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Análise: Em Dead Island Definitive Collection (PS4) os mortos não tiram férias

Hora de voltar para Banoi e reviver umas férias bem apocalípticas ao lado de muitos zumbis.


Lançado pela Deep Silver em 2011, Dead Island não era apenas mais um jogo de zumbis. O game gerou muitas críticas boas por introduzir o gênero RPG ao mundo do survival horror de mortos-vivos mas também provocou muitas reclamações pelo excesso de violência, sangue e outros elementos que ficaram realistas demais por conta da qualidade gráfica. Agora, cinco anos depois uma versão remasterizada da franquia é lançando para o PC e consoles. Mas será que ela realmente vale a pena ou Dead Island é um zumbi que vai ficar definitivamente morto?

Três zumbis pelo preço de um

Devivo à semelhança entre o game original e sua continuação, Riptide, a Deep Silver fez bem em entregar aos jogadores os dois jogos no lançamento da Definitive Edition. Além disso, o jogador ainda pode se divertir o com o inusitado Retro Revenge, que remete aos velhos tempos dos fliperamas. Mas antes de falarmos mais sobre o último título, vamos focar no título principal, Dead Island. Por se tratar de uma remasterização do original, a pergunta é: houve um grande melhoramento? Sim e não. Vamos entender o porquê.
Em 2011, Dead Island surpreendeu os jogadores e a crítica por dois motivos. O primeiro era seu visual deslumbrante, com gráficos bem trabalhados e ricos em detalhes. A qualidade gráfica era tão boa que o jogador podia se sentir literalmente dentro de uma ilha paradisíaca do arquipélago de Banoi. O segundo motivo foi o sistema do game, que misturava os gêneros FPS com survival horror e RPG ao criar uma mecânica que permitia várias missões paralelas e o melhoramento das habilidades do personagem e suas armas.

Maquiando os mortos-vivos

Agora, na edição remasterizada, esses dois elementos estão de volta. Mas somente o primeiro teve grandes modificações. Apesar dos ótimos gráficos, o visual de Dead Island já estava um pouco ultrapassado para o poder computacional da atualidade, como texturas fracas e baixa qualidade na iluminação. Comparando a versão nova com a original, são claras as melhorias. As cores estão mais vibrantes, o cenário mais bem iluminado, porém, as texturas nos personagens continuam com problemas e a interação com objetos do cenário, como a bola de praia que se move quando o personagem passasse por ela, foi retirada.
As diferenças visuais são claras (literalmente).

Além disso, os bugs de colisão de objetos e de IA confusa dos zumbis que em algumas ocasiões simplesmente não atacavam ou ficavam trancados em paredes ou portas, foram diminuídos, mas ainda estão lá. São poucos, nada que atrapalhe muito a jogatina mas, mesmo assim, incomoda saber que a empresa se preocupou em utilizar uma engine gráfica nova na remasterização mas não foi capaz de corrigir todos os problemas de jogabilidade. Ainda bem que esses problemas quase passam despercebidos quando vemos a qualidade na aparência “repaginada” dos zumbis e no realismo das vísceras e sangue ao serem atingidos.
Os zumbis ficaram mais assustadores e o sangue mais real.

Felizmente, Dead Island e Dead Riptide continuam tão divertidos quanto os originais, especialmente para quem gosta de criar diferentes estratégias para combater vários zumbis. Você irá gastar um bom tempo juntando recursos espalhados pelos locais abandonados da ilha resort para melhorar suas armas e, com certeza fará várias sidequests para subir de level. O problema sempre será qual habilidade escolher para ser desbloqueada em detrimento de outra. Isso dependerá do próprio estilo do jogador e também do personagem que ele escolheu para o game.

Uma continuação e um passatempo

Como eu havia dito, a remasterização somente se preocupou em melhorar o visual do game, portanto, se você é um fã de games de survival horror que curte uma boa história, Dead Island não será sua melhor escolha. O jogo tenta desesperadamente criar um sentimento de empatia do jogador pelo seu personagem e aqueles que ele tenta proteger ou salvar, porém, essa tentativa morre e não volta para atacá-lo como um zumbi. Você provavelmente irá pular muitos diálogos desnecessários para aceitar uma missão e partir rápido para a ação.
A textura dos personagens incomoda um pouco quanto à qualidade.

E isso é ruim? Não. Mesmo que Dead Island tente muitas vezes construir uma trama que não existe, o game consegue se destacar muito bem no quesito de diversão. Mesmo quando eu não tinha paciência para pegar uma nova missão e seguir um passo-a-passo de checkpoints, eu podia perambular pela ilha à vontade encontrando diferentes tipos de zumbis e experimentando as mais diferentes formas de matá-los. Podia usar apenas meus punhos, um pedaço de pau ou até mesmo criar um machete eletrificado para eletrocutá-los antes de fazê-los em pedaços.
Uma pistola sempre ajuda nos combates, mas o game oferece armas bem mais interessantes.
Por melhorar apenas o visual dos títulos, isso quer dizer que a continuação Dead Island Riptide continua sendo apenas uma “expansão” do primeiro game. Não existe nenhuma mudança nos gráficos ou mesmo da jogabilidade. O jogo se passa logo após o final do primeiro e continua a saga dos sobreviventes do surto zumbi do resort de Banoi. Existem habilidades diferentes para se obter, mas nada que se diferencie muito de seu antecessor. Pode-se perceber que a Deep Silver seguiu aquela velha máxima que se aplica até mesmo no mundo dos games: “em time que está ganhando, não se mexe”.

Mas e quanto a Dead Island Retro Revenge? Ele é uma ótima pedida para se jogar quando sentir que está passando tempo demais andando pela ilha matando zumbis da forma mais grotesca possível. O game é um simples side-scroller no estilo 16 bits em que você usa golpes e diferentes armas para matar diferentes hordas de zumbis que aparecem pela sua frente. Seu objetivo não é apenas sobreviver, mas procurar seu gatinho que foi sequestrado durante o apocalipse zumbi (pois é, parece que história não é o forte da empresa…). Felizmente o game conta com um nível crescente de dificuldade conforme se vai avançando de nível, então isso irá estimular o jogador a continuar o percurso perigoso pelas ruas da Califórnia.
Matando mortos-vivos ao bom estilo 16 bits.

Quem não gosta de um apocalipse?

Para aqueles que jogaram o original Dead Island, eu não recomendaria a Definitive Edition. Apenas se estivessem dispostos a conhecer a continuação e o divertido Retro Revenge. Isso porque o game não traz praticamente nenhuma novidade e é, ao pé da letra, apenas uma remasterização. Agora, para quem não teve a chance de conhecer os games na época de lançamento, é uma ótima oportunidade para ter uma experiência completamente diferente de qualquer outro game de zumbis. Seja pela beleza dos gráficos ou pelo interessante sistema de jogabilidade, Dead Island Definitive Edition vai fazer você ficar horas tentando matar os mortos-vivos.
Partiu um apocalipse zumbi?

Prós

  • Melhoramentos visuais;
  • Diversas opções de combate.

Contras

  • Texturas dos personagens;
  • Bugs (um pouco) frequentes.
Dead Island Definitive Collection - PS4 - Nota: 7.5
Revisão: Luigi Santana
Luis Antonio Costa escreve para o PlayStation Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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