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Análise: One Piece: Unlimited World Red (PS3) faz uma homenagem aos 15 anos da série

Reviva diversos momentos épicos que acompanharam Luffy e seu bando durante suas viagens pelos mares atrás do One Piece.


One Piece é um manga publicado desde 1997 e posteriormente adaptado para a TV. A história segue as aventuras de Monkey D. Luffy, um garoto que tem um corpo com propriedades de borracha, cujo o sonho é se tornar o rei dos piratas. Para isso, ele juntou uma tripulação, que sob seu comando ganhou o nome de Piratas do Chapéu de Palha. A série faz enorme sucesso e, além de publicações semanais do manga e anime, originou diversos filmes e outros conteúdos, como livros, cds, jogos e brinquedos. E um dos mais de 30 jogos já lançados merece maior destaque. Isso porque o criador da série, Eiichiro Oda, participou de seu desenvolvimento em homenagem aos 15 anos da série animada. Assim chegamos a One Piece: Unlimited World Red, com uma história inédita que podia muito bem fazer parte de uma das sagas dessa longeva história.

Chegando a Tranquil Village

Logo ao começar a história, assistimos a um combate que não faz muito sentido. Aokiji e Smoker, dois poderosos oficiais da Marinha, estão atacando seus subordinados assim como outros soldados da Marinha sem piedade. Em seguida, somos introduzidos a um vilão misterioso conhecido como Red Count. Ele era um grande pirata no passado, que deveria estar trancado na prisão conhecida como Impel Down. Porém, conseguiu escapar e está de volta para causar o caos nos mares.
O enigmático Count Red entre Smoker e Aokiji. O que ele deseja?


Mudando o foco, somos levados à companhia do bando do Chapéu de Palha navegando tranquilamente. E conhecemos o guaxinim chamado Pato. Ele pediu ajuda ao grupo para deixá-lo em Tranquil Village, sua terra natal. Como todos acabaram se tornando amigos, a tripulação resolve descansar um pouco ao chegar no local. Cada um faz planos do que fazer e se separam logo ao chegar na terra firme.

Explorando a cidade

Nesse ponto você toma controle de Luffy, que quer explorar a nova cidade. Ele usa sua habilidade de esticar os braços para navegar entre prédios, viajando rapidamente entre os lugares. No começo é um pouco ruim acertar os pontos das edificações com a habilidade, mas logo se acostuma. É possível encontrar alguns itens no topo de das construções, como balões. Fora diversas pessoas simpáticas para conversar em seu caminho. Responder a elas pode render alguns itens ou objetivos secundários, como criar algo novo para a cidade.
Bem vindo a Tranquil Village!

Após vários pulos e conversas, você conhece Yadoya. Ela permite que Luffy e seus amigos durmam no local enquanto eles estão na ilha desde que ajudem os outros moradores. Porém, cadê o resto do pessoal? Pato corre ao encontro de Luffy para avisá-lo que sua tripulação foi sequestrada. Luffy se apressa para salvá-los, e assim começa a nova aventura dos Chapéus de Palha.

A primeira viagem

Você segue o guaxinim até seu navio, indo parar em outra ilha. Isso fica confuso porque o jogo dá a entender que você não saiu da ilha da cidade, já que que pela conversa dos personagens, você iria nos arredores da mesma ilha para salvar seus amigos. Mas isso tudo acaba ficando em segundo plano ao chegar no destino. Você está na ilha de Punk Hazard, que recentemente foi palco de uma aventura do grupo. Como fã da série, é bem legal rever os locais e refazer parte da história de One Piece. Aqui Luffy luta contra diversos inimigos genéricos dessa aventura, assim como o dragão gigante e o cientista Caesar Clown.
A primeira batalha mais complicada do jogo será contra Caesar e seu "bichinho de estimação"


Você retorna à cidade após vencer Caesar e resgata dois membros de sua tripulação. A partir desse ponto você pode alternar entre Luffy, o espadachim Zoro e o ciborgue Franky durante as missões. E Pato te introduz a outro evento referente a uma aventura passada do grupo, no reino desértico de Alabasta. A cada missão você vai liberando outros membros da tripulação e conhecendo mais da trama que o vilão Red Count armou para o grupo.
Crocodile é um dos vilões que você vai rever ao longo da história

A cidade e missões opcionais

Você pode parar para respirar e dar uma volta pela cidade antes de partir para o próximo capítulo da história. A partir desse ponto, é possível explorar a cidade de Tranquil Village e construir diversas melhorias para a cidade. A primeira delas é uma Taverna. A partir de lá você pode partir em missões opcionais que vão sendo liberadas ou compradas via DLC. Algumas são lutas contra criaturas gigantes ou até mesmo um acerto de contas contra um dos vilões de One Piece. Isso é bem legal de se rever.

Ao conversar com as pessoas ao redor da cidade após ter finalizado a taverna, você vai receber novas solicitações para melhorar o local. Restaurante, fábrica, farmácia... Todos têm alguma utilidade e facilitam sua vida ao venderem itens para lhe ajudar nas missões. As construções requerem recursos que você coleta ao realizar missões, então não é difícil conseguir erguê-las.

Equipe frases e trajes

Apesar de ser um jogo variando entre ação e aventura, elementos de RPG também foram adicionados. Os personagens ganham experiência após combates, e subir de nível aumenta seu poder de combate e de personalização. Essa pode ser feita alterando vestimentas dos personagens (algumas desbloqueáveis e outras via DLCs) ou então equipando frases.
Alguns exemplos de novos trajes: equipe Nami com uma colegial...


...ou com um traje de banho mais "ousado".
Por mais estranho que pareça, sim você equipa frases nos personagens. Elas são liberadas conforme se avança na aventura e joga mais com determinado personagem, e permite que eles executem novas ações (como cortar portões de aço ou cavar buracos), melhorar o personagem (como uma porcentagem fixa a mais para ataque, vida ou resistência a dano) ou então habilidades ativáveis como curar ou melhorar temporariamente alguém. Os personagens vão falar essa frase na hora caso seja uma habilidade para ser ativada.
Ao equipar a frase correta, Zoro poderá cortar barras de aço por exemplo.

Cenas bonitas porém devagares

Como em outros jogos baseados em animes, os gráficos são baseados em cell-shadding para tentar aproximar os modelos dos personagens em 3D de sua conhecida contraparte em 2D. Porém, o jogo aproveita pouco da capacidade do PS3. As texturas, às vezes, atrasam para ser atualizadas, dando um aspecto sujo e devagar ao jogo. Isso diminui a beleza gráfica dos cenários, que são reproduções fiéis de histórias do bando do Chapéu de Palha. A impressão que passa é que desenvolveram uma versão simplificada para ser aproveitada no PS Vita e apenas deram upscaling nas texturas.

Já sonoramente tudo é perfeito. Os dubladores originais do anime foram utilizados, assim como os temas musicais clássicos da série. Muitas vezes os personagens conversam entre si durante missões, dando um aspecto mais vivo a tudo.

Pronto para o combate

Se o modo história lhe parece um pouco devagar demais, sempre é possível jogar no modo Arena. Aqui você vai entrar em diversos modos de combate organizados por Don Quixote doFlamingo em seu Coliseu Corrida. Seguindo um pouco da história do anime, Luffy e seu mais recente aliado, Trafalgar Law, se unem para as diversas batalhas que acontecem aqui.
doFlamingo abriu novamente o Coliseu Corrida. O que ele fará dessa vez?

São diversos modos de disputa: Combates 1x1 contra figuras importantes de One Piece, combates contra hordas de inimigos genéricos, combates contra duplas de figuras importantes ou contra uma horda juntamente com alguém importante. Conforme você vai avançando e realizando algumas condições especiais, novos personagens são liberados para serem utilizados. Além da tripulação de Luffy, você irá poder utilizar outros personagens famosos, como a imperatriz pirata Boa Hancock, o espadachim Mihawk, entre outras diversas figuras liberadas aos poucos.
Transforme seus inimigos em pedra como a imperatriz Boa Hancock

Alguns bônus ganhos no coliseu são transferidos para o modo história, como itens e missões secundárias. Então vale a pena também explorar esse modo de jogo para adicionar mais coisas em sua aventura.
Sanji e Zoro serão seus rivais na arena.

De fã para fã

Existem outros atrativos ainda, como mini-games de pesca e captura de insetos. Ambos lembram jogos rítmicos como o recente Theatrhythm Final Fantasy: Curtain Call. Aperte botões no tempo e sequência para capturar seu alvo com sucesso. Também é possível dividir com um amigo a aventura, já que o jogo permite um segundo jogador ajudando nas missões. Mas como isso é apenas off-line, limita um pouco as possibilidades. Por último, a versão de PS3 conversa com a de PS Vita. Com isso, é possível transferir um jogo salvo de um para outro e continuar sua aventura mesmo longe de seu console.
Aperte os botões no tempo correto para conseguir fisgar o peixe!

One Piece: Unlimited World Red é um excelente jogo para fãs de One Piece. São tantas coisas revistas nessa história que fazem valer muito a pena sua aquisição. Porém, esse também é seu maior defeito. É tão focado na história do manga/anime que fica difícil fazer alguém que não goste de One Piece ter interesse pelo jogo. Se esse alguém deseja um jogo, seja de aventura, RPG, de construir cidades ou para lutar contra diversos inimigos ao mesmo tempo, não faltam opções na já extensa biblioteca do PlayStation 3.


Prós:
  • Reviva combates contra diversos vilões da série;
  • História escrita pelo criador da série especificamente para o jogo;
  • Diversas opções de customização de personagens;
  • Modo Arena permite jogar tanto com heróis quanto vilões da série.

Contras:
  • Controles não são precisos enquanto você navega pela cidade;
  • Gráficos abaixo do potencial;
  • Não há atrativos para quem não conhece One Piece;
  • Mobilidade limitada conforme missões.



One Piece: Unlimited World Red – nota 7.5

Revisão: Leonardo Nazareth
Capa: Diego Migueis
Vinicius Eleno é formado em Administração de Empresas pela USP, e mestre em cultura inútil pelas experiências de vida. Desde 1993 gosta de explorar o mundo dos games em seu tempo livre. Pode ser encontrado reclamando da vida no Facebook e Twitter.

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