Blast from the Past

Blast from the Past: Diablo (PS)

Com a iminente chegada de Diablo III ao mercado e aos nossos computadores, era natural que o públ... (por Giancarlo Silva em 31/03/12, via PlayStation Blast)

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Com a iminente chegada de Diablo III ao mercado e aos nossos computadores, era natural que o público questionasse a possibilidade de o novo RPG de ação da Blizzard Entertainment ser lançado para os consoles da geração atual. A julgar pelas dúvidas sobre se a experiência de gameplay nos consoles se igualará a da versão para Windows e Mac, é provável que poucos se lembrem de que a empresa responsável por WarCraft e StarCraft já obteve sucesso nessa tarefa no passado.

Em 1998, em parceria com a Electronic Arts, o PlayStation ganharia sua própria versão de Diablo, após ter feito considerável sucesso nos PCs - sua plataforma de origem. Com uma jogabilidade muito bem adaptada e um divertido modo para dois jogadores, este título revolucionou o gênero Action RPG, ao mesmo tempo em que preocupou mães de família e criou polêmicas graças a sua sombria temática!

Enfrentando o mal primordial

A vila de Tristram. Onde tudo começa.

A história se passa no reino de Khanduras, mas apenas a cidadezinha de Tristram é o palco das aventuras vividas pelos personagens dos jogadores. O Rei Leoric se prepara para resgatar seu filho - o príncipe herdeiro, que ainda é apenas uma criança - após receber a notícia de que demônios haviam raptado o garoto e o levado às profundezas da igreja próxima a Tristram. Para ajudá-lo, ele resolve pedir a ajuda de Lazarus, o arcebispo local. Os dois organizaram um exército e adentraram a igreja para resgatar o príncipe… e nunca mais voltaram.

Tempos depois, heróis forasteiros (ou seja, você jogador… e talvez um amigo seu) chegam ao vilarejo de Tristram e são abordados pelo sábio Deckard Cain, que conta sobre os acontecimentos estranhos e tenebrosos que assombram os moradores. Ao tomarem conhecimento do que se passa dentro da igreja - agora amaldiçoada e de onde ecoam horrendos gritos e sussurros, além de uma perigosíssima aura maligna - os heróis encontram às portas do recinto um moribundo soldado que sobreviveu ao perigo.Dentro do labirinto amaldiçoado.

Contando-lhe sobre a armadilha arquitetada pelo arcebispo Lazarus, que na verdade conduzia vítimas incautas para o covil do demônio conhecido como O Açougueiro (The Butcher), o guerreiro pede para que sua alma seja vingada e finalmente falece. Assim inicia-se a jornada de terror para livrar Tristram e o mundo das garras de Diablo, o senhor do inferno.

Tá ruim… mas tá bom

Diablo foi criado em uma época em que a diferença de potência entre os PCs e os consoles era bem mais evidente, o que tornava a tarefa de criar ports de games para os videogames domésticos um martírio para diversas desenvolvedoras. Quando se tratava de portar um jogo para o limitado Sony PlayStation a dificuldade era ainda maior, o que resultava em jogos com uma qualidade aquém do esperado na maioria das vezes.

O Altar Profano (Unholy Altar)

Tendo isso em mente, a equipe da Blizzard teve que se esforçar um bocado para entregar Diablo aos donos do PS, sacrificando detalhes gráficos e sonoros para manter o máximo possível das outras características do jogo. Desse modo, infelizmente a resolução e os detalhes dos cenários perderam muito de sua qualidade original e os sprites do personagem do jogador e dos monstros e NPCs (Non-Player Characters, personagens controlados pelo computador) tiveram sua animação bastante prejudicada.

O som de Diablo também teve queda na qualidade, mas não sofreu tanto prejuízo assim. Embora as músicas soassem um tanto abafadas, todos os diálogos com os NPCs se mantiveram falados, da mesma forma que na versão para computador. Além de podermos ouvir o sempre clássico Aaahhhh… Fresh meat! ao enfrentar o Butcher, também ouvimos alto e claro todas as falas dos habitantes de Tristram, do velho ferreiro Griswold ao sábio Deckard Cain, passando pelo jovem taverneiro Ogden.

Tá quente aqui, né?

Mas nem mesmo as perdas nos sons e gráficos foram capazes de sanar um dos problemas mais chatos desse jogo, que era a demora excessiva no tempo de carregamento. Como em Diablo nós jogadores mudávamos de tela com frequência, o jogo precisava carregar os mapas seguintes e os loadings demoravam mais do que o desejado, o que no fim das contas era um problema bastante comum na maioria dos jogos do primeiro console da Sony.

Sem contar que Diablo era um verdadeiro devorador de cartões de memória, ocupando 3 blocos do Memory Card só para armazenar os dados do personagem e os 12 blocos restantes para salvar o progresso do jogo! Não era incomum donos de PlayStation ter dois Memory Cards, sendo um reservado somente para o título da Blizzard.

A união faz a força

Com um amigo fica mais fácil derrotar os demônios!

Em compensação, Diablo foi capaz de proporcionar uma das experiências multijogador mais divertidas do PlayStation! Diablo funcionava perfeitamente em partidas com duas pessoas, que dividiam a mesma tela viajando juntos pelos confins da igreja amaldiçoada. A dificuldade da versão para PlayStation era bastante alta, assim como nos PC's, exigindo bastante tempo e dedicação para evoluir seu(s) herói(s) - o jogo oferecia 3 tipos de personagens: um guerreiro, um feiticeiro e uma arqueira - até o nível necessário para derrotar aquele chefe poderoso na próxima masmorra.

Os controles também foram perfeitamente adaptados para o estilo de jogo de Diablo. Como se trata de um RPG de ação ao estilo "hack-n-slash", não foi nada difícil atribuir ao botão X o comando para golpear, antes delegado ao clique do mouse. Os outros botões do controle do PS serviam para pegar itens, falar com personagens, acessar o menu de opções e a ficha de personagem. Já os botões L1, L2, R1 e R2 serviam como atalho para abrir o mapa, para a lista de magias/habilidades e para uso rápido de poções e pergaminhos alocados no menu da parte inferior da tela.

Ficha de personagem, inventário......e tela de equipamentos. Tudo muito bem adaptado para a interface de um console.

O interessantíssimo recurso de geração de mapas aleatórios em Diablo foi mantido na versão para PlayStation, proporcionando um gameplay bastante variado a cada nova campanha iniciada.

Outro elemento muito legal era a possibilidade de levar seu personagem no Memory Card para jogar na aventura de outro jogador, o que também permitia trocarmos armas, armaduras e itens mágicos com nossos amigos! Sem dúvida um belo quebra-galho para arranjar aquele machado mágico poderoso e dar com ele na cabeça daquele capeta infeliz!

Menino, desliga esse jogo do demonho agora!!!

Por falar em capeta…

Não é segredo pra ninguém que ocultismo, magia negra e outros assuntos tratados como tabu são bastante comuns em diversos jogos de videogame, em especial vários RPGs japoneses (além de um ou outro título americano). Games como Shin Megami Tensei e os da franquia Yu-Gi-Oh são alguns exemplos notáveis, mas nenhum deles abordou os demônios de forma tão explícita quanto Diablo.

Isso me lembra das constantes reportagens sobre games violentos, que já eram veiculadas pelos telejornais no final dos anos 1990 (e que são exibidas até hoje). Geralmente tais reportagens mostravam alguns títulos que supostamente influenciavam de forma negativa no comportamento dos jogadores e volta e meia aparecia uma cópia de Diablo no meio de vários outros games nem tão violentos assim. Com certeza algum leitor já passou por alguma situação constrangedora em casa, quando seus familiares davam de cara com aquele cramunhão chifrudo tomando a tela da TV inteira, com o nome "Diablo" em chamas logo abaixo.

Também, com uma tela dessas, o que queríamos que pensassem?

Infelizmente o grande público não tinha o conhecimento (nem tinha - e nem tem - obrigação de saber, é claro) de que em Diablo, o objetivo era controlar um valoroso herói que salvava o mundo do capiroto e assim o jogo acabou adquirindo certa má fama aqui no Brasil.

Stay a while and listen!

O combate final contra Diablo!

De qualquer forma, para aqueles que não ficaram de castigo por jogarem "esse jogo do capeta", Diablo foi um game simplesmente excepcional, apesar de suas falhas técnicas. Além de nos fazer ter saudades de quando a Blizzard não criava jogos exclusivamente para computadores, trata-se de um excelente legado. Afinal, graças a ele temos o magnífico Diablo II (infelizmente só no PC) e teremos Diablo III muito em breve. Talvez no PlayStation 3 também? Esperamos que sim, certo Blizzard?

Revisão: Leandro Freire

Giancarlo Silva escreve para o PlayStation Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.
Este texto não representa a opinião do PlayStation Blast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Escrevemos sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0 - você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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