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Análise: SUPERBEAT: XONiC (PS Vita) tem ótimo ritmo, mas erra algumas notas

Divertido, desafiador e com músicas agradáveis. Só faltou um modo multiplayer.


Não é nenhum segredo o quanto gosto da série DJMax, tanto que fiz um especial a respeito. Por isso, foi fácil me empolgar com SUPERBEAT: XONiC. A receita parecia perfeita. Os artistas já conhecidos da antiga série, como Planetboom e 3rd Coast, apareciam na lista de músicas e tudo foi desenvolvido pela antiga equipe responsável pela época de ouro do DJMax. Mesmo com alguns tropeços e escolhas ruins de design, esse é disparado o melhor jogo rítmico do PlayStation Vita.

As notas vindo do fundo só parece estranho nas primeiras partidas.

Familiar, mas diferente

Qualquer um que tenha jogado um game de música consegue entender como SUPERBEAT funciona. O objetivo é o mesmo: realizar os comandos na tela no tempo certo, alinhados com a melodia. Algumas notas pedem apenas um pequeno toque, outras demandam movimentos como movimentar os dedos pela tela seguindo a linha. Tocar uma nota no timing correto rende um Superbeat, que dá mais pontos, um pouco fora do momento para um obter um Good ou errar completamente. Ao tocar 50 notas, a barra de Fever é ativada automaticamente, aumentando os pontos recebidos.

Podemos jogar no modo 4TRAX, que utiliza apenas quatro linhas de notas; 6TRAX, com seis linhas; e 6TRAX FX, que adiciona o L e R. A qualidade do touchscreen do Vita combinada à boa programação feita pela Nurijoy torna as partidas muito mais prazerosas do que em DJMax Technika Tune, seu predecessor espiritual. Ao contrário do Technika, é possível jogar usando apenas os botões e analógicos, caso não seja fã de usar os dedos na tela. Se for um dos poucos donos do PlayStation TV, o jogo roda perfeitamente nele.

O World Tour é o "modo campanha". Algumas missões vão te dar vontade de jogar o Vita na parede.
São três modos de jogo: Stage Mode, World Tour e Free Style. No Stage Mode, escolhemos entre os modos 4TRAX, 6TRAX e 6TRAX FX para jogar três músicas. Dentro do Stage Mode está o Free Style, no qual podemos tocar as melodias que quisermos e manter o combo entre elas para conseguir o troféu de 99999 de combo. O World Tour é composto por fases que possuem algum tipo de missão: tocar 50 notas seguidas, errar menos de cinco vezes, ou completar uma música com as notas quase invisíveis, por exemplo.

Cada música dá uma quantidade de experiência usada para passar de nível e desbloquear novas músicas, avatares ou efeitos sonoros. Os efeitos são o som feito cada vez que tocamos uma nota — pode ser o som de um DJ fazendo um scratch, uma shotgun atirando ou um peido. Já os avatares fornecem algum tipo de bônus quando equipados, como bônus de EXP ou tocar marcar uma nota perdida como Good.

A combinação dos efeitos dos avatares, a facilidade para desbloquear músicas e avatares e a avaliação mais branda tornam SUPERBEAT mais acessível para novatos. Foi uma boa escolha, na contramão dos saltos absurdos de dificuldade que encontramos no gênero. Fazer 100% nas músicas iniciais é fácil e dá aquela satisfação de estar progredindo.

Até Guilty Gear faz uma participação especial com algumas músicas.

Ih, riscou o disco…

Apesar das semelhanças com DJMax, SUPERBEAT é bem diferente. A trilha sonora, composta por 59 músicas, é menos variada em questão de ritmos, ficando mais entre Rock, K-Pop e Techno. Isso pode ser um problema para aqueles que, assim como eu, não são chegados em músicas pop com voz de lolita asiática (One Juicy Step, eu te odeio). Felizmente, as músicas de outros estilos são muito melhores e volta e meia começo a cantarolar Boomerang. Temos até mesmo Heavy Day, uma das trilhas do jogo de luta Guilty Gear Xrd -Sign-. A Nurijoy anunciou seis pacotes de DLC até agora, cada um com três músicas.



Entretanto, algumas coisas fizeram falta. Sinto saudades dos clipes que rolavam no fundo da tela, que foram substituídos por luzes brilhando. Pelo menos os efeitos são diferentes o suficiente para dar um ar de mudança para cada música. Os menus são confusos e poluídos, com efeitos e informações demais. Todo DJMax tinha uma opção para ficar ouvindo as músicas e/ou assistindo os clipes, algo que não voltou em SUPERBEAT.

O maior pecado é a falta de um modo multiplayer. Há um ranking mundial, atualizado automaticamente para tentar incentivar o jogador a disputar com os amigos. Apesar disso, falar para um amigo que você o passou no ranking não tem a mesma graça de uma boa e velha disputa mano a mano. Tudo bem, a Nurijoy é uma empresa nova e pequena, sem dinheiro para manter servidores para partidas online, só que isso não é desculpa para não incluir um modo versus local. Essa ausência mata a vontade de jogar mais, principalmente após desbloquear tudo.

Aprenda, Nurijoy: Olhar um ranking não é tão divertido quanto jogar diretamente contra alguém.

Um show que vale o ingresso

SUPERBEAT é uma ótima experiência. Não importa se é para gastar horas fazendo as missões do World Tour ou completar o Stage Mode enquanto está no metrô, ele diverte na medida certa. É melhor que jogue em pequenas doses, pois não há o que fazer depois de desbloquear tudo e não há um modo multiplayer para desafiar seus amigos. Quem sabe a Nurijoy não corrige isso em um possível SUPERBEAT 2?

Prós

  • Boa seleção de músicas;
  • Controles precisos;
  • Fácil de aprender, difícil de dominar.

Contras

  • Cadê o modo multiplayer?;
  • Menus confusos e ruins de navegar;
  • Aguentar algumas poucas músicas horríveis.
SUPERBEAT: XONiC — PSVita — Nota 8.0

Revisão: Robson Júnior
Capa: Esdras Ferreira

Nicolas Tavares é formado em Jornalismo pela FIAM-FAAM. Alguns dizem que ele é uma experiência da CIA que deu errado e está disfarçado como redator no Game Blast. Pode ser encontrado no Facebook.

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