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Análise: Destiny (PS3) traz uma via-láctea distópica e misteriosa para proteger

Um Viajante que traz o bem, a Treva que traz o mal e a guerra remanescente dos Guardiões contra aqueles que a habitam. Que o Destino guie o caminho!

Após a desvinculação dos estúdios Bungie com a Microsoft, que fora responsável por criar e desenvolver o universo de Halo, um novo projeto foi anunciado, mas desta vez sendo distribuído pela Activision. Este projeto era Destiny, um FPS (tiro em primeira pessoa) ao estilo de seu “irmão”, ou seja, com temática de ficção científica. Não precisou de muito tempo para que Destiny fosse um dos jogos mais aguardados e desejados deste ano, em meio a vários outros sucessos.


Destiny já chegou com seu sucesso consagrado vendendo pouco menos de meio milhão de cópias ainda na primeira semana. Os resultados, obviamente, mostraram-se promissores, até porque o jogo acabou por bater o recorde de game mais rentável da história, o que rendeu mais um sucesso para a Activision.

Mas será que o Destino realmente trouxe uma boa viagem pelo nosso sistema solar? Confira conosco, caro leitor!

A chegada do Viajante

A humanidade, como sempre o fez, buscava maior conhecimento sobre o universo afora, pesquisando e, futuramente, explorando. Após uma exploração em Marte, um enorme flutuante e redondo objeto foi encontrado. O desconhecido ser, ao que tudo indica inteligente, foi nomeado O Viajante, pelo longo histórico de passagens que revelou.
Trazendo a prosperidade, o Viajante possuía uma inimaginável sabedoria.
Espalhando prosperidade por onde passava, o Viajante aliou-se aos humanos para poder trazer um melhor desenvolvimento à raça. Nesse tempo, vários planetas foram explorados e habitados, fazendo com que tudo, desde tecnologia à vida per si, desenvolvesse-se de forma próspera. Tal era fora chamada de Era Dourada pelos humanos, durando centenas de anos. Contudo, onde há o bem, o mal estará à espreita.

O Viajante possuía um inimigo antigo que o perseguia por onde passava, espalhando o caos e a morte. Tal inimigo era chamado de A Treva. Devastando tudo por onde passava, a Treva sempre caçou o Viajante, mas ao contrário do que se mostra com o redondo aliado, não se sabe se é um ser inteligente.

Destruindo tudo por onde passava, a Treva finalmente chegou à Terra, o que fez com que seu destino não fosse diferente dos outros planetas. Contudo, o Viajante tomou a decisão de se sacrificar por seus pequenos companheiros, dando assim sua vida para ao menos afastar a Treva o máximo possível. Seu esforço foi grande, mas não o suficiente para salvar o planeta, e ao invés disso apenas uma cidade foi salva. A última cidade segura na Terra.

Agora, seu corpo permanece flutuando sobre a cidade, mesmo sem vida, fornecendo energia para os habitantes e para aqueles que podem utilizá-los como poder de batalha, para defendê-la.
Na Torre, é possível avistar o corpo do Viajante já sem vida.

Reacendendo a luz

Em Destiny, o jogador é colocado na pele de um Guardião, um guerreiro capaz de manipular a energia fornecida pelo corpo do Viajante, esta chamada de luz, que há muito havia caído, sendo que este fora reanimado por um Fantasma que estava à procura de seu próprio guerreiro. Ao encontrá-lo, o robô o revive e, sem muito tempo para explicações, ajuda-o a encontrar uma nave enquanto foge dos inimigos que o rastrearam. Conseguindo escapar, o Guardião é levado à Torre localizada na última cidade do planeta, esta que serve de habitação aos guerreiros.

Pequenos robôs atrelados a apenas um Guardião, os Fantamas foram criados com a ajuda do Viajante para este propósito. Eles possuem uma I.A. autossuficiente, servindo, segundo o grimório, de “apoio, biblioteca, antiga tecnologia ambulante e hacker”, podendo salvar a vida dos Guardiões e, em alguns casos, trazê-los de volta à vida.
Ao chegar, o guerreiro é apresentado à situação presente daqueles que resistem: Os Guardiões ainda estão lutando, o número de Fantasmas é limitado e, até onde se percebe, a Treva está se fortalecendo e, como se não bastasse, trouxe seres que se aproveitam dela para poder viver e espalhar suas hordas caóticas por nossa galáxia.

Agora cabe ao jogador tomar parte nesta luta para poder encontrar algum meio de afastar a Treva de uma vez por todas, enfrentando os seres e defendendo os planetas de nosso sistema.

A jornada ao Destino!


Destiny incorpora o sistema de MMO (Multijogador Online Massivo) com elementos de RPG, sendo um FPS com temática de ficção científica, assim como seu quase “irmão” Halo, que aliás acabou sendo mais que uma simples referência. O jogo, mesmo possuindo muitos comandos, fá-los de simples execução, sendo fáceis e acessíveis, sem que atrapalhem o jogador.

Por ser um MMO, o jogo possui ações de interação social, sendo poucas e um tanto inúteis, mas nada que atrapalhe a jogatina ou impeça que possa se comunicar com outros jogadores. O game também trabalha com sistema de classes, dando direito ao jogador de escolher entre três raças e classes distintas, sendo estas com suas devidas subclasses.

Dentre as raças disponíveis temos os Exos, seres inteligentes extremamentes semelhantes aos humanos que também lutam contra a Treva há tempos. Sua aparência metálica os fez serem assimulados com robôs, mas não o são. Despertos, humanos que tiveram sua aparência alterada após contato direto com a Treva. Se isolam em uma parte do sistema solar onde vivem em monarquia, não sendo muito amigáveis com seus antigos semelhantes.

Embora o sistema de raças esteja disponível, nenhuma delas possui um diferencial além de sua história de origem e aparência, o que não dá muitos motivos para que o jogador se importe com isso.
Embora crie o personagem, o jogador passará grande parte do tempo com o capacete que bloqueia a mostra do rosto.

Os feitos dos guerreiros

O sistema de classes é o verdadeiro diferencial que define o personagem, trazendo habilidades próprias com suas subclasses alternáveis. São elas:

Titã: Conhecidos como Titãs, os guerreiros foram responsáveis pela construção da muralha que protege a cidade, dando suas vidas até a finalização. Após a construção, ganharam títulos heroicos. Os Titãs abusam de força bruta, tendo como subclasse padrão o Combatente, sendo a classe mais agressiva. Sua segunda subclasse é o Defensor, que, como o próprio nome sugere, visa mais a defesa ao ataque.


Caçador: Antigos foras da lei, os caçadores são os atiradores de elite desta nova era de crise. Fazendo jus a seus títulos, os caçadores variam no foco de suas habilidades, sendo que o Pistoleiro foca em artilharia a longas distâncias, eo Dançarino Lacerante, este que foca no combate físico furtivo. Antes da crise eram dados como bandidos, fato que fora alterado com a queda do Viajante.


Arcano: Sábios estudiosos, os arcanos são aqueles que dedicam-se ao estudo e na masterização sobre os poderes dados pelo Viajante, ou seja, a luz, possuindo assim um enorme controle sobre a energia fazendo-os ainda mais mortais. Suas subclasses são o Andarilho do Vácuo, focando em ataques massivos que puxam e desintegram os inimigos, e o Heliomante, focando em habilidades que queimam e derretem os inimigos.


Embora todas as subclasses possuam habilidades únicas, que podem evoluir juntamente ao nível do personagem ou apenas derrotando inimigos, a maioria delas não passam de meras variações da mesma, alterando apenas o efeito e parte da animação envolta nela, o que tira um pouco a impressão de capricho para cada personagem.

As diferentes batalhas

No menu do jogo são mostrados os possíveis destinos do jogador, estando presentes as missões que o personagem poderá realizar em seus respectivos planetas. Ao selecionar uma, a nave do jogador o levará ao determinado local, enquanto o Fantasma dá os detalhes da missão e situação no decorrer do carregamento. Cada missão tem como limite até três jogadores, o que também dá direito a um sistema de chat de voz entre os companheiros (apenas). Ao descer nos planetas, o jogador estará livre para andar pelo mapa aberto, mesmo que tenha escolhido uma missão específica.
Mostrando a nave pessoal e os destinos possíveis, o jogo possui um menu trabalhado e simples.
Enquanto estiver em mapas abertos, o personagem cruzará com vários outros Guardiões, ou seja, jogadores, e inúmeros inimigos. O número de guardiões apenas se limitará à equipe caso o jogador tenha escolhido uma missão específica no menu do jogo, o que fará que, quando chegar ao local determinado no mapa, seja envolto por trevas e o nível dos inimigos saia do padrão ajustando-se aos dos membros da equipe ou da dificuldade selecionada. O ponto de ressurgimento dos personagens, ao adentrar nas trevas, fica limitado a um ponto de checagem específico que é feito automaticamente durante a missão.

Aqueles que habitam as trevas

O game trabalha com um sistema de hordas de inimigos. Não são intermináveis, mas realmente enormes, o que em adição à I.A. dos mesmos torna o jogo realmente difícil ou até mesmo insano, mesmo com a ajuda de companheiros. A inteligência artificial dos inimigos é realmente bem desenvolvida, não limitando-se apenas a tiros demasiados, mas também buscando cobertura quando sob fogo inimigo, aproveitando várias vezes das brechas deixadas pelo jogador.

Os inimigos não são muito variados, possuindo, até o momento, poucas espécies presentes, cada uma com seus tipos. Partindo de normais a brutamontes e bruxas com escudos adicionais e maior poder de fogo, eles conseguem dar uma boa dor de cabeça até mesmo aos mais experientes.
Prepare-se para os Cabais.
Algo a se considerar é o fato de alguns designs de Halo estarem presentes no jogo, como é o caso das armas dos Acólitos e dos Cavaleiros da Colmeia, que se assemelham muito com as presentes no exército dos Covenants, os alienígenas enfrentados por Master Chief (protagonista da franquia Halo) em alguns dos jogos.

Carregado e preparado

Em Destiny, cada personagem possui seu próprio inventário, acoplando seus equipamentos e itens de missão ou aqueles pegos no meio do caminho. A classificação dos equipamentos varia de comum, incomum, raro, lendário e exótico. Seu dano e efeitos especiais podem ser influenciados pelos aprimoramentos presentes, sendo que para aprimorar uma arma, assim como as habilidades, é necessário derrotar inimigos, servindo tanto para armaduras quanto para armas.

O personagem pode carregar até três armas distintas, sendo elas normal, especial e pesada. As normais são a principal arma do personagem, variando de metralhadoras automáticas a canhões de mão. As especiais possuem maior efeito e dano que as anteriores, podendo ser rifles especiais, snipers e até mesmo escopetas. Já as pesadas são as armas com maior dano, variando de metralhadoras de grosso calibre, muito semelhantes às Anti-Titan Weapons presentes em Titanfall, e lança-foguetes. Para serem equipadas, as armas requerem (ou não) um nível mínimo.
E que arsenal, caro leitor.
Um sistema de criação de itens também é presente, contudo diferentemente de outros jogos, o jogador não cria o item propriamente, mas sim o transforma. Em meio aos cenários é possível encontrar alguns itens chamados de engramas que podem ser transformados em armas ao levar a um NPC específico na Torre.

As competições do Crisol

Para poder premiar aqueles considerados os mais fortes dentre os Guardiões, foram criadas as competições do chamado Crisol. Baseando-se em diversas batalhas, sendo elas em diversas modalidades, como capture o campo, mata-mata, etc., os Guardiões têm suas habilidades medidas e são premiados com isso. Caso um Guardião se destaque o suficiente para receber uma boa quantia de moedas do Crisol, pode ser recompensado com armaduras de níveis avançados. Os Guardiões lá abatidos podem até morrer, contudo são, de fato, trazidos de volta pelos Fantasmas, já que o objetivo das competições é o treinamento em si.
O Crisol é dividido em duas equipes, cada uma com seis jogadores.
O Crisol é o local onde as batalhas de jogadores contra jogadores (PvP) ocorrem, trazendo as clássicas adrenalina e batalhas de jogos do gênero (MMO/FPS). Os mapas utilizados para as batalhas são próprios e variados, embora sejam escolhidos aleatoriamente pelo sistema, o que pode chatear quando se repetirem.

A natureza e suas forças

Os mapas de Destiny, por serem abertos e um tanto longos, são muito variados, passando por ruínas, laboratórios, cavernas, castelos, calabouços e outra enorme variedade de locais. Com a chegada da Treva, tudo que os humanos construíram foi devastado, contudo a natureza do próprio local conseguiu se reerguer, fazendo com que os cenários fiquem, de fato, hipnotizantes, principalmente pelos detalhes lá presentes.

Os mapas, mesmo que muito extensos, de modo que pardais e lanças — os veículos — se façam necessários, são um tanto curtos, sendo que, inevitavelmente o jogador passará pelo mapa por completo com o decorrer das missões no modo história. Caso o jogador queira percorrê-los apenas por curiosidade, perceberá que são curtos e limitados, embora muito detalhados.
Os pardais são bem rápidos e ajudam no transporte pelo mapa, embora faça-o parecer muito menor.
Acompanhado de espetaculares efeitos sonoros e, ao contrário do que fora apontado por muitos, uma boa dublagem, tanto nacional quanto norte-americana, Destiny possui uma trilha sonora própria que consegue impressionar, contando com a participação de ninguém menos que Paul McCartney na composição.

Um Destino belo, mas não perfeito

Embora tenha prometido muitas coisas, Destiny acabou tropeçando em alguns clássicos erros, tais como uma história contada de modo extremamente disperso, mesmo possuindo cutscenes, e algumas limitações de jogabilidade, algo clássico presente em inúmeros MMOs e que não o torna inferior.

O jogo possui, de fato, uma história extremamente bem trabalhada, algo que se pode facilmente deixar qualquer roteiro de filmes dados como blockbusters no chão. Contudo, para possuir detalhes e alguma coerência com os fatos apresentados no game, é necessário acessar um grimório externo, localizado no site oficial do jogo, onde uma coleção de cartas com as informações estão disponíveis, algo que, para fazer os jogadores se interessarem, ficaria muito melhor DENTRO DO PRÓPRIO JOGO!
O grimório acessível fora do jogo foi extremamente útil na construção dessa matéria!
A jogabilidade é realmente fluida, dando ao jogador diversas possibilidades de táticas e estratégias para derrotar as hordas inimigas sem ser abatido. Entretanto, caso o jogador possua ótimas táticas e habilidade para executá-las rapidamente, fazendo uso de todos os atributos do personagem, alguns slow downs podem ocorrer, o que, em caso de jogos do gênero, são fatais, compromentendo a jogatina, embora não sejam frequentes, mas causados pela limitação do próprio console.

Os gráficos são detalhados e muito bem trabalhados, mas possuem vários serrilhados constantemente presentes em vários locais, isso sem contar com o básico atraso na  renderização que o jogo apresenta quando se está em alta velocidade no jogo, mas isso de fato é algo que não tira o brilho do game.

O erro que, de fato, pode mais frustar se encontra no sistema de partidas do jogo, este que não possui praticamente equilíbrio algum ao encontrar jogadores para as competições do Crisol. Jogadores de nível cinco, por exemplo, são colocados contra jogadores de nível vinte, que é o máximo. Mesmo desativando os atributos ganhos com o nível, os personagens ainda possuem as defesas providas das armaduras e das armas, o que continua com uma desigualdade imensa, sem contar, claro, com a experiência do jogador.

As batalhas no Crisol são divertidas... até o desequilíbrio pesar na partida.
Um tiro no alvo, mas sem muita precisão

Devo confessar que não tive absolutamente nenhum interesse em Destiny até possuir a chance de jogar a versão beta do jogo, algo que fez com que a opinião que tinha fosse completamente alterada. Destiny prometeu muitas coisas e, de fato, cumpriu, contudo não do modo que agradasse a todos. O jogo possui uma história digna daqueles que criaram um universo tão grande quanto o prestigiado Halo, mas a forma que fora contada não o afastou muito do costume do gênero MMO, que não é lá muito famoso por histórias bem contadas, embora sejam muito bem construídas.

Contudo, um dos fatores mais negativos que o jogo possuiu até o momento não foi sequer um dos listados aqui, embora alguns frustrem muito, mas sim o fato de seu Season Pass, que dá acesso direto a futuras expansões que completam o jogo, possuir praticamente o mesmo valor do game completo, algo que realmente pode ser considerado um absurdo.

Mesmo com partidas desequilibradas e limitações causadas pelo próprio console, Destiny realmente é um jogo deveras divertido que, de fato, consegue dar à Bungie o devido crédito pela criação de, ao que rudemente chamo, uma obra de arte. Entretanto, isso acaba se limitando ao mercenarismo demasiado que atingiu o jogo com o preço elevadíssimo de seu Season Pass e seus conteúdos adicionais, já que, ao que tudo indica, não estão nem perto de serem poucos.

Prós

- Extremamente divertido e viciante;
- Abusa e até ultrapassa do poder do console;
- Trilha e efeitos sonoros que impressionam;
- Ambientação vasta e muito bem feita;
- Não é necessário possuir amigos ou sair à procura de outros jogadores para se divertir nas missões;
- História mutíssimo bem trabalhada…

Contras

- ...que infelizmente não foge do mal do gênero, sendo muito mal contada;
- Grimório, embora muito útil e bem feito, precisa ser acessado externamente;
- Desequilíbrio frustrante de partidas PvP;
- Season Pass com preço extremamente elevado, quase equivalendo ao jogo.

Destiny — Activision — PS3 — Nota: 8,5
Revisão: Vitor Tibério
Capa: Felipe Araujo 
Gustavo Dourado é estudante do Ensino Médio e fissurado por tecnologia e games. Adora animações e quadrinhos japoneses, além de filmes de todas as partes do mundo. Ama RPGs, sejam eles de mesa ou digitais e desafia qualquer game que lhe desperta algum interesse.

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