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Prévia: Persona 5 (PS3/PS4) promete ser o ápice da série

O novo episódio da série de JRPGs resgata algumas características e melhora algumas outras, o que aponta para uma aventura excepcional.


A série Persona começou como um simples spin-off de Shin Megami Tensei e hoje é uma das franquias mais importantes da Atlus. A popularidade veio com Persona 3, que introduziu mudanças profundas como o sistema de Social Links e os aspectos de simulação — características essas que se tornaram o diferencial da série. Persona 5 é o novo título para PlayStation 3 e PlayStation 4 e promete ser a experiência definitiva da franquia por conta do refinamento das várias mecânicas clássicas e de várias outras novidades.

Libertando-se das convenções da sociedade

Depois de Persona 3 (PS2), cada título da série conta com um tema que define a atmosfera da aventura. Em P3 o assunto era a morte e como lidar com ela, já em Persona 4 (PS2) o foco era a identidade própria e a busca da verdade. A temática de Persona 5 é “liberdade”: os personagens consideram o mundo tóxico, praticamente uma prisão, e querem quebrar as regras e convenções da sociedade moderna do século 21.

Como a temática tem como base nossa sociedade atual, nada mais natural do que ter uma grande metrópole como local principal da trama. Sendo assim, Persona 5 se passa em Tokyo e tem como protagonista um rapaz que foi transferido para uma escola chamada Shujin High School. Acontece que o garoto está sob vigia por ter atacado uma pessoa em sua cidade natal. Por conta disso, o protagonista não é nada popular — pelo contrário, ele é odiado e desprezado por todos.


Eventualmente, o protagonista encontra outros jovens desajustados que compartilham da mesma filosofia dele. Por conta de alguns eventos estranhos, o herói adquire o poder de invocar Personas, ou seja, a representação da personalidade em forma de uma criatura. Com isso, o protagonista e seus amigos conseguem mudar o coração das pessoas ao infiltrar castelos localizados em uma dimensão paralela. Sendo assim, todos eles decidem fundar o grupo Phantom Thieves (ladrões fantasmas), que tem como objetivo roubar o coração das pessoas corruptas e, no processo, libertar o mundo de toda a sujeira vinda das convenções da sociedade. A promessa é uma trama densa e sombria, permeada por personagens profundos e bem desenvolvidos.

Assim como P3 e P4, a temática do quinto título é fortemente baseada na psicologia de Carl Jung, o que significa que os fatos da trama prometem discutir as questões da mente humana e da consciência coletiva. O diferencial da vez é que serão exploradas conceitos da sociedade contemporânea em uma grande metrópole. Já na parte sobrenatural, a inspiração foi os clássicos de ladrões, como Arsene Lupin. A direção de arte está mais estilosa que nunca e a música terá composições com pegada acid jazz, combinando perfeitamente os conceitos da série e do novo jogo.


Vivendo em uma Tokyo frenética

A trama de Persona 5 se passa durante um único ano no qual o protagonista tem que balancear os papéis de estudante e de vigilante sobrenatural. Para isso, o jogo conta com mecânicas de simulação social, RPG e exploração de calabouços. Há muito o que fazer e a aventura pode durar mais de cem horas.

Durante o dia, o herói e seus amigos vão às aulas e participam de atividades usuais de adolescentes. Há muito o que fazer: ir ao cinema, trabalhar em empregos de meio período, passear por Tokyo, e assim por diante. Cada uma dessas ocupações consome parte do tempo livre e traz alguma vantagem, como itens, melhora de atributos, dinheiro ou até mesmo detalhes da história. O dia da semana, assim como o mês, definem os eventos disponíveis. Como a aventura é limitada em um único ano, é extremamente importante se planejar e gastar o tempo livre de maneira inteligente.


Os Social Links, uma das características mais marcantes de Persona, está de volta em P5, mas com algumas alterações. Desta vez o sistema tem o nome de Confidants e a essência continua a mesma: o protagonista desenvolve laços com várias pessoas e em retorno ele ganha algum poder. Nos jogos anteriores, a principal vantagem era receber bônus de experiência ao fundir Personas, sendo que os personagens jogáveis também recebiam novas habilidades de combate e exploração. Em P5 todos os confidentes liberam algum recurso útil para a aventura, o que aumenta a importância de investir no máximo de laços possíveis.

Invadindo castelos de outro mundo

A maior mudança em Persona 5 está nos seus calabouços principais, que se chamam Palaces (palácios). Esses locais se encontram numa dimensão paralela chamada Metaverse e representam a personalidade de um indivíduo. Para encontrar os Palaces, os Phantom Thieves precisam investigar as motivações do alvo para determinar a localização aproximada do local. Depois disso, eles usam um aplicativo de celular para adentrar o Metaverse e invadir o castelo.

A exploração dos Palaces combina vários conceitos diferentes. Para começar, todos esses calabouços têm mapa fixo, ao contrário dos jogos anteriores que tinham locais gerados proceduralmente. O objetivo dos Phantom Thieves é invadir o local e roubar o “coração” de seu dono (que é a representação física do desejo mais reprimido do alvo), porém essa tarefa não será fácil. O motivo disso é que esses locais são imensos e contam com vários momentos de plataforma, puzzles, armadilhas e sessões de furtividade. Para ajudar, os heróis contam com uma habilidade chamada “Third Eye”, que permite observar elementos específicos dos cenários. O mais curioso é que alguns puzzles só podem ser superados ao resolver questões no mundo real, o que sugere grande sinergia entre as ações nos dois campos.


Os palácios estão fortemente guardados por Shadows, os monstros que representam os pensamentos reprimidos da sociedade. Os Phantom Thieves precisam ser furtivos: toda vez que eles são vistos, o nível de alerta sobre e a segurança é aumentada. Caso o estado de cautela chegue num nível crítico, o grupo é forçado a sair do palácio e só pode voltar dias depois. O problema é que sempre há um prazo para completar cada calabouço, sendo assim é importante explorar com cuidado e rapidez — não terminar no prazo faz com que o protagonista seja expulso da escola, o que resulta em um final abrupto da história. A combinação de todos elementos promete uma experiência bem distinta dos títulos anteriores.

Os calabouços gerados proceduralmente ainda existem em Persona 5 e se chamam Mementos. Estes locais representam o pensamento coletivo e são completamente opcionais. Lá, é possível resolver missões para NPCs, capturar Personas e encontrar itens. Os Mementos são um ótimo lugar para fortalecer os personagens, pois os Palaces não podem ser revisitados depois de terem sido completados.


Batalhando e aliciando demônios

Durante os calabouços, os Phantom Thieves encontram várias Shadows, que podem ser enfrentadas em combate. O sistema de batalha de Persona 5 é uma evolução do Press Turn System dos jogos anteriores e conta com várias novidades. O foco ainda é explorar as fraquezas elementais dos inimigos em combates por turnos, porém há mais opções de estratégias. Durante os combates, cada botão do controle representa uma ação, o que deve tornar os embates bem mais ágeis.

Além das armas brancas, todos os Phantom Thieves também contam com uma arma de fogo. Estes armamentos não são muito poderosos, porém seus tiros têm grande taxa de acerto crítico, entre outras vantagens. O detalhe é que a munição é limitada e é impossível recuperá-la sem sair do calabouço. Como os combates podem ser bem difíceis, será importante usar corretamente as armas de fogo.


Uma nova mecânica é o “Hold Up”, que é ativada ao derrubar todos os inimigos. Quando isso acontece, os heróis apontam suas armas para os monstros e algumas ações podem ser feitas. A primeira delas, que já estava presente nos últimos Personas, é executar o tradicional All-Out Attack, um golpe poderoso que acerta todos os inimigos. Já as novas opções foram resgatadas de Shin Megami Tensei e dos primeiros Persona. Uma delas permite ameaçar os monstros para que eles cedam dinheiro ou itens — naturalmente, isso nem sempre funciona. Por fim, temos a Negotiation: por meio de diálogos, é possível persuadir o inimigo e transformá-lo em uma Persona para o protagonista. É importante pensar com cuidado no que vai ser falado para o monstro, pois uma resposta errada pode deixá-lo irritado, o que pode significar em um ataque inesperado ou reforços inimigos.

Já outras habilidades de combate só podem ser obtidas por meio dos relacionamentos com os Confidants, sendo que elas expandem ainda mais as opções de estratégia. Uma delas é o Baton Pass, que permite trocar o personagem ativo logo após derrubar o inimigo — com isso será mais fácil explorar a fraqueza dos inimigos ou recuperar os aliados. Também há uma opção de alterar a formação dos heróis durante os calabouços e batalha. Sendo assim, investir nos relacionamentos será essencial para ter acesso às habilidades poderosas de combate.



Uma Persona é a representação física da personalidade dos heróis. Essas criaturas são baseadas no conceito de mesmo nome desenvolvido pelo psicoterapeuta Carl Jung. Jung afirmava que as personas são “máscaras de personalidade” que as pessoas usam para lidar com as situações da vida. Em Persona 5, o conceito é explorado de forma explícita: as Personas são representadas como máscaras e os heróis as arrancam para invocar as criaturas. 

Uma jornada possivelmente inesquecível

Persona 5 promete oferecer tudo o que um bom JRPG precisa: uma trama densa e complexa, personagens interessantes, um ótimo sistema de batalha e muita coisa para fazer. O quinto episódio também melhora as características da série, como o sistema de Confidants, os calabouços e os detalhes do sistema de batalha. Tudo isso será complementado com um visual estiloso e bem trabalhado, com uma Tokyo que parece ser bem interessante de explorar. Sendo assim, Persona 5 tem tudo para ser o ápice da série e um dos melhores JRPGs dos últimos anos.
Persona 5 - PS3/PS4Desenvolvimento: Atlus
Gênero: RPG
Lançamento: 04 de abril de 2017
Expectativa: 5/5
Revisão: Pedro Vicente
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos.

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