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Análise: Metal Gear Rising: Revengeance (PS3)

Quando Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty foi lançado para PlayStation 2 em 2001, muitos se decepcionaram devido à introdução de um nov... (por Gabriel Vlatkovic em 10/03/2013, via PlayStation Blast)


Quando Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty foi lançado para PlayStation 2 em 2001, muitos se decepcionaram devido à introdução de um novo personagem à saga, que acabaria sendo o protagonista do título por quase toda a aventura. Raiden, o agente novato que nada se parecia com o icônico Solid Snake, foi severamente rejeitado por todos os fãs da franquia, e o jogo, apesar de excelente, não fez todo o sucesso esperado por Hideo Kojima. Contudo, o lendário desenvolvedor não se deixou abalar com as críticas e seguiu criando excelentes roteiros para jogos melhores ainda da forma que bem entendeu.  


Em Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots, Raiden faz outra aparição, mas agora de forma não controlável e com uma personalidade muito mais badass do que da última vez. O jogo foi muito aclamado e é considerado por muitos como uma das maiores obras de arte gamísticas de todos os tempos. Cinco anos se passaram desde então, e em uma parceria com a Platinum Games, responsável por títulos excelentes como Bayonetta e Vanquish, Kojima resolveu criar um título inteiramente focado nos dramas pessoais do tão criticado personagem. Metal Gear Rising: Revengeance é um título de ação frenética com ênfase em combates de espadas que, apesar de ter um estilo de jogabilidade bastante diferente do que estamos acostumados na franquia, mantém todo o sentimento e essência de um tradicional Metal Gear.

Busca por justiça... ou seria vingança?

Samuel Rodriguez
A aventura começa em um país africano que conseguiu, depois de muito tempo, estabelecer a paz em seu território. Graças à excelente administração do primeiro ministro do país e a ajuda de um grupo de mercenários (do qual Raiden faz parte), o país se encontra em clima de festa e os tempos de paz parecem que finalmente irão perdurar. Contudo, tudo muda subitamente quando o carro do primeiro ministro e sua escolta são atacados por um ciborgue munido de uma espada de lâmina afiadíssima, capaz de fatiar seus oponentes em mil pedaços. O homem em questão se chama Samuel e trabalha para um grupo chamado Desperado, que busca obter lucros por meio de guerras forjadas - algo já bem familiar para os fãs da franquia.

Ao tentar resgatar o primeiro ministro, Raiden é severamente ferido por Samuel, perdendo um braço e um de seus olhos. O primeiro ministro é assassinado diante dos olhos do rapaz por um homem que parece ser o líder da facção. Tudo parecia perdido para o soldado, mas ele é resgatado por seus parceiros e seu corpo é remodelado para que ele se torne um dos mais brutais soldados que já passou pelo mundo. Assim, portando uma espada, um corpo quase inteiramente mecanizado e um sentimento brutal de vingança, Raiden parte em sua jornada para destruir o grupo terrorista.

Raiden após a brutal derrota para Samuel

Corte tudo o que puder!

Apesar de carregar o nome Metal Gear, Rising segue um esquema bem diferente dos outros títulos da franquia. Em primeiro lugar, as mecânicas de stealth foram quase que completamente deixadas de lado em prol de uma jogabilidade focada unicamente em combates. O jogo funciona basicamente como outros títulos lançados pela Platinum, principalmente Bayonetta. Espere por combos visualmente lindos e devastadores, cenas de violência acima da média e um ritmo de ação frenético embalado por uma trilha sonora empolgante. Mesmo assim, o jogo tenta manter a essência da série, contando com longas e bem dirigidas cutscenes, diálogos inteligentes e, ao mesmo tempo, clichês, chefes perturbados e criativos, e intermináveis (e excelentes) conversas por Codec. Tudo está lá, mas em outro ritmