Jogamos

Análise: Borderlands 2 (PS3)

O primeiro jogo da série teve o mérito de ser bastante original ao criar uma fórmula de sucesso que... (por Alberto Canen em 05/10/12, via PlayStation Blast)

Borderlands 2 CapaO primeiro jogo da série teve o mérito de ser bastante original ao criar uma fórmula de sucesso que misturava a ação dos jogos de tiro em primeira pessoa com diversos elementos de RPG, somando com um belo visual cel shading bem cartunesco. Borderlands 2 não procurou criar algo muito diferente, pelo contrário, o pessoal da Gearbox apenas se concentrou em manter o que deu certo, corrigir os erros e acrescentar melhorias, o que torna inevitável a comparação com seu antecessor, para saber se eles realmente tiveram sucesso em suas pretensões.

Novos caçadores, novo Vault

Um dos problemas do primeiro jogo estava no fato de ele não ter um enredo dos mais bem feitos. Tudo que o jogador sabia é que estava em um planeta alienígena chamado Pandora, no qual existia um tal Vault, que prometia riquezas para quem o achasse, o que atraía diversos caçadores de recompensas (inclusive os quatro protagonistas), que ficaram conhecidos como caçadores do Vault (Vault Hunters). Durante a jogatina, aos poucos iam aparecendo pistas de que as coisas não eram bem assim, levando a uma pequena reviravolta no final.

Em Borderlands 2, a trama é bem melhor elaborada. Desde o início, o jogador já sabe qual é o seu objetivo e quem é o chefão do jogo. A história ocorre cinco anos após os acontecimentos do game anterior. Pandora fora coberta pelo mineral Eridium, que foi espalhado pelo planeta após a abertura do Vault. Handsome Jack (Jack Bonitão), o vilão do jogo, tomou conta da Hyperion Corporation, com o intuito de obter todo o Eridium para si mesmo e enriquecer. Para garantir a sua ditadura e todo o rico mineral para si mesmo, ele procura eliminar os caçadores de recompensa, incluindo os novos personagens principais, que sofrem um atentado logo no início do jogo por ordens do vilão. Além do mais, ele pretende acordar um antigo mal alienígena, conhecido apenas como "The Warrior". Naturalmente, ninguém iria deixar uma situação dessas barata, e uma busca para libertar Pandora do malfeitor é iniciada.

Jack Bonitão

Os protagonistas são Axton (Commando), Salvador (Gunzerker), Zero (Assassin) e Maya (Siren). Todos contam com poderes especiais e árvores de talentos (skill trees). Salvador, por exemplo, consegue atirar com duas armas ao mesmo tempo, quando usa o seu modo especial, e Axton usa uma turret (espécie de metralhadora automática), como Roland usava no primeiro jogo, mas melhorada. Um outro diferencial é que agora existe a possibilidade de personalizar o seu personagem, apesar que as opções são bem restritas e predefinidas.

Borderlands 2 Personagens

Os personagens do primeiro jogo (Roland, Lilith, Brick e Mordecai) aparecem para ajudar os novos Vault Hunters, mas não como personagens jogáveis, e sim como NPCs. Além deles, muitos rostos conhecidos dos jogadores estarão presentes, como o famigerado Dr. Ned e o simpático robô Claptrap.

Jogatina mais elaborada e dinâmica

A excelente fórmula introduzida pelo primeiro jogo que mistura tiro em primeira pessoa com diversos elementos de RPG também está presente nessa sequência. Mais do que isso, foi melhorada. A jogabilidade não é muito diferente do que pode ser encontrado em outros tantos jogos de tiro, como Call of Duty. Quem já está acostumado com o gênero não terá a menor dificuldade de se adaptar, e quem jogou o primeiro game está em casa nesse quesito. O diferencial está no fato de não bastar atirar com precisão, usando a arma mais potente, pois certos inimigos requerem armas com determinados atributos para serem vencidos. Robôs, por exemplo, são fracos contra armas com ácido. Se a sua arma tiver o atributo do fogo, não será muito útil contra inimigos resistentes ao fogo. Por isso, conhecer os inimigos e saber usar as armas mais apropriadas é fundamental para a estratégia.

