Hands-on

Alien: Isolation (PS3/PS4) mostra o significado do termo survival horror

O senso de isloamento e terror permeia o jogo da SEGA que conta com uma excelente inteligência artifcial na forma de um alien indestrutível.


Pupilas dilatadas. Estado super-vigilante. Tremores no corpo. Adrenalina bombando. Assim estavam todos aqueles que se atreviam a entrar na metade do estande da SEGA que pertencia ao lado negro da força. Se de um lado a empresa promovia Sonic Boom: Shattered Crystals (3DS) e Rise of Lyric (Wii U) junto com todos os bonecos e artigos que seriam lançados para promover o desenho voltado par ao público infanto-juvenil, do outro a SEGA usava Alien: Isolation (Multi) para promover unicamente uma emoção: medo.


Causando medo para reconstruir o legado

Depois do fiasco que foi Alien: Colonial Marines (multi), produzido pela Gearbox, a franquia não precisava simplesmente de um jogo bom para se redimir, mas sim de um jogo excelente. Entretanto, parece que a SEGA soube o que fez quando deixou o pessoal da Creative Assembly trabalham com a franquia e, como resultado, pude experimentar o que, para mim, foi uma das melhores experiências da E3 2014.

Podemos definir medo como um fenômeno no qual o indivíduo sente receio ou fica incapacitado de realizar ações por se sentir ameaçado física ou psicologicamente, e é exatamente isso que Alien: Isolation tenta (e digo de antemão: consegue) fazer com o jogador. Para incrementar a imersividade, a SEGA dispôs de várias estruturas que simulavam cápsulas ou áreas da estação espacial de Alien. Elas eram completamente escuras em seu interior, sendo iluminadas apenas pelas luzes dos monitores que lá se encontravam e por outros diapositivos ou mesmo curto-circuitos e faíscas. Os fones de ouvido faziam um bom trabalho em remover todos os ruídos externos e gerar sons que nos fazia acreditar que estávamos dentro do jogo.

Prepare-se para morrer; morrer rápido e muito.

Sem tutorial, apenas um folheto contendo os comandos, colado ao lado da tela, o jogo lhe insere no modo challenge, no qual você deve escapar de uma seção da estação espacial enquanto evita (pois não dá pra simplesmente “combatê-lo”) do seu único e, como eu aprendi após muitas frustradas tentativas, imortal inimigo. Parece que toda a inteligência artificial de vários personagens foi condensada em uma única criatura cujo único objetivo é lhe matar. Com sensos aguçados, ela vai lhe ouvir correr, ela vai lhe ver se esconder… Não posso dizer com certeza, mas realista como estava, talvez até sinta seu cheiro.


É raro ver alguém passar mais que um minuto vivo na primeira tentativa. Mais raro ainda, é ver alguém conseguir passar a demo sem utilizar o sonar, que indica aonde está a criatura (um dos objetivos opcionais da missão). Na manhã do terceiro dia da feira, o demonstrador afirmou que, até então, ninguém tinha realizado tal feitio. Munido do sonar e o que mais conseguir achar pelos arredores, o que inclui um lança-chamas cujo combustível dura muito pouco, o jogador deve saber quando se mover ou não. Correr, só em último caso, já que a criatura consegue ouvir seus passos pesados no metal e o som característico que ele faz.
Segundo o sonar, ele está logo à sua frente, mas... cadê o Alien?

Pavor e ansiedade na luta (ou seria somente fuga?) pela sobrevivência

Não poder matar o inimigo e ser extremamente vulnerável a ele dá uma jogabilidade completamente nova para os FPS’s e, embora completamente diferentes, junto a Splatoon (Wii U), mostrou que o gênero dos shooters, que há tanto clamavam estar estagnado, ainda tem muito a oferecer. Extremamente viciante, talvez como consequência da adrenalina que o jogo proporciona, você leva sustos constantemente, morre em poucos minutos (quiçá até segundos), mas não consegue deixar de dizer: “vou tentar só mais uma vez”.


Do momento em que se coloca o pé pra fora da área na qual se inicia, já começa o terror psicológico: você sabe que o extraterrestre está ali, em algum lugar, e que ele irá lhe matar sem hesitar. Você puxa o sonar, mas rapidamente o esconde, com medo do som atrair a criatura. Você avista um vulto e se agacha debaixo da mesa. Silêncio. Você aproveita e segue em direção à próxima área. Você ouve barulho de algo vindo em sua direção e se esconde no armário. Pena que a criatura viu você se escondendo lá e abre o mesmo, pronta pra lhe atacar. Tirando proveito do lança chamas, você atiça fogo nela e aproveita para correr e abrir distância. Eis então que você se vê numa escadaria; o sonar apitando feito um louco, mas você não consegue avistar o Alien. Girando a câmera para todos os lados, não consegue avistá-lo. Pânico lhe toma por breves segundos, até que seu nêmesis cai sobre você, vindo dos tubos de ventilação que jaziam sobre sua cabeça.


Dando enfase no lado horror, pela primeira vez em um bom tempo

É esse nervosismo e medo, que em momentos chega a beirar a paranoia, que faz o título tão bom e atraente. Capaz de capturar muito bem tanto a essência da franquia quanto fazer jús à parte horror de survival horror, a qual games do gênero insistem em deixar de lado para enfatizar momentos de ação, Alien: Isolation consegue ser um dos melhores jogos presentes na feira e, fosse exclusivo de alguma plataforma, poderia ser considerado um baita system seller. Adicione uma curva de aprendizado ao menos um pouco suave para os jogadores novatos e mantenha esse clima de urgência e pavor na campanha principal que, em breve, todos esquecerão que Colonial Marines sequer existiu.



Revisão: José Carlos Alves
Capa: Leonardo Correia

Hugo H. Pereira cursa artes conceituais nos EUA e atua como ilustrador e redator no Blast. Quando não está colocando seus desenhos no Facebook, está gritando "Objection" por ai ou resolvendo enigmas com o Professor Layton.

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