Blast from the Past

Relembre Tactics Ogre: Let Us Cling Together (PS), RPG tático que inovou o gênero

Com uma trama complexa e ótimos sistemas de jogo, Tactics Ogre é forte influência para títulos de estratégia até hoje.

Vários subgêneros existem dentro do RPG. Um destes é o RPG tático, cuja principal característica é comandar um grupo de personagens a fim de vencer inúmeras missões. Um dos representantes do gênero RPG tático foi Ogre Battle: The March of the Black Queen (SNES/PS), título que incluía também conceitos de estratégia em tempo real e evolução de personagens. Por conta de seu sucesso, era só uma questão de tempo para uma continuação ser produzida. Surpreendendo a todos, o sucessor de Ogre Battle era bem diferente. Tactics Ogre: Let Us Cling Together foi lançado em 1995 para SNES e não saiu do solo japonês. Em 1997 o jogo foi portado para o PlayStation e um ano depois localizado para o Ocidente. O título inaugurou um novo subgênero do RPG tático e foi influência para inúmeros outros jogos, sendo Final Fantasy Tactics (PS) o exemplo mais famoso.

Uma terra em constante confronto

Valeria é uma terra que tem uma história repleta de conflitos. Por mais de 80 anos, lutas e disputas foram travadas em seus territórios. Três principais grupos étnicos lutavam entre si: os Gargastan, que consistia em 70% da população de Valeria e sofria com vários conflitos e intrigas internas; os Bacrumese, que era a elite desse mundo e os Walstanian, minoria oprimida pelas outras duas facções. Um rei chamado Rodrick, com a ajuda de poderes que supostamente foram obtidos no inferno, dominava Valeria com dureza e crueldade. A paz só aconteceu após uma investida de um lorde Bacrumese de nome Dolgare. Ele destituiu Rodrick e governou Valeria com justiça, o que acabou com os conflitos.


Os irmãos Kachua e Denim
Infelizmente os tempos pacíficos não vingaram. Misteriosamente, toda a família real morreu em estranhos acidentes. Como o rei Dolgare não tinha descendentes, os três grupos de Valeria voltaram a lutar entre si, em busca da liderança. O confronto foi sangrento e muitos inocentes foram mortos. Denim Powell, Kachua Powell e Vice Bozeg são alguns dos poucos sobreviventes do massacre na região de Walstanian. Amigos desde a infância, o grupo viu suas famílias serem assassinadas brutalmente. Os três decidem se vingar e acabam envolvidos em questões muito mais sérias sobre o futuro de Valeria, em uma trama repleta de traição, sacrifício e reviravoltas.

Um xadrez complexo

Em Tactics Ogre o jogador controla um grupo de personagens em batalhas que se passam em um campo dividido em grade e de visão isométrica. Heróis e oponentes se enfrentam utilizando inúmeros tipos de armas — como espadas, lanças e cajados — , além de várias técnicas especiais e feitiços. O terreno é um ponto importante nos combates: cada um dos tipos de espaço têm características específicas, que afetam a capacidade de movimento, ataque e defesa das unidades. Por exemplo, um personagem equipado com um escudo pode empurrar um oponente de um penhasco. Além de receber uma grande quantidade de dano, esta unidade que caiu estará mais vulnerável aos ataques dos arqueiros. Conhecer o terreno é essencial para a vitória.


Existe grande flexibilidade ao montar um exército em Tactics Ogre. Os personagens têm várias classes a disposição para serem utilizadas: cavaleiro, mago, padre, arqueiro e muitas outras. As profissões são obtidas conforme a evolução das características dos guerreiros. Quer transformar um personagem em um ninja? Treine-o de tal maneira que ele obtenha muitos pontos de velocidade, que é o requisito básico dos assassinos das sombras. Algumas classes são exclusiva de certas raças e sexos, já outras dependem do alinhamento moral da unidade — que pode ser Lawful (justo), Neutral (neutro) e Chaos (caos). Por conta de tantos detalhes, é importante pensar com cuidado a evolução de cada membro do exército. Felizmente é possível contratar e treinar mercenários, o que facilita deixar uma unidade do jeito desejado.

Decisões difíceis

Além de administrar e treinar seu exército, o jogador tem outra tarefa: fazer as várias escolhas durante a história do jogo. Tactics Ogre conta com uma trama que se divide em vários pontos, de acordo com as decisões tomadas pelo protagonista Denim. As linhas de história se dividem como o alinhamento moral das unidades: Lawful, Neutral e Chaos. O destino de Denim está na mão do jogador. Quer que o protagonista se torne um tirano poderoso? Ou prefere que Denim seja um líder justo e leal? Basta fazer as escolhas corretas, mas esteja preparado para as consequências.


As opções são significativas e alteram completamente o enredo e, consequentemente, os personagens que podem ser recrutados e as missões. Por exemplo, em uma das linha da trama o personagem Vice Bozeg é aliado de Denim, já em outra ele é um poderoso oponente. Todas as escolhas estão balanceadas de tal maneira que não existe uma melhor que a outra. Um exemplo é a classe mais forte do jogo, que só fica disponível caso o jogador opte por um grande sacrifício. Para ver tudo o que o jogo tem a oferecer, é necessário passar por todas as linhas de história, o que torna alto o fator replay.
Tactics Ogre, às vezes, é confundido com outro título, lançado no Ocidente na mesma época: o popular Final Fantasy Tactics. Ambos os títulos apresentam várias semelhanças por terem sido produzidos praticamente pela mesma equipe. Outra curiosidade é o subtítulo: ele uma referência a canção "Teo Torriatte (Let Us Cling Together)" da banda Queen. O diretor Yasumi Matsuno é fã do grupo e decidiu fazer uma homenagem no título do jogo.

Um legado para o futuro

Tactics Ogre: Let Us Cling Together é lembrado até hoje como um dos títulos mais importantes do gênero de RPG tático. Os sistemas básicos de jogo inspiraram inúmeros títulos e até hoje é utilizado em novos lançamentos. Ele foi muito bem recebido pela crítica e público, mesmo que sua parte técnica tenha sido criticada. Por conta do lançamento limitado, a versão de PlayStation tornou-se rapidamente rara. Tactics Ogre recebeu um remake para PSP em 2011, contando com inúmeras alterações e novidades no sistema de jogo, que alteraram profundamente a jogabilidade. E vocês, tiveram a oportunidade de jogar este ótimo RPG tático?


Revisão: Marcos Silveira
Capa: Rafael Lam
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos.

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