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Análise: Hatsune Miku: Project Diva Future Tone (PS4) é o título definitivo da vocaloid

O novo jogo de ritmo traz uma ótima experiência por conta da quantidade impressionante de músicas e das novidades nas mecânicas.

Cada vez mais jogos da Vocaloid Hatsune Miku têm sido lançados no Ocidente — no passado, a localização desse tipo de jogo era muito improvável. Hatsune Miku: Project Diva Future Tone, o novo jogo da franquia Project Diva para PlayStation 4, tem muitos motivos para ser o maior lançamento até o momento: mais de 220 músicas estão disponíveis. Pequenos ajustes e foco no modo de ritmo são os grandes destaques desse título.

Ritmo com novidades

Project Diva Future Tone é, na verdade, uma adaptação do jogo para arcades da Vocaloid. No Japão, há um único Hatsune Miku para arcades, que recebe novas músicas e mecânicas com regularidade. Como o título não apareceu por aqui, principalmente por conta da popularidade reduzida dos arcades, a versão de PS4 dá a sensação de algo completamente novo.

As mecânicas básicas continuam intocadas: basta apertar os botões no momento certo, ou seja, quando um ícone se sobrepõe ao outro. O legal é que Future Tone conta com algumas alterações nas mecânicas de ritmo. A primeira é que agora existem notas que exigem que dois ou mais botões diferentes sejam apertados ao mesmo tempo. As odiadas notas com formato de estrela foram substituídas por slides, muito mais fáceis de executar: basta segurar R1 ou L1 (ou a alavanca analógica) na direção indicada. Por fim, a ação de segurar é diferente e permite que algumas notas sejam seguradas pelo tempo que o jogador quiser (ou aguentar), com direito a manter pressionados vários botões simultâneos.


O resultado de tudo isso é um jogo que é familiar e novo ao mesmo tempo. Para veteranos, isso é particularmente divertido, já que as alterações trazem grande sensação de novidade. Foram várias as vezes em que tive que segurar botões enquanto continuava jogando, e é muito recompensador conseguir fazer esse malabarismo durante os combos — as partidas ficam bem mais intensas. Nem sempre é fácil executar esses comandos complicados no controle do PS4 por conta da disposição dos botões, mas não deixa de ser muito divertido.

Variedade impressionante de músicas

O maior destaque de Future Tone é, sem dúvidas, a quantidade de conteúdo. O jogo base, que funciona como uma demo, é gratuito e tem duas músicas. As outras faixas estão divididas em dois diferentes pacotes: Future Sound tem músicas da série Project Diva, enquanto Colorful Tone apresenta composições de Project Mirai (3DS) e Future Tone Arcade. Essa divisão é interessante, pois permite que os jogadores escolham o que acham melhor — por mais que haja um desconto e extras ao adquirir ambos os pacotes. As duas expansões, juntas, somam mais de 220 músicas.

Com tantas opções, é difícil não encontrar favoritas. A seleção musical é diversa e conta com composições que exploram diferentes estilos musicais — todas completamente em japonês, como de costume na série. Desta vez não há traduções das letras, o que é justificável quando se leva em consideração o grande volume de composições, e todas as músicas estão disponíveis desde o início, sendo necessário somente desbloquear algumas dificuldades mais avançadas.


Confesso que, em um primeiro momento, fiquei perdido e não sabia por onde começar — afinal a lista de músicas é extensa. Sendo assim, conferi alguns clássicos como Tengaku, The World Is Mine e PoPiPo. Também reencontrei algumas favoritas minhas, como World End’s Dancehall, Envy Cat Walk, Snowman e Deep Sea Girl. Toda vez que eu parei para jogar Future Tone, encontrei alguma música de que gostei — explorar essa vasta lista de conteúdo é uma das maiores diversões do jogo. Felizmente, é fácil navegar por toda a seleção: existem listas separadas por ordem alfabética e é possível favoritar faixas.

