Blast from the Past

Revisitamos Budokai 3 (PS2), um dos melhores jogos de Dragon Ball já feitos

Relembre toda a glória do último grande jogo que trouxe os guerreiros Z para arenas bidimensionais.

Dragon Ball Z é tido por muitos como o melhor anime de todos os tempos, e não é pra menos. A obra de Akira Toryama cativou milhões ao redor do globo e marcou a infância de milhares de crianças que levantavam as mãos em frente a TV para ajudar Goku contra seus inimigos. Pegando carona com essa popularidade, o desenho foi recriado diversas vezes nos videogames, alcançando seu auge, tanto em qualidade quanto em popularidade, na sexta geração. Aqui tivemos dois jogos que são considerados por muitos, incluindo esse que vos escreve, os melhores exemplares de não só como se recria um jogo de DBZ, como de animes em geral: Dragon Ball Z Budokai Tenkaichi 3 e Dragon Ball Z Budokai 3.

De A a Z… não pera, de Z a GT

Embora Budokai 3 tivesse menos personagens jogáveis que Tenkaichi 3, o elenco do jogo passava longe de ser escasso. Contando com uma infinidade de guerreiros Z, desde a saga da invasão dos sayajins até o confronto de Goku com o Dragão de Uma Estrela (Li Shenlong), todos os personagens importantes para a franquia, e alguns nem tanto, podiam ser selecionados. Essa diferença, que também advinha do fato do jogo não possuir personagens do Dragon Ball (à exceção da versão infantil de Goku), pode ser explicada por uma peculiaridade de Budokai: nenuma das diferentes formas alternativas dos personagens podia ser escolhida diretamente da tela de seleção.

Isso significa que caso você quisesse usar, por exemplo, Vegito, fusão de Goku e Vegeta por meio dos brincos Potara, você teria que escolher um deles e no meio da batalha realizar a transformação (que era executada por meio de um pequeno jogo de botões no qual seu adversário podia inclusive interrompê-la). Isso trazia uma complexidade única para o jogo, visto que, caso você quisesse utilizar as transformações mais poderosas (como a fusão já citada), você tinha que abrir mão de seu super ataque especial. Optou por isso e errou a fusão? Boa sorte no resto da luta.

A história que todos já conhecem 

Uma das limitações ao se criar um jogo baseado em anime é a de seguir a história da sua fonte original, salvo raras exceções como a aposta que foi Dragon Ball: Xenoverse. Logo, o objetivo ao escolher esse padrão tradicional de narrativa é tornar a experiência de revisitar uma história que todos já conhecem de forma fluida e não cansativa. Dragon Universe, o modo principal de Budokai 3, consegue fazer isso de forma perfeita.

Com uma espécie de mundo aberto, era possível visitar lugares conhecidos da franquia ao longo das quatro principais sagas do anime (Invasão Sayajin, Freeza, Cell e Majin Boo), e participar de todas as principais batalhas do desenho, as quais foram recriadas com perfeição. Mas somente isso não seria o suficiente para caracterizar esse modo como um dos melhores da franquia DBZ. Não bastasse seguir a linha de tempo principal original, também era possível participar de diversas lutas paralelas, revisitar regiões para jogar fases inspiradas em OVAs (como a luta contra o lendário super sayajin Broly) e até mesmo caçar as míticas Esferas do Dragão (para destravar itens dentro do jogo).

O último grande jogo 2D

Sim, caro leitor, caso você seja um pouco mais novo (e não tenha pego os áureos tempos da sexta geração), um jogo de luta da série DBZ pode lhe causar certa estranheza. O motivo é muito simples, Budokai 3 foi o último bom jogo a seguir esse padrão de luta, que passaria a ser substituído pelas arenas tridimensionais que temos nos mais recentes títulos. Mas engana-se quem pensa que por usar esse tipo de construção o jogo não recriava de forma satisfatória as lutas da franquia. A jogabilidade de Budokai 3 é, na verdade, o grande motivo pelo qual esse é tido como um dos melhores títulos da franquia.

Lembra das transformações citadas no começo desse texto? Pois bem, elas são um dos maiores diferenciais do título. Com a possibilidade de escolher entre uma série mais tradicional e menos arriscada de transformações (combinando elas com alguns super especiais) ou uma poderosa transformação, levando ao tudo ou nada, isso acrescentava uma camada de estratégia que pouquíssimos jogos de luta possuem e trazia momentos engraçados quando se jogava o título contra amigos (como aquele amigo que errava três vezes seguidas alguma das fusões).

Mas o que realmente importa em um jogo de Dragon Ball, caro leitor? A pancadaria, mas é claro! E esse era mais um quesito que Budokai 3 não decepcionava. Além dos clássicos combos de ataques básáicos e diversas explosões de energia, característica clássica da obra de Toriyama, tínhamos também o Dragon Rush, que era uma espécie de minigame onde o defensor deveria tentar adivinhar o botão pressionado pelo jogador na ofensiva (perdendo mais pontos de vida para cada erro), e os Ultimate Attacks. Ambos possuíam cutscenes muito bem feitas para a época, e tenho certeza que muitos aqui devem se lembrar de alguns Ultimate Attacks que eram até mesmo capazes de destruir uma boa parte da Terra (causando inclusive uma mudança no cenário após o término do especial).

Um dos maiores

Budokai 3 é definitivamente um dos maiores jogos da história de Dragon Ball nos consoles. Com uma jogabilidade praticamente perfeita e uma boa extensão de conteúdo, esse título não só é um marco para a história do anime, mas também para todos os jogos de luta. Enquanto não somos presenteados com um jogo 2D de Dragon Ball para os atuais consoles (para que possamos comparar com o modelo tridimensional amplamente usado hoje em dia), resta nos questionar: qual é melhor, Budokai ou Budokai Tenkaichi? Deixe sua opinião nos comentários!

Revisão: José Carlos Alves
Capa: João Pedro Meireles
João Pedro Meireles é graduando em Engenharia de Computação na UFRGS. Viciado em jogos, em especial Mobas e RTS, passou boa parte da vida jogando-os e pesquisando sobre aqueles que não teve tempo de jogar, o que o levou a virar redator do PlayStation Blast.

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