner 2: Future Legend of Rhythm Alien - PS3 - Nota: 9.0 
Revisão: Leonardo Nazareth 
Capa: Daniel Machado 
Rodrigo Bitencourt atualmente joga videogame para escrever e escreve para jogar videogame. Entre um checkpoint ou outro você pode encontrá-lo no Facebook, Twitter e MyPST.

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