Armas na cor verde têm o atributo ácido

As armas, por sinal, são um capítulo à parte em Borderlands. Se o primeiro jogo já contava com um número extenso de opções, o segundo conta com muito mais. Procurar por armas melhores é algo que irá prender bastante tempo da atenção dos jogadores, uma vez que baús com pilhagem podem ser encontrados em toda Pandora, escondidos ou não, e muitas vezes com armas bem melhores do que aquelas deixadas pelos monstros mais fortes. Alguns baús, inclusive, apesar de estarem visíveis, encontram-se trancados e o jogador precisará descobrir como chegar até eles, às vezes quebrando a cabeça em verdadeiros puzzles para desvendar a solução.

Baú encontrado

Os escudos defensivos também estão presentes, mas agora muitos deles vêm com um diferencial que pode não agradar a todos, que é a diminuição dos pontos de vida quando utilizados. Por isso, mesmo que um escudo seja muito forte, pode não ser a melhor opção, o que vai fazer muita gente gastar um bom tempo comparando a melhor oferta. Felizmente, agora existe um sistema de comparação automático, através de uma pequena janelinha flutuante que mostra os atributos; então basta visualizar um equipamento para saber no que ele é melhor ou pior do que os que você já possui, agilizando bastante a jogatina. Outro implemento que ajudou a dinamizar o jogo foi o recolhimento automático de itens. Agora, basta passar por cima da munição ou dinheiro para que eles sejam coletados, sem precisar apertar um botão sequer.

Capacidade elevada, mas a saúde é reduzidaJanela para comparação

As skill trees também foram melhoradas, ficando maiores e mais completas. Além disso, a adição de um sistema chamado "Badass Ranking" melhora ainda mais o sistema de evolução dos personagens. Funciona assim, ao completar determinadas tarefas, como terminar uma missão sem morrer ou matar um determinado número de skags, o jogador receberá "Tokens", que podem ser trocados por uma em cinco opções escolhidas aleatoriamente dentro de 14 possíveis, como melhorar o nível máximo de saúde ou a acuracidade das armas. E o bom é que essas melhorias ficarão disponíveis para todos os seus personagens.

Skill Tree do Salvador

A cooperação ainda é o melhor caminho

Assim como no primeiro jogo, Borderlands 2 tem o seu maior mérito na jogabilidade cooperativa, que parece ter sido esquecida pela maioria dos jogos da atual geração. É possível seguir a campanha com até quatro pessoas (online) e ainda há opção de tela dividida. Assim, dois jogadores podem ficar no mesmo console localmente, mas também podem se conectar à grande rede e jogar com mais outros dois jogadores. Além disso, é possível entrar nos games dos outros, mesmo com níveis bem diferentes. O ideal, entretanto, é que todos comecem juntos, pois a falta de balanceamento pela diferença de forças pode ser um pouco frustrante.

O split screen agora é dividido na horizontal, e não na vertical

Durante a partida, todos os pontos de experiência adquiridos por um jogador serão compartilhados automaticamente com o parceiro, com um pequeno desconto apenas. O dinheiro coletado nas pilhagens também vai para o outro, na íntegra, então cada $10 encontrado por um dos participantes, aparece mais $10 para o outro, e cada um pode gastar $10, como se estivessem dividindo $20 (seria ótimo que dinheiro multiplicasse dessa forma, não é mesmo?). Sendo assim, não há disputas no grupo por questões menores, como correr para pegar o dinheiro primeiro ou quem matou o chefe da missão. Uma boa ideia ainda é trocar armas, formando um grupo mais forte e coeso.

Jogo de vida longa

Um outro quesito de destaque do game é quanto à longevidade. Existe uma enorme quantidade de missões secundárias bem divertidas, muitas vezes com referências à cultura pop e gamer, como às Tartarugas Ninjas, James Bond e Metal Gear; os baús escondidos com armas diferentes são encontradas aleatoriamente, então caso você enfrente o mesmo chefe, as armas serão outras. Até mesmo as lojas de armas alteram o estoque a cada determinado período de tempo, que pode ser visto dentro da própria loja.

A jogabilidade também muda quando se evolui o personagem de forma diferente através das skill trees. Além disso, como cada um dos heróis possui uma classe bem distinta da outra, a diferença na jogabilidade entre eles também é nítida. Depois de terminado o jogo pela primeira vez, o modo "New Game Plus" é liberado e oferece uma dificuldade maior, itens exclusivos e novos inimigos. Com tudo isso, a experiência a cada nova partida torna-se bem diferenciada, permitindo que o jogador finalize o game diversas vezes sem sentir que está fazendo a mesma coisa de antes.

borderlands 2 new game plus

Mais melhorias

O pessoal da Gearbox realmente caprichou nessa segunda versão, melhorando o jogo em todos os quesitos. O visual ainda é o acertado cel shading, com estilo cartunesco e cores vibrantes, mas agora não temos apenas um ambiente desértico de "terra devastada" pela frente - ainda que continue predominante -, mas também, por exemplo, ambientes com neve, o que agrada por sair da mesmice.

Agora temos menos deserto do que antes

Os efeitos sonoros também são nitidamente melhores e mais reais, tanto ao disparar uma arma quanto no ronco dos motores dos carros. Ainda assim, marcante mesmo são as dublagens, que são muito bem feitas, além de receberem uma ajuda pelas ótimas falas. Não é difícil encontrar um personagem secundário que seja extremamente marcante, carismático e que solte uma frase muito divertida e emblemática. E não podemos nos esquecer das músicas, que mantêm o mesmo estilo do jogo anterior, com mistura de estilos, como Rock, Eastern, Metal e Eletrônica.

Apesar de melhor que seu antecessor em todos os sentidos, ainda existem alguns problemas, como a inteligência artificial dos adversários, que, mesmo melhorada, ainda deixa um pouco a desejar, permitindo que um inimigo, às vezes, seja alvejado de determinada posição, mas não se mexa para se defender. Além disso, ainda há alguns problemas técnicos, que permitem que os personagens fiquem presos em construções. A falta de sinalização adequada em determinados locais também pode vir a ser um problema, pois pode deixar o jogador perdido por um bom tempo procurando pela passagem correta para progredir.

Nova fronteira

Borderlands 2 não foi tão original como no primeiro jogo, pois o pessoal da Gearbox preferiu apenas pegar a fórmula de sucesso criada por eles, que foi bem acertada, consertar os erros e fazer diversas melhorias. Algumas pequenas falhas, que não comprometem a diversão, ainda podem ser encontradas ocasionalmente, mas o resultado alcançado é definitivamente melhor que o primeiro, que já era muito bom, tornando esse um dos melhores lançamentos do ano.

Borderlands-2-Wallpaper

Prós

  • Visual cel shading estiloso;
  • Fórmula de sucesso, misturando tiro em primeira pessoa com elementos de RPG;
  • Longevidade, como consequência das várias side-quests e pilhagem aleatória;
  • Multiplayer cooperativo da campanha, tanto local quanto online.

Contras

  • Pequenas falhas técnicas;
  • Inteligência artificial poderia ser melhor.

Borderlands 2 - PlayStation 3 - Nota final: 9.5
Visual: 9.5  |  Som: 9.0  |  Jogabilidade: 9.0  |  Diversão: 9.5

Revisão: Rafael Becker

Alberto Canen é formado em Direito pela UFRN. Joga videogame desde os tempos do Atari e sempre acompanha as novidades na indústria de jogos. Está no Facebook e no Twitter.

Comentários

Fórum
Google+
Facebook


Últimas do Fórum

Ver mais

No Facebook

Ver mais