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Análise: Dragon Quest Heroes (PS3/PS4) é pura diversão e pancadaria

Musou da tradicional série de RPGs finalmente chegou, mas e aí, vale a pena?

Dragon Quest Heroes é a mais nova adição ao gênero musou que faz alusão a alguma outra série japonesa famosa e é produzido pela Omega Force, desenvolvedora com pedigree no gênero. Depois de One Piece, Gundam e The Legend of Zelda, agora está sendo a vez de Dragon Quest. O jogo chegou exclusivamente para PS3 e PS4 no dia 13 de outubro e, das várias horas que joguei, tenho apenas coisas boas a dizer.

Um Dragon Quest diferente

Dragon Quest é uma série de RPGs japoneses desenvolvidos e publicados pela Square Enix desde 1986 e que possui algumas características tradicionalistas, como grind excessivo, grande mapa de mundo, menus minimalistas, história simples e cativante, conteúdo vasto e mais várias outras coisas. Vale lembrar também que toda a arte da série é feita por Akira Toriyama, criador do mundialmente famoso Dragon Ball.

Dragon Quest Heroes vem então trazer uma nova visão da franquia ao tentar combinar todas essas características de um RPG tão tradicional com o musou, e o faz com maestria. Posso até dizer que o título está mais para um RPG de ação do que para um musou propriamente dito. Quero dizer, a estrutura do gênero está toda lá: disposição de inimigos, mapa característico e combate intuitivo, mas com a adição de missões paralelas (quests) e com uma história mais focada (ao invés de separada em várias histórias dependendo do personagem), fazendo o título realmente parecer algo diferente e mais “RPG”.


Antigos novos companheiros

Na introdução, o jogo começa mostrando um festival com monstros e humanos coexistindo tranquilamente, quando algo acontece e todos os monstros parecem ter suas mentes controladas, passando a atacar os humanos presentes na feira. Eis que então seus personagens principais e também capitães da guarda da cidade, Aurora e Luceus, percebem que o acontecido prejudicará os cidadãos e seu Rei e partem para encontrá-lo.

Ao encontrar o Rei Doric e defender a cidade, os heróis percebem então que este não será o último ataque dos monstros e decidem descobrir o motivo por trás de toda a mudança de atitude. O objetivo do grupo agora passa a ser salvar o mundo e reverter a situação dos monstros. Pelo caminho, você encontrará ainda personagens icônicos de outros Dragon Quests, como Bianca e Nera (Dragon Quest V), Princesa Alena, Kyril e Maya (Dragon Quest IV), Terry (Dragon Quest VI) e ainda alguns outros vilões da série, como Bjorn The Behemoose e Psaro the Manslayer.



Como de praxe no gênero musou, o combate é extremamente gratificante e bem fácil de domar: há os botões de ataque, pulo, esquiva, magias e especiais, todos bem dispostos pelo controle e sem muita complicação. A quantidade absurda de inimigos na tela é puro sinônimo de diversão. Um ponto forte e algo que realmente diversifica e reforça a parte RPG do jogo é o fato de se ter uma árvore de habilidades específicas de cada personagem, ou seja, dá para investir pontos em vida, mana, força, resistência e melhorar as magias do seu personagem.

Esse sistema, aliado aos níveis, dá uma ideia muito boa de progressão e ajuda bastante a diversificar a jogabilidade, sendo os personagens muito distintos entre si e igualmente divertidos de controlar. Para além disso, há também vários equipamentos com mudanças visuais que podem deixar seu personagem ainda mais diferenciado.


Aquele tal tradicionalismo

Dragon Quest Heroes conta com um sistema de missões paralelas (secundárias) que ajudam a dar um fôlego maior para o jogo, sendo algumas extremamente irritantes (muito grinding) e difíceis. Elas podem variar entre derrotar certo número de inimigos, conseguir certa quantidade de itens raros ou completar alguma missão especial. As recompensas geralmente deixam a desejar (mais materiais raros e muitas vezes apenas um) e as melhores aumentam a quantidade das bolsas de materiais e equipamentos, fazendo com que completá-las seja primordial perto do fim do jogo. Para mim, as missões foram uma adição legal, servindo mais como uma desculpa para jogar um pouco mais do que para conseguir alguns prêmios extras, já que a maioria deles não são lá muita coisa.
O mapa é bem grandinho e oferece vários desafios.


Há ainda cavernas extras em que você pode enfrentar versões mais fortes de chefes para abrir versões ainda mais fortes deles e ganhar recompensas melhores ainda. Para se ter uma ideia, são mais de 40 cavernas “secretas” que prometem o desafio certo para o grupo certo. Vale lembrar também que o jogo já conta com os DLCs gratuitos da versão japonesa, que incluíam ainda mais chefes (principalmente vilões antigos da série) e itens, garantindo um pouquinho mais de jogo para os fanáticos.

O grande e velho problema

Talvez o maior problema do jogo seja o modo com que os objetivos são dados nas missões, sendo sempre os mesmos: proteja uma raiz, proteja uma porta, proteja uma pessoa (ou várias), proteja qualquer coisa enquanto várias ondas de inimigos o cercam. Esse é um problema pelo simples fato de o jogo ser encapsulado e limitado a apenas a atividade de defender, enquanto poderíamos ter outros objetivos mais variados e criativos.

Contudo, apesar de o mesmo objetivo atrapalhar um pouco e poder até entediar alguns, o fato de que a própria jogabilidade é muito divertida minimiza bastante o efeito da repetição, fazendo com que você acabe nem se importando muito e aproveitando a pancadaria mesmo assim.


Recomendado?

Depende. Se você é fã de Dragon Quest e absolutamente adora o gênero musou, não precisa sequer pensar duas vezes, você precisa desse jogo. Ele é absolutamente relaxante e não possui pretensão alguma, é só ligar, pegar o controle e ir derrotando monstros indiscriminadamente, pura diversão. Mas se você é aquela pessoa que não gosta do gênero ou não é muito fã de jogos mais japoneses, pense duas vezes antes de jogar.

Com seus sistemas, Dragon Quest Heroes consegue mesclar e adicionar muitos conceitos bem legais da série de RPGs de forma clara e coesa, dando a sensação de que você realmente está jogando algum título da franquia. Como até disse para meus amigos, nunca foi tão divertido apertar quadrado.


Prós:

  • Árvore de habilidades;
  • Belíssimos gráficos em cel shading;
  • Jogabilidade divertida;
  • Fidelidade à franquia Dragon Quest;
  • Novos sistemas são um diferencial.

Contras:

  • Pouca variedade de objetivos causa muita repetitividade;
  • Não há modo multijogador online.
Dragon Quest Heroes — PS3/PS4 — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Vitor Tibério
Capa: Gabrielle Mustafa
Pedro Gusmão aprecia bons jogos independente de plataforma e gênero, mas tem um apreço especial por RPGs e jogos de estratégia. Aficionado por temas fantásticos, adora passar seu tempo livre escrevendo e enfrentando seres mitológicos em videogames.

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