Blast from the Past

Grandia (PS): uma grandiosa aventura rumo ao desconhecido

Com um sistema de batalhas atual e uma história empolgante, o clássico da Game Arts é um dos melhores jogos de sua época.


Os anos 90 podem ser considerados como uma das melhores épocas para os jogos eletrônicos. Diversos bons títulos chegaram às prateleiras do mundo todo, em especial os do subgênero JRPGs. Muitos deles saíram para o saudoso PlayStation e figuram ainda hoje em várias listas de melhores jogos de todos os tempos. Vamos relembrar um deles que, inclusive, eu considero como sendo um dos maiores jogos já criados, o maravilhoso Grandia.


Uma jornada nada inesperada

Grandia nos conta a história do jovem Justin, um garoto que vive com sua mãe em uma casa-restaurante. Seu sonho é seguir os passos do seu desaparecido pai e se tornar um grande aventureiro, podendo, assim, explorar o novo mundo, um continente recém descoberto.

Justin está sempre acompanhado de sua grande amiga, Sue. Juntos, eles deixam a cidade de Parm para investigar uma ruína que se localiza nas proximidades. Lá eles descobrem que a Garlyle Force, uma força militar no continente, está explorando o local em busca de informações sobre a antiga civilização Angelou.

Após esse evento, Justin retorna para sua casa e informa a sua mãe que ele decidiu viajar para o novo continente. Ela não gosta muito da ideia, mas acaba aceitando. Então, nosso herói pega um barco e viaja rumo à maior aventura da sua vida.

Batalhas, magias e estratégias

Infelizmente, o jogo foi lançado no console errado (ele saiu primeiro no Sega Saturn, que patinava em vendas no mercado, e somente alguns anos depois ele saiu para o PlayStation 1) e, além disso, ele acabou sendo ofuscado pelo lançamento estrondoso do título da Squaresoft (atual Square Enix), Final Fantasy VII.

A ambientação do jogo foi desenvolvida em 3D. Por essa razão, temos que girar a câmera para encontrar elementos escondidos no mapa e também para nos localizarmos nas diversas dungeons que encontramos no aventura. Ainda assim, o título é extremamente agradável, as texturas envelheceram muito bem e continuam agradando muito até hoje.

As partes mais bonitas do jogo são aquelas que representam a civilização Angelou, elas são coloridas e contrastam com o restante do jogo. Algumas dessas partes são mostradas nas animações, que não deixam nada a desejar aos animes exibidos atualmente na TV.

Porém, o grande destaque de Grandia fica por conta do seu excelente sistema de combate. Aqui as batalhas não são aleatórias, os monstros ficam visíveis na tela e, se o jogador quiser, é possível desviar deles. Mas, adianto que isso não é recomendado, já que as habilidades são aprendidas quando utilizamos as armas e as magias disponíveis aos personagens.

Os personagens têm à sua disposição uma variedade de armas que precisam ser utilizadas para que habilidades possam ser aprendidas. As magias precisam ser compradas em lojas específicas utilizando Mana Eggs, que são encontrados no mundo todo, e, assim como  as armas, as magias também precisam ser evoluídas.

A batalha propriamente dita ocorre em turnos em tempo real. O grande diferencial do jogo é que, ao invés de os personagens ficarem parados antes de fazer a ação, eles se movimentam e andam pelo mapa de batalha.

Na parte inferior da tela temos uma barra chamada de IP Bar, ali são representados todos os participantes da batalha e quanto tempo será necessário para realizar a próxima ação. Tudo isso afeta a estratégia de cada um dos personagens.

Se recebermos um golpe, nosso personagem ficará temporariamente paralisado. Para conjurar uma magia, é necessário alguns segundos para a realização da ação, o que podem significar a vida ou a morte do personagem Enfim, tudo poderá afetar a batalha de alguma maneira.

Ainda hoje, esse sistema de batalha continua atual e frenético, exigindo uma certa estratégia e a capacidade de antever alguns movimentos possíveis do adversário, além, é claro, de dosar o consumo de MP e SP. Mas, infelizmente, esse estilo de jogo tem sido gradualmente abandonado e vem sendo substituído por um sistema de ação mais desenfreada.

Uma orquestra e a sua canção

O maior destaque de Grandia é, com certeza, a sua belíssima trilha sonora. As canções são todas orquestradas e conseguem intensificar com maestria todos os momentos pelos quais passamos pelo título. Várias foram as vezes em que eu parava o diálogo no meio somente para ouvir a belíssima canção que acompanhava a cena do jogo.

O responsável por essa magnífica trilha sonora é Noriyuki Iwadare. Seu trabalho é muito reconhecido, tendo atuado em jogos das séries Lunar, Ace Attorney, entre outros. Porém, eu considero o seu trabalho em Grandia como a sua obra-prima.

Algumas das principais canções que compõem a trilha sonora são a magnífica “Theme of Grandia”, a triste e bela “Farewell to Sue” e a épica “The Edge of the World”. Experimente ouvir essa belíssima coletânea, tenho certeza que você não vai se arrepender.

Um outro ponto a ser destacado no jogo é a sua ótima dublagem. Os principais diálogos do jogo são reproduzidos por atores que fizeram um grande trabalho, diferente das diversas dublagens que vemos nos jogos atuais.

Um grandioso jogo

Grandia é ótimo, simples assim. A sua aventura começa com uma premissa simples e vai crescendo lentamente até chegar ao seu ápice, como uma peça de concerto.  Essa é uma aventura maravilhosa, emocionante e extremamente divertida.

O seu único pecado foi ter como adversários alguns dos jogos que são considerados por muitos como os melhores da história, por essa razão ele acabou passando despercebido pelo grande público. Espero sinceramente que este singelo texto tenha conseguido transmitir todo o meu sentimento e amor que eu sinto por Grandia e,principalmente, que tenha sido capaz de gerar uma pequena faísca de vontade em viver essa aventura.

Caso queria experimentar esse maravilhoso jogo, ele se encontra disponível atualmente via PlayStation Store americana para PlayStation 3 e o PlayStation Vita.

Revisão: Érika Honda

Ailton Bueno escreve para o PlayStation Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook