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Análise: Sonic Generations (PS3)

Em 2011, Sonic , o porco-espinho azulado da SEGA, completou vinte anos de idade. Já está um marmanjo... (por Alan Kottwitz em 25/03/12, via PlayStation Blast)

sonic_generations-logoEm 2011, Sonic, o porco-espinho azulado da SEGA, completou vinte anos de idade. Já está um marmanjo, mas continua com seu ar de adolescente. Foram vinte anos correndo atrás de anéis dourados, frustrando os planos do Dr. Eggman e salvando o mundo incalculáveis vezes. Em comemoração ao aniversário do ouriço velocista mais querido do planeta, a SEGA e o Sonic Team lançaram Sonic Generations, um jogo especial onde não controlamos um, mas dois Sonics! Quem fez aniversário foi o Sonic, mas quem ganhou o presente foram os fãs. Acompanhe a análise.


Item de colecionador indispensável


É difícil descrever a sensação de jogar os dez primeiros minutos de Sonic Generations. A frustação que tive ao jogar Sonic Heroes, para PS2, e Sonic Unleashed, para PS3, me deixou com um pé atrás em relação a Generations. Nesses dois jogos que citei, Sonic estava lá, mas para mim não pareciam ser os jogos dele, fugiam muito do contexto proposto pela franquia: velocidade e adrenalina. E depois de assistir o gameplay de Sonic 4, fiquei temeroso e nem me atrevi a jogá-lo. Mas depois dos dez primeiros minutos de Sonic Generations, ouvindo a música tema do estágio Green Hill totalmente remasterizada, com um acompanhamento de trompetes e contemplando os gráficos em alta definição, com uma cachoeira realística ao fundo do cenário, aí então me dei conta de que aquele sim era um jogo verdadeiro do Sonic.

Surpresa!


Happy Birthday, Mister Sonic!


20 AnosÉ o aniversário do Sonic e seus amigos prepararam uma festinha surpresa para ele. No decorrer da comemoração, quando Sonic recebia os presentes, aparece no céu uma misteriosa criatura das trevas para acabar com a alegria. O monstro abre vários portais dimensionais que sugam a turminha do ouriço azul, lançando-os para vários locais diferentes. Sonic tenta salvá-los, mas acaba atingido pelo monstro e perde os sentidos. Ao recobrar a consciência, Sonic percebe que foi parar em um lugar estranho, onde tudo é branco, silencioso e sem cor. E o pior: seus amigos foram todos transformados em estátuas. Agora, cabe ao nosso herói espinhoso descobrir uma forma de trazer seus amigos de volta ao normal e descobrir quem é que está por trás de toda essa confusão.

Time EaterNo decorrer da aventura, Sonic se depara com uma versão de si mesmo, mais jovem, baixinho e gorduchinho. Como é mostrado na introdução do jogo, o mesmo monstro das trevas viajou no tempo e sequestrou o Sonic e o Tails do passado (as versões de 1991) e os colocou nesse mundo branco. Juntos, os dois Sonics decidem formar uma parceria para encontrar um meio de voltarem para suas respectivas épocas.

AniversarianteSonic Generations trata-se de dois jogos diferentes embutidos em um. Não é uma versão HD Collection ou um Pack promocional: é um jogo inteiramente inédito, um remix de fases selecionada a dedo de mais de 20 anos de jogos da série. Podemos dividir o game em três eras: Megadrive, Dreamcast e Moderna (PS2, PS3 e NDS). São nove fases principais, divididas em dois atos, um para cada Sonic, além de mais 90 missões especiais, com objetivos específicos como coletar anéis, vencer uma corrida contra um Sonic fantasma e etc. Com o simples toque de um botão, o jogador pode trocar entre o Sonic Clássico e o Moderno, alterando também o padrão das fases e a mecânica de jogo. Enquanto que as fases do Sonic Clássico seguem o estilo de progressão lateral ­– avançar para a direita – as fases do Sonic Moderno mesclam entre o progresso lateral e o tridimensional. Veja as diferenças de cada um deles:


O Sonic Clássico


Sonic GordoA mecânica do jogo quando controlamos o Sonic gordinho lembra muito a jogabilidade de Sonic 3. Basicamente é avançar para a direita, pular sobre plataformas, passar pelos inimigos e alcançar a linha de chegada. Esse Sonic possui apenas dois movimentos padrões: o Spin Dash (ou arrancada, usada para ganhar impulso, destruir inimigos e aumentar a velocidade) e o pulo. O jogo se torna fiel e impecável ao estilo clássico, revivendo a era de ouro do porco espinho. Para as fases mais modernas, os estágios foram completamente redesenhados para se adaptarem ao estilo de jogo sidescrolling, no entanto, os cenários não perdem a qualidade gráfica e continuam absurdamente detalhados. Até mesmo as músicas simulam as melodias típicas dos games de consoles de 8 bits, com batidas eletrônicas agudas.

Green Hill 1991Green Hill 2011


O Sonic Moderno


Sonic MagroJá o Sonic Moderno traz de volta sua jogabilidade da época de Sonic Adventure, mas é praticamente uma cópia de Sonic Unleashed, só que sem sua versão animalesca. O Sonic magricela traz na bagagem todas as habilidades que aprendeu durante seus vinte anos de corridas. Com o Homing Attack, Sonic trava a mira nos inimigos ou em obstáculos, podendo traçar longas distâncias ou se disparar como uma bala de canhão para cima dos adversários. Já o Sonic Boost funciona como uma espécie de “turbo” – ao apertar o botão quadrado, Sonic entra em hipervelocidade, destruindo tudo pela frente, ao custo do consumo de um medidor de energia. Sua movimentação se desenvolve em progressão tridimensional, entretanto, a jogabilidade constantemente varia: algumas partes você está vendo as costas do Sonic, em outras, a lateral (imitando o estilo sidescrolling) e até mesmo a frente do Sonic e, mesmo assim, consegue continuar avançando. Em certos momentos, o game se torna quase automático, bastando apenas pressionar o botão do Boost. Mas é aí que mora o pecado: às vezes a câmera atrapalha a condução do jogo, impossibilitando de ver elementos do cenário, como atalhos, plataformas ou inimigos no seu cangote. Ao controlar o Sonic Moderno, a movimentação pode se tornar confusa e em cenários amplos o jogador pode ficar perdido, sem saber para onde seguir, quebrando a ritmo de velocidade constante. Além disso, a mira falha, não trava em pontos cruciais e ocasiona em mortes fáceis.

Green Hill Moderna


Chefia desfalcada


Perfect ChaosUma das principais derrapadas de Sonic Generations é a escassez de bosses. Para os fãs que estavam acostumados a enfrentarem um chefão ao final de cada fase, em todo game só existem quatro! Para compensar essa limitação, foram acrescentadas as Rival Battles contra os clones do Sonic: Shadow, Silver e Metal Sonic. Mas ainda assim, no geral, não apresentam um bom desafio. Falando em bosses, prepare-se para perder dezenas de vidas. Excluindo a luta contra o chefe Perfect Chaos, que chega a ser até divertida, as batalhas envolvendo o Sonic Moderno são chatas, mal desenvolvidas e com dificuldades desniveladas, mas nada que com o tempo não se possa pegar as manhas. Somente no chefão final que os dois Sonics se unem, mas é a pior batalha de todo o jogo: os personagens batem em paredes invisíveis, obstáculos surgem do nada e os anéis, essenciais para completar a fase, são quase impossíveis de serem coletados.

Quem chega primeiroTô passando

Alguns fãs podem sentir falta — outros não — da caça às sete Esmeraldas do Caos. Antes elas eram ganhas em mini-games específicos após completando alguns pré-requisitos. Como agora elas fazem parte da história, elas são liberadas após derrotar um chefe de fase ou um rival. Mas essa ausência não interfere na experiência de jogo, apenas encurta o tempo de jogatina, uma vez que não há um boss secreto/final alternativo para ser desbloqueado.


Mission Start


Turbinas e já!Existem ainda 90 missões especiais, 45 para cada Sonic. Elas ficam distribuídas pelo cenário principal, o mundo branco, na forma de portais, e é preciso escalar plataformas, usar molas ou rampas para alcançá-los. Essencialmente os desafios são todos iguais: complete o nível sem perder anéis, vença a corrida contra o clone fantasma... Há também missões dos amigos do Sonic, onde alguns te ajudam a completar os desafios, mas outros competem contra você. A maioria dos desafios são bastante fáceis e divertidos, mas outros são absurdamente irritantes. Ao completar cada desafio, o jogador desbloqueia artworks, rascunhos dos primeiros jogos da série e soundtracks originais de jogos antigos do Sonic.

S2E por falar em soundtracks desbloqueáveis, Sonic Generations traz um repertório completo de faixas extraídas dos vinte anos de jogos da série. E ainda: músicas retiradas de games do Sonic esquecidos, que muitos da geração atual nem sabem que existem! Que levante a mão aquele que tiver jogado Sonic Jam ou Sonic CD. Mas esse conteúdo extra não se limita apenas em debloquear para ouvir mais tarde: os estágios permitem customizar a música de fundo, ou seja, é possível trocar a música de todas as fases principais. Não gosta da musiquinha da fase Chemical Plant moderna? Então a substitua pelo heavy metal “What I’m Made Of”, de Sonic Heroes, e sinta a sua vontade de jogar triplicar.


Omochao, um empreendedor de sucesso


OmochaoAo terminar uma corrida ou um desafio, dependendo do desempenho obtido ao concluir o percurso, o jogador ganha pontos que podem ser usados como créditos na lojinha do robozinho Omochao, podendo comprar vidas extras ou habilidades especiais. Algumas dessas habilidades são distintas para cada Sonic; enquanto que o Sonic Clássico pode ganhar escudos de energia ou a capacidade de pulo duplo, o Sonic Moderno pode ampliar sua barra de Boost, torná-la infinita ou apenas aumentar a velocidade. Essas habilidades não são necessárias para se zerar o game, mas facilitam (muito) na hora de coletar os raros Red Star Rings.


Fim da festa, apaguem as luzes


Perdoem-me o trocadilho, mas só por que é um jogo do Sonic, não significa que tem que acabar depressa. A campanha principal de Sonic Generations é tristemente curta, comparando com seus antecessores lançados recentemente. A adição dos desafios e coletáveis tentam prolongar a vida útil do jogo, mas não conseguem ser atrativos satisfatórios para os jogadores. O modo multiplayer, um marco na história da franquia desde Sonic 2, foi excluído, tanto o local quanto o on-line. As partidas on-line são apenas um desafio de “quem consegue chegar mais longe em 30 segundos?”. E só. Espero que nos próximos jogos do Sonic, a SEGA se lembre de Generations e conserte os erros que cometeu, mantendo a formula que fez deste um dos melhores games do Sonic em anos.

ModernoHa muleke


Prós

  • Poder jogar com o Sonic baixinho e gorducho dos anos 90
  • Trilha sonora excelente, com possibilidade de mudar as soundtracks das fases
  • Cenários antigos totalmente redesenhados e em alta definição
  • Sensação de velocidade ininterrupta
  • Mecânica de controle variada e divertida

Contras

  • A movimentação do Sonic Moderno às vezes é confusa e ocasiona em mortes fáceis
  • Poucos chefes de fase, sendo que algumas boss battles envolvendo o Sonic Moderno são difíceis e chatas
  • Ausência de um multiplayer on-line ou local
  • Campanha principal muito curta
Sonic Generations – PlayStation 3 – Nota: 9
Gráficos: 10 | Som: 9 | Jogabilidade: 8 | Diversão: 9,5
Revisão: Rafael Becker

Alan Kottwitz é formado em Administração de Empresas e seu primeiro videogame foi um Dynavision Radical com 64 games. Adora escrever, é fã de carteirinha de Neil Gaiman e se amarra em coisas Nerds. Para trocar uma ideia com ele, basta procurá-lo no Facebook.

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