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Análise: BioShock (PS3)

Não sou grande fã de jogos de tiro em primeira pessoa, os chamados FPS, então acabei demorando para dar a devida atenção à BioShock . Poré... (por Felipe Storino em 16/03/2013, via PlayStation Blast)

Não sou grande fã de jogos de tiro em primeira pessoa, os chamados FPS, então acabei demorando para dar a devida atenção à BioShock. Porém, com o lançamento do próximo jogo da franquia se aproximando, resolvi comprar os dois primeiros. Para minha surpresa, Bioshock é muito mais do que um simples jogo de tiro, conseguindo uma mistura quase perfeita entre ação, survival horror e estratégia. Além disso, o game é uma verdadeira aula de como contar uma boa história e oferecer imersão ao jogador, apenas utilizando os cenários ao redor.

Bem-vindo à Rapture

BioShock começa com o protagonista da aventura sofrendo um acidente de avião e caindo no mar, tendo que se refugiar em uma espécie de farol. Já neste início é possível perceber o cuidado com que o jogo foi feito. Os destroços do avião no cenário não são estáticos, é possível ver os pedaços afundando lentamente no mar. O farol é na verdade uma entrada para a cidade submersa de Rapture, que foi construída no fundo do Ocenao Atlântico pelo industrialista Andrew Ryan.

O objetivo dele era reunir em um mesmo lugar apenas os melhores exemplares da raça humana, como grandes cientistas e pensadores. As coisas funcionaram bem até o dia em que uma das cientistas descobriu a substância ADAM, que era capaz de modificar geneticamente uma pessoa e dar poderes a ela. O problema é que o uso excessivo dessa substância fez com que grande parte da população de Rapture enlouquecesse e a sociedade ruiu. É nesse cenário de caos que o jogador chega até a cidade, sem conhecimento do que está acontecendo e totalmente desarmado.

Que lugar simpático
Logo na entrada da cidade, o clima de tensão e terror já é bem maior do que nos últimos jogos da série Resident Evil, com um dos insanos moradores aparecendo para dar as “boas-vindas”. Para espantar o indivíduo, aparecem outros dois seres que serão recorrentes durante a jogatina: uma Little Sister e seu Big Daddy. A primeira é a responsável por extrair o ADAM dos cadáveres e o segundo é seu protetor, que utiliza uma armadura e armamento pesado que o tornam praticamente imbatível. Felizmente, se você não mexer com eles, eles o deixarão em paz. Apesar de serem bizarros, são as criaturas mais normais que você vai encontrar em Rapture.

Observação e estratégia

No início, tudo o que temos para nos defender é uma chave inglesa, fazendo com que andemos devagar e evitando fazer qualquer barulho que possa atrair a atenção dos inimigos. Não demora para conseguir armas de fogo, mas no começo a munição não é abundante, sendo conseguida principalmente ao se revistar os corpos dos adversários. O protagonista conta também com alguns poderes chamados de Plasmids. Para sobreviver em Rapture é necessário saber utilizar bem os poderes em conjunto com as armas e os cenários. O Plasmid de choque, por exemplo, é muito mais eficiente se utilizado quando os inimigos estiverem em uma superfície molhada, atingindo todos eles sem gastar quase nada.

Já para o Plasmid de fogo, é sempre bom ficar atento em locais que tenham substâncias inflamáveis e atrair os inimigos para esses locais. Outros poderes interessantes que podem ser adquiridos são os que hipnotizam um Big Daddy (fazendo dele um aliado temporário) ou um que joga os inimigos uns contra os outros. Desta forma, utilizando um pouco de estratégia é possível vencer alguns combates sem gastar praticamente nada, deixando que os inimigos se encarreguem deles mesmos. Para ajudar neste quesito, o jogador pode ainda hackear câmeras de segurança, turrets e robôs com metralhadoras, fazendo com que ataquem seus perseguidores. No começo, utilizar tudo isso pode parecer um pouco confuso, mas não demora para se acostumar com todo o esquema e a jogabilidade fluir bem.

Hey, Mr. B.
A ambientação de BioShock é sensacional, toda a história da cidade de Rapture vai sendo contada aos poucos através de gravações encontradas pelo jogador, nunca parando o jogo para mostrar uma cutscene. Além das gravações, algumas pessoas entram em contato com o jogador via rádio, seja para dar missões ou apenas para explicar um pouco a história da cidade. E apesar de ser um jogo de 2006, Bioshock ainda impressiona graficamente, com cenários muito bonitos e variados. O departamento sonoro também é excelente, sendo possível perceber a aproximação de algum inimigo apenas pelo som que ele está fazendo, além de saber de qual direção ele está vindo.

Prós

  • História envolvente;
  • Muitos poderes;
  • Belos cenários submarinos.

Contras

  • Dificuldade desbalanceada em alguns pontos;
  • Pequenos bugs, como inimigos andando em círculos.
Bioshock - PlayStation 3 - Nota Final: 8.0
Felipe Storino é formado em jornalismo e joga videogame desde a época do Atari e Odissey. Além de redator no PlayStation Blast é editor no site de cultura Mob Ground. O lugar mais fácil de encontrá-lo é no Twitter.

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