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Análise: The Flame in the Flood: Complete Edition (PS4) é uma bela luta pela sobrevivência

Aprenda como sobreviver em um mundo engolido pelas águas e cheio de perigos por todos os cantos.


Depois de agradar muitos jogadores com seu estilo visual único e um gameplay de sobrevivência bem construído, The Flame in the Flood passa do PC e Xbox One para ir direto ao PS4. A diferença é que o console da Sony recebe uma edição completa, contendo diversas melhorias e elementos novos. Mas, será que essa versão do game mantém todas as boas qualidades do título e tenta corrigir as suas falhas? Além disso, The Flame in the Flood é uma boa pedida para os jogadores de PS4? Suba conosco em nossa jangada improvisada e navegue por essa análise para descobrir.

O mesmo rio, o mesmo apocalipse

Para aqueles que não tiveram contato com o game quando ele saiu em suas plataformas originais, a primeira impressão que o jogador tem do jogo é que ele lembra muito Don’t Starve. As semelhanças são muitas, mesmo para um jogador que somente tenha visto gameplays do título da Klei Entertainment. The Flame in the Flood utiliza-se da mesma mecânica que Don’t Starve cunhou: você contra o mundo. Nesse caso, o jogador é uma jovem em uma América pós-apocalíptica que luta para sobreviver em um ambiente escasso de recursos, navegando por um rio tortuoso junto de seu cão.
O game começa com um aviso que resume todas as instruções: "Não morra!"

A primeira característica que se destaca no game é seu visual simples e estilizado, quase como se os cenários e personagens fossem feitos de papel machê. Essa aparência passa uma sensação de que estamos no meio de um conto, ou de uma fábula, o que ajuda o jogador a imergir na luta pela sobrevivência e torna esse mundo pós-apocalíptico vazio e tomado pelas águas menos assustador. Em comparação com as versões disponíveis para PC e Xbox One, a Complete Edition para PS4 não recebeu nenhum tratamento visual e permanece com o mesmo charme do game original.
O nível de detalhes dos cenários impressiona.

Mas, tome cuidado, pois detrás dessa aparência encantadora se esconde um game que pode ser cruel para os desavisados. Tudo está contra você, desde as forças da natureza até o espaço limitado de seu inventário. Mesmo podendo mover alguns itens para a mochila que seu cão carrega, a mensagem de “inventário cheio” irá te acompanhar por muitos momentos da jornada. Até você aprender quais são os itens necessários para continuar sobrevivendo, você irá se perguntar do porquê de os desenvolvedores não optarem por um número de espaços maior na mochila. Além disso, a mecânica para a navegação pelos itens para depois utilizá-los não é simples ou intuitiva, mesmo com a possibilidade de acessar alguns itens rapidamente. Nesse momento, poder utilizar o touchpad do dualshock teria sido uma feature útil para a versão do PS4.
Fique atento a sua saúde e perigos que podem se esconder nos lugares mais inusitados.

Com quantos paus se faz uma jangada?

Depois de ter de se preocupar se você está bem alimentado, se não está machucado ou passando frio, certamente sua maior preocupação no game será a sua jangada. Inicialmente feita de alguns troncos fracos parcialmente amarrados por cordas, seu único meio de locomoção entre as ilhas que guardam os preciosos recursos está sujeito a muitos perigos. As correntes são ferozes, e qualquer descuido na forma como você comanda o seu remo ou a direção da embarcação pode significar a diferença entre a vida e a morte. Ainda bem que The Flame in the Flood conta com um sistema simples de checkpoint, o que permite a você retornar a um momento antes da sua morte para repensar sua estratégia. Aqueles que procuram por um desafio maior devem optar pelo modo “Sobrevivente”, em que a morte significa fim de jogo, proporcionando uma experiência mais realista.
Cuide bem de sua jangada e sempre mantenha o controle do remo.

Apesar de parecer ser um game solitário em muitos momentos, a dinâmica dele instiga o jogador a persistir em sua jornada pela sobrevivência, seja observando quantos dias você aguentou e quantas milhas já percorreu ou mesmo encontrando outras pessoas que podem lhe fornecer itens ou informações valiosas. A trilha sonora cria a atmosfera perfeita para as diversas situações que você terá de enfrentar nessa luta constante para se manter vivo, garantindo que a experiência nunca se torne monótona. Já que você precisará de recursos novos a todo o momento, viajar de ilha em ilha torna o gameplay dinâmico. E como o game te mantém informado sobre cada recurso que uma ilha possui, você nunca irá se deparar com um beco sem saída.
Seja com velhos ermitãos ou crianças selvagens, escolha bem suas palavras antes de prosseguir.

Quanto às diferenças da Complete Edition em relação à edição original, a única que se destaca é a inclusão dos comentários do diretor, uma função que pode ser habilitada no menu principal. Felizmente, não é como em outros games em que o áudio do diretor toca constantemente durante o gameplay, mas ele fica armazenado em pequenas fitas cassete que você pode encontrar pelo jogo, funcionando como um sistema de colecionáveis. Essa é uma ótima alternativa para não atrapalhar o ritmo do game e não quebrar a concentração do jogador, pois, acredite, nesse mundo aos pedaços, não é incomum você ficar morrendo de fome e descobrir que não possui nem um grão de comida para se alimentar.
Somente você e seu companheiro canino contra um mundo desolado.

Prós

  • Gameplay de sobrevivência focado e envolvente;
  • Belo visual com estilo cativante;
  • Fantástica trilha sonora.

Contras

  • Comentários do diretor são a única adição de peso da Complete Edition;
  • Menus continuam não sendo intuitivos.
The Flame in the Flood: Complete Edition - PS4 - Nota: 7.0

Revisão: Érika Honda
Luís Antônio Costa é graudado em Ciência da Computação pela UFRGS. Apaixonado por games desde que ganhou seu primeiro Master System e conheceu Sonic, também é amante da ciência e um devorador de livros. Além do PlayStation Blast, também faz alguns textos para o Medium e pode ser encontrado no Facebook e Twitter.

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