Uma das maiores reclamações feitas em relação a Hatsune Miku: Project Diva X (PS4/PS Vita) foi a baixa dificuldade do jogo. Future Tone é bem mais abrangente nesse aspecto, com níveis que vão do Easy ao Extra Extreme (também conhecido como “praticamente impossível”). Os modos Easy e Normal contam também com um trecho especial mais difícil chamado “Challenge Time”, o que traz desafio até mesmo para os novatos. O legal é que mesmo jogadores veteranos podem sofrer um pouco, pois as novas mecânicas exigem reaprender certas técnicas — eu mesmo joguei um bom tempo no normal para entender as novidades, mesmo sempre jogando no Hard ou Extreme em Diva X. Desafio é o que não falta no jogo.

Visual excepcional

O visual de Future Tone segue a linha colorida da série, só que dessa vez os gráficos estão bem detalhados, fluidos e bonitos. Isso se justifica pelo fato de ser o primeiro jogo da franquia desenvolvido para a nova geração — Project Diva X no PS4 era, na verdade, um port HD da versão lançada para PS Vita.

Os clipes também são bem variados e muitos deles contam com animações detalhadas e até mesmo alguma história. A maioria é reaproveitada dos jogos antigos, mas recebeu melhorias gráficas. Só me incomodou um pouco o fato de que nem todos os vídeos foram retrabalhados, o que resulta em visual inconsistente em alguns casos.


Infelizmente, um problema recorrente da série ainda persiste. Há momentos em que a bagunça visual é tão grande que é muito difícil ver com clareza as notas. O contraste dos marcadores está melhor do que em Project Diva X, mas, mesmo assim, ainda existem vários momentos de confusão visual que podem acarretar em erros bobos. É um problema que acontece pouco, contudo incomoda quando aparece.

Concentrando no que importa

A série Project Diva sempre apresentou atividades extras, como interação com os Vocaloids e editor de vídeo, contudo Future Tone não tem nada disso: o foco do jogo é o modo de ritmo. Fora ele, há uma opção para assistir os vídeos, sendo possível tirar fotos a qualquer momento. Para os competitivos, estão disponíveis rankings online.

As tradicionais roupas e acessórios estão presentes no jogo e seu efeito é puramente cosmético. Está à disposição uma grande variedade de vestimentas e itens, que podem ser liberados com dinheiro adquirido ao terminar músicas. O visual do vídeo fica bem mais legal quando os personagens estão vestindo as roupas corretas e há muita coisa divertida — fiz questão de comprar uma roupa de Sonic para Miku e um vestido de Leanne, de Resonance of Fate (PS3/X360), para Kagamine Rin.


Achei ótimo esse foco no jogo de ritmo. As atividades extras dos jogos anteriores até eram divertidas por alguns poucos minutos, contudo elas atrapalhavam o fluxo com janelas e menus desnecessários que só atrasavam as coisas — Project Diva X mesmo era repleto de diálogos desinteressantes. Sem elas, o resultado é uma experiência mais contida e enxuta. Entendo que alguns fãs gostam muito dessas opções, contudo achei acertado em concentrar na melhor característica da série, ou seja, nas músicas.

Ritmo imperdível

Hatsune Miku: Project Diva Future Tone é um título de ritmo sólido e excepcional. A grande quantidade de músicas e as pequenas alterações nas mecânicas são o principal atrativo, sendo que explorar tudo isso e aprender as sequências de notas são atividades muito divertidas. O jogo oferece menos modos que os títulos anteriores, contudo o resultado é uma experiência mais ágil por conta do foco no modo de ritmo. Sendo assim, Hatsune Miku: Project Diva Future Tone é facilmente o melhor título da Vocaloid até o momento e o mais expressivo jogo de ritmo para PS4.

Prós

  • Mecânicas de ritmo sólidas e com novidades;
  • Extensa quantidade de músicas;
  • Experiência focada no modo de ritmo;
  • Vários níveis de dificuldade trazem variedade.

Contras

  • Visual dos clipes atrapalha a visualização das notas em alguns momentos.
Hatsune Miku: Project Diva Future Tone  — PS4 — Nota: 9.0
Revisão: Bruno Alves 
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos.

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