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Análise: WipEout 2048 (PS Vita) marca a evolução máxima da franquia

O último projeto da Liverpool Studios consegue divertir, desafiar e surpreender, sendo digno de uma line-up de lançamento.

Claramente inspirado na clássica franquia F-Zero, mas conseguindo destacar-se por suas próprias características, acentuando assim sua própria identidade, WipEout sempre foi conhecido por sua velocidade e desafios extremos, o que atraiu bastantes jogadores, mas claramente afastou muitos também.

Último jogo da franquia a ser desenvolvido pela Liverpool Studios, que foi fechada em 2012 pela Sony, WipEout 2048 marca a evolução extrema da franquia em vários aspectos. Se isto foi para bom ou para ruim, algumas das impressões serão deixadas nesta matéria, caro leitor, então não deixe de acompanhar.

Evolução além do imaginável

Em meados de 2030, o mundo foi revolucionado com a criação do gerador anti-gravitacional, algo que antes só era possível em obras de ficção científica, tornou-se real de repente, desafiando todas as crenças da humanidade, e o seu responsável, Pierre Belmondo, tornou-se aquele que, praticamente, reinventou a física em si.

Agora, aplicada em vários campos, a tecnologia anti-gravitacional faz sua aparição no mundo desportivo, mais especificamente nas corridas de alta velocidade, trocando rodas por geradores anti-gravitacionais, aumentando ainda mais a velocidade, com naves de diferentes empresas e equipes, assim como é feito em corridas de campeonatos automobilísticos atuais.

Pela iniciativa da empresa brasileira Pir.Hana, líder em desenvolvimento de tecnologia, formou-se a A.G.R.C., sigla para Campeonato de Corridas Anti-Gravitacionais, tomando início no ano de 2048, sendo organizadas até mesmo em algumas ruas de Nova State City em alguns eventos.

Seja bem-vindo ao primeiro (e talvez último) campeonato de WipEout.

A calmaria antes da tempestade

WipEout 2048 não possui exatamente uma narrativa. Na verdade, a apresentação que foi introduzida acima estava meramente presente no manual do jogo. Interessante, não? Já que o jogo se trata de um arcade puro, sem compromisso algum com narrativa, é interessante que tenham ido adiante com a ideia da história. Creio que uma cutscene ou um mero slideshow com a narrativa teriam adicionado ainda mais brilho, mas isso já ajudou (e muito) a introduzir o jogador no universo do game em si.

O título, na verdade, justamente por se tratar de um arcade, já inicia com o jogador no menu principal, uma grade plana com alguns quadrados para o jogador navegar e selecionar, pelo touchscreen do portátil, algum dos eventos disponíveis no primeiro ano de corridas (2048). Logo, caso não se interesse pela história, não se preocupe, você não sentirá diferença alguma.

Neste mesmo menu, o jogador pode ter acesso a todas as informações que desejar e necessitar, pois é nele que se preparará para as corridas e é nele que deverá focar antes que a adrenalina comece. Tutoriais, informações sobre tipos de naves, recordes, objetivos, etc, estão disponíveis para que o jogador não se sinta perdido na hora de iniciar a corrida.
Infelizmente, o mais crucial, que é uma maquete ou alguma espécie de mapa da pista do evento em questão, não está presente em local algum do jogo, o que faz com que o jogador tenha de aprendê-la na prática, fazendo parecer uma técnica de design proposital.

Outra coisa que pode chatear alguns é o fato de que o menu principal não possui a opção de navegação com os controles do console, ou seja, só pode ser navegado pela tela de toque dianteira, o que o torna incompatível com o periférico PS Vita TV. A tela traseira possui um efeito dinâmico de relevo quando se toca, revelando eventos secretos. Além disso, capturas de tela também só podem ser tiradas em seções específicas do jogo, como o feito em todos os jogos da franquia, o que impede a função do sistema de executá-la quando o jogador bem desejar.

