Blast from the Past

Blast from the Past: Resident Evil (PS)

Hoje em dia, quando um game é lançado os jogadores já sabem praticamente tudo sobre ele. São dezenas... (por Felipe Storino em 23/05/12, via PlayStation Blast)

RE02Hoje em dia, quando um game é lançado os jogadores já sabem praticamente tudo sobre ele. São dezenas de vídeos e imagens surgindo na internet a todo momento, tornando difícil qualquer surpresa a respeito do que se trata o jogo. Mas nos anos 90, época do saudoso PlayStation, as coisas não eram bem assim. Conheci Resident Evil vendo outras pessoas jogarem em uma locadora, e ele foi um dos jogos responsáveis por me fazer escolher o console da Sony e não o Nintendo 64. Os gráficos, hoje em dia considerados toscos, eram simplesmente sensacionais para quem estava saindo do Super Nintendo e entrando na era dos games cheios de polígonos.

Roteiro de filme B

Resident Evil é um jogo de horror trash, bem no estilo dos filmes B de baixo orçamento. Estão ali todos os clichês deste tipo de história: monstros bizarros, uma casa abandonada repleta de passagens secretas, cientistas malucos e traições. Isso sem falar nas atuações extremamente forçadas dos dubladores. Impossível não rir quando Jill Valentine dá o seu famoso grito “oh no, it’s a monster”. Os que tiveram a oportunidade de jogar a versão japonesa do jogo foram brindados com uma cena de abertura que faria Ed Wood (famoso diretor de filmes B) se orgulhar.

Totalmente em cores (ao contrário da versão americana), a abertura é extremamente violenta, mostrando vários cadáveres dilacerados e um dos integrantes da equipe S.T.A.R.S. sendo devorado por um cachorro mutante, enquanto Jill (sempre ela) grita histericamente. A parte tosca fica por conta dos cachorros, que quando surgem em cena estão sempre parados, sendo perceptível que são apenas bonecos. Para completar a tosquice, ao final da abertura os personagens são apresentados, com seus nomes falados em voz alta e todos fazendo poses de efeito. Destaque para Wesker ajeitando o cabelo e cruzando os braços tentando parecer badass.

"No, don't goooooo"

Quem está acostumado com os games atuais de RE, com vilões megalomaníacos querendo dominar o mundo, pode até estranhar a história mais simples do primeiro game da série. Tudo começa quando a equipe Alpha do S.T.A.R.S. é enviada para investigar o desaparecimento da equipe Bravo, que sumiu enquanto investigava uma série de assassinatos bizarros, envolvendo possíveis atos de canibalismo. As coisas dão terrivelmente errado. A equipe Alpha é atacada e abandonada no local por Brad Vickers (o piloto do helicóptero), tendo que se refugiar dentro de uma mansão aparentemente abandonada.

A abertura sem censura de Resident Evil

 

Escolhas que fazem a diferença

Ao entrar na mansão, a experiência de jogo e a dificuldade mudam de acordo com o personagem escolhido pelo jogador. Caso escolha Jill Valentine, os personagens que entram na casa junto com ela são Barry Burton e Albert Wesker, capitão da equipe. No caso de escolher jogar com Chris Refield, Jill e Wesker entram junto com ele na mansão. Jogando com Jill as coisas são relativamente mais fáceis, já que ela possui mais espaços no inventário e o lockpick, que permite abrir alguns tipos de portas e gavetas sem a necessidade de uma chave específica. Além disso, alguns puzzles mortais do jogo nem precisam ser solucionados, já que dependendo do caminho que o jogador fizer, Barry aparece para ajudar. Aliás, essa é uma das coisas mais legais de RE: com locais podendo ser acessados por vários caminhos diferentes, é possível jogar diversas partidas e sempre encontrar algo novo.

Ao escolher Chris Redfield para jogar, a coisa muda de figura e fica um pouco mais difícil. Além de possuir menos espaço no inventário (o que faz com que o jogador precise ir e voltar nos baús a todo momento), o personagem não conta com a ajuda de ninguém, tendo que resolver os puzzles sozinho. Isso sem contar que, nos primeiros minutos de jogo, Chris conta apenas com uma faca para enfrentar o primeiro zumbi que aparece. Claro que isso não dura muito tempo, mas a primeira vez que se joga o game você não sabe disso. Para completar o cenário de Chris, temos ainda a participação de Rebecca Chambers, única sobrevivente da equipe Bravo e especialista em primeiros socorros. Dependendo das decisões tomadas pelo jogador, é possível controlar Rebecca em certas partes do game.

Gráficos muito detalhados (pelo menos na época)

Resident Evil segue todo o roteiro de um típico filme de terror, inclusive na hora de assustar os jogadores. O jogo apela para os sustos fáceis, como cachorros quebrando janelas para entrar na mansão, zumbis saindo de dentro de armários ou monstros que surgem de dentro dos dutos de ventilação. Além disso, temos ainda as criaturas que não passam de versões gigantes de animais de verdade, como cobras, aranhas e um tubarão gigante. O jogo apresenta até mesmo uma planta mutante que ataca os jogadores. Os cenários são extremamente assustadores, com papeis de paredes rasgados, piso de madeira rangendo e ambientes mal iluminados. A câmera fixa, que foi marca registrada da série durante muito tempo, auxilia em deixar o ambiente ainda mais tenso, pois não permite que o jogador veja o que está na próxima curva.

Entre as inovações que o game trouxe estava a barra de energia dos personagens, que emulava batimentos cardíacos e ia mudando de cor conforme o jogador fosse atacado. Além disso, o jogo trouxe um sistema de cura baseado em ervas de três cores que o jogador encontra pelo caminho e pode misturar para produzir efeitos diferentes, desde recarregar o life completo até curar envenenamento.

O corredor dos quadros

Os puzzles deste primeiro jogo seguem o padrão do restante da série, com o jogador tendo que encontrar chaves que abrem determinadas portas e encaixando peças que abrem passagens secretas dentro da mansão. Porém, alguns desses enigmas são muito mais interessantes (e difíceis) do que os do restante da série, tanto que foram simplificados no remake que saiu para Gamecube e Nintendo Wii. O primeiro deles consiste em um corredor cheio de quadros que o jogador deve ativar na ordem correta. Esta ordem é descoberta prestando atenção nas imagens e nas legendas dos quadros, tornando praticamente impossível solucionar o enigma na versão japonesa. Outro puzzle extremamente interessante é a elaboração do veneno para matar a planta mutante, que deve ser preparado através da mistura de vários componentes encontrados pelo jogador.

Uma das cenas mais clássicas do jogo

 

Fim de um jogo e começo de uma lucrativa franquia

Dependendo das escolhas do jogador, é possível fazer seis finais diferentes, sendo que alguns proporcionam momentos realmente emocionantes no meio do jogo, como a morte de Barry e o pedido dele pra que Jill cuide de sua família. Perto do final do jogo, ainda descobrimos que Wesker, líder da equipe, na verdade era um dos cientistas loucos da Umbrella e que levou a equipe pra lá apenas para testar suas criações. Felizmente, o jogo reserva uma morte cruel para o filho da mãe, nas garras de Tyrant, sua maior criação.

Os clichês dos filmes trash acompanham o jogo até os momentos finais, quando uma contagem regressiva surge na tela avisando que o laboratório secreto está prestes a explodir. Fora que usamos um lança-mísseis para destruir Tyrant. Com a criatura derrotada, os sobreviventes escapam de helicóptero e veem a mansão ser totalmente destruída, levando consigo todas as evidências do que aconteceu ali. Resta aos agentes Jill Valentine, Chris Redfield e Barry Burton (ou Rebecca Chambers) voltarem para Racoon City e viverem felizes para sempre...ou não.

Revisão: Alan Murilo

Felipe Storino é formado em jornalismo e joga videogame desde a época do Atari e Odissey. Além de redator no PlayStation Blast é editor no site de cultura Mob Ground. O lugar mais fácil de encontrá-lo é no Twitter.

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