A evolução

Embora peque bastante na quantia de modos novos de corridas, ou seja, nenhum, WipEout 2048 traz como novidade naves separadas por categorias, o que também se aplica aos eventos. Exemplificando: sua nave, seja qual for, contra sete outros modelos de naves de uma categoria específica, ou uma única categoria de nave específica (incluindo você) correndo ou batalhando em determinado evento.

As equipes, assim como nos outros jogos da franquia, retornam com algumas mudanças e em menor número. Elas são: a norte-americana Auricom, a europeia Anti-Gravity Systems (AG-Systems), a multi-nacional Feisar, a russa Qirex, e, claro, a brasileira Pir.Hana, deixando de lado a sul-africana Assegai e a Havaiana Goteki-45. Contudo, as mudanças de fato encontram-se no modelo das naves, agora separadas por categorias.

Cada nave pode alternar dentre duas cores diferentes e possui quatro categorias: Combate (Fighter), possuindo maior durabilidade, poder de fogo e opções de armamento, mas menor agilidade e velocidade; Agilidade (Agility), que possui maior facilidade de manobras, poder de fogo considerável, mas baixa velocidade e durabilidade, Velocidade (Speed), que possui maior velocidade e poder de fogo, mas durabilidade e manobras baixas. Claro que boa parte de tais detalhes também variam de acordo com as empresas/equipes responsáveis pelas naves.

A quarta categoria, tida como “secreta”, é a de protótipos. Os protótipos possuem atributos especiais, como velocidade crescente em speed pads, metralhadoras recarregáveis, barrel-roll duplo etc. Contudo, tais habilidades sempre vêm com um preço.

Os desafios

Os eventos disponíveis são poucos, mas por conta do sistema de categoria das naves, fazem uma boa distribuição, variando bastante para que o jogador não sinta que o jogo é monótono.
Estão disponíveis os modos: Corrida, cujo o objetivo é chegar na linha de chegada inteiro, sem ser destruído no processo, podendo abater os oponentes com as armas que adquirir no caminho; Batalha, tendo como objetivo alcançar certa quantia de pontos antes dos rivais destruindo-os em alta velocidade; Corrida contra o tempo, auto explicativo; e Zona, em que o jogador deve alcançar a maior zona possível sem ser destruído em uma versão psicodélica das pistas onde os níveis de velocidade são crescentes e os danos à nave regeneram-se lentamente.
Os níveis de dificuldade que definem a Inteligência Artificial dos adversários são separados por Novato, Habilidoso e Elite; enquanto os que definem a velocidade, agora alterados, vão da Classe D até o Mach X, sendo que a partir deste os níveis passam a ser infinitos tanto em zonas quanto em velocidade, não aumentando mais.
Todos os eventos possuem ao menos dois objetivos a serem completados, o Passe (Pass) e o Passe de Elite (Elite Pass), este último bem mais difícil de ser alcançado. Ambos garantem ao jogador progredir com a campanha, mas alcançar o Passe de Elite sempre garante aquele gostinho a mais. Contudo, seria realmente bem mais interessante se houvesse, de fato, alguns eventos com exclusividade para este último objetivo, pois fariam com que o desafio passasse de apenas caça de troféus.

Há também eventos secretos que podem ser encontrados de acordo com a ressonância da música do menu principal no grid, estes que desbloqueiam novos desafios, como os dos protótipos, por exemplo. Há também os desafios de Classe A+, que buscam testar ao máximo as habilidades do jogador… e o fazem.

Velocidade sem limites

Nas pistas, o jogador pode acelerar, virar, inclinar a nave para cima ou para baixo, forçando-a nesta direção quando no ar, utilizar os freios a ar para fazer curvas mais bruscas ou ajustar a nave em determinada direção, utilizar itens de ataque, defesa e utilidade, como armas, boosters e escudos e absorver a energia de tais itens para restaurar a da nave. Tais itens podem ser adquiridos ao passar pelos blocos disponíveis nas pistas. Ao contrário do que muitos pensam, é possível sim frear, bastando apenas abrir ambos os freios a ar ao mesmo tempo.
Blocos são marcações no chão das pistas que, ao passar por cima, garantem ao jogador alguma bonificação, seja algum item ou um aumento súbito de velocidade. Há três tipos deles espalhados: velocidade, armamentos defensivos, e outros ofensivos.
Todas as naves dispõem de uma barra de energia própria, informando sua durabilidade, esta que diminui de acordo com os danos que sofre em ação, seja batendo nas paredes - e, acredite em mim, isso vai ocorrer muito -, alvejado pelos rivais ou fazendo manobras no ar para adquirir bônus de velocidade, o famoso “barrel-roll”, que a consome para ser executado. Ao zerar tal energia, a nave explode, eliminando o jogador da partida. Caso isso ocorra com algum rival, isso também o elimina. Justo, não?

WipEout sempre foi alvo de críticas por conta de suas pistas estreitas, o que dificulta e muito a direção em alta velocidade, fazendo com que colisões sejam praticamente inevitáveis. WipEout 2048 não é exceção, aliás, é justamente o contrário, levando isso ao extremo, aumentando ainda mais a velocidade, com as mudanças nos níveis, devido a sua ambientação (cronologicamente é o primeiro jogo da franquia), mas dinamizando um pouco mais as pistas, zigue-zagueando, estreitando, mas também alargando-as ainda mais, criando uma experiência única em cada localidade.

Contudo, algo que pode prejudicar bastantes jogadores é o fato de que, quando a nave sai da pista, caindo em algum terreno que não deve, ela reinicia, o que é normal. O problema é onde ela o faz, posicionando o jogador em uma localidade muito atrás daquela em que tomou o último impulso para tal terreno, fazendo-o cair de posição e, consequentemente, muitas vezes, perder a corrida.

Um show na palma da mão

A trilha sonora, um outro fator clássico da franquia que sempre chamou a atenção, não deixou de fazer a sua parte, com músicas eletrônicas empolgantes e bastante agitadas, seguindo bastante o ritmo do jogo, aumentando a imersão, com remixes de The Prodigy, Noisia, deadmau5, The Chemical Brothers, DJ Fresh e outros.

Os efeitos visuais das cidades também ajudam, sendo que cada detalhe foi pensado com cuidado para não parecer estar fora do local. Nova State City possui árvores, muros, ruas, pichações e até mesmo algumas seções off-road em meio a drones. Algumas pistas high-rev, demonstrarão o quão revolucionária para o mundo foi a chegada da tecnologia AG e o cuidado que tiveram para demonstrar que este é, de fato, o primeiro jogo da franquia. As naves não escapam e são igualmente lindas, possuindo detalhes em cada parte.

As pistas em si são muito dinâmicas, o que pode confundir bastante em uma primeira corrida desprevenida, mas, ao memorizá-las, aprender seus caminhos alternativos, posicionamentos de blocos e até mesmo locais para melhores impulsos torna-se muito mais simples que se imagina, classificando-se como bem mais uma questão de costume.

Contudo, justamente por ser uma questão de costume, algo que não percebi isso em nenhum outro jogo da franquia, a dificuldade retornará caso você pare de jogar por algum tempo, seja por uma ou duas semanas (sabe aquela semana árdua de provas e trabalhos da faculdade? Então…), o que força o jogador a ter de retomar o ritmo do jogo praticamente do zero.

O hardware e seus pilotos

O jogo conseguiu ser muito bem encaixado no portátil, principalmente por sua ergonomia. Seus controles foram bem pensados, assim como foram suas versões de PSP e PS3, embora possuíssem suas falhas. Contudo, assim como WipEout HD/Fury, o game possui a opção de controles por sensores de movimentos, que utiliza o giroscópio e ambas as telas de toque, mas… digamos que o Vita não é tão leve quanto um Wii Mote para essa velocidade.

Há também o modo multiplayer online e AD-HOC (local) para até oito jogadores, com direito a cross-play com o PlayStation 3, para aqueles que possuem WipEout HD/Fury, porém, encontrá-los é tão difícil que já terá desistido antes que imagina. Isso também se aplica à campanha cooperativa, que não pode ser jogada sozinho, o que impossibilita completar o jogo em sua plenitude. Contudo, quando os encontrei, a experiência não foi lá muito agradável, pois, provavelmente devido à conexão ser bastante instável, as naves mais se teletransportavam que corriam, até que eu fosse desconectado da corrida e impedido de retornar.

Àqueles que compraram o jogo em primeira mão via PSN, WipEout 2048 disponibiliza gratuitamente para o portátil, além do passe online (que atualmente não é muito útil, devido a dificuldade para encontrar jogadores), as campanhas completas de WipEout HD, a remasterização do jogo de PSP para PlayStation 3, e sua expansão, WipEout HD/Fury, trazendo mais de uma centena de eventos para o jogo, ou seja, mais dois jogos da franquia. Só seria ainda melhor se as trilhas sonoras de ambos jogos viessem inclusas, pois Fury conseguiu me conquistar com as melhores músicas em um jogo de corrida que eu poderia pedir.

Infelizmente, o game possui alguns problemas de performance que atrapalham a jogatina e que podem chatear bastante, embora não sejam frequentes, como quedas de quadros por segundo em alguns momentos e, mais raramente, travamento e fechamento automático do aplicativo. Além disso, longas telas de carregamento que, embora possibilitem ler todo o texto disponível, com dicas e objetivos, testam bastante a paciência de quem está repetindo o mesmo evento várias vezes para conseguir superar os próprios recordes, como este que vos fala.

Conteúdo sem limites

WipEout 2048 é o título que eu gostaria de ter ganho junto de meu PlayStation Vita, já que ele foi lançado juntamente do portátil, tendo em vista que sou um grande fã da série desde que a descobri no PSP. Mesmo possuindo falhas técnicas, a diversão e imersão são garantidas quando se entra no jogo, com seu design e trilha sonora esplêndidos. Os desafios testam os limites, não deixando a desejar. Sua curva de aprendizado varia, mas tem de ser retomada toda vez que um intervalo é tomado, o que se torna um grande problema. Adicionar as campanhas dos jogos anteriores a este foi mais um bônus que fez com que meu desejo de retornar às campanhas de HD/Fury fosse realizado (e ainda está sendo).

Infelizmente, parece que não será breve que teremos novidades sobre a franquia por parte da Sony, tendo em vista o fechamento do estúdio pela empresa. Entretanto, os componentes do mesmo, pouco tempos após o encerramento das atividades, abriram (novamente) o próprio, a R8 Games, já com um novo projeto disponível no Steam, Formula Fusion, que, pessoalmente falando, parece ser bastante promissor.

Prós:


  • Divertido;
  • Gráficos lindos;
  • Ótimo level design;
  • Conteúdo abundante;
  • Trilha sonora imersiva;
  • Desafiador ao extremo;
  • Física ótima e funcional;
  • Pistas dinâmicas e imersivas;

Contras;


  • Travamentos (embora raros);
  • Longas telas de carregamento;
  • Quedas momentâneas de FPS;
  • Reposicionamento da nave após reinicialização;
  • Campanha multiplayer não pode ser jogada solo;
  • Capturas de telas não podem ser tiradas a qualquer momento;
  • Curva de aprendizado deve ser retomada praticamente do zero após pausas mínimas.

WipEout 2048 - PlayStation Vita - Sony Computer Entertainment - Nota - 9.0
Revisão: Jaime Ninice.
Gustavo Dourado é estudante do Ensino Médio e fissurado por tecnologia e games. Adora animações e quadrinhos japoneses, além de filmes de todas as partes do mundo. Ama RPGs, sejam eles de mesa ou digitais e desafia qualquer game que lhe desperta algum interesse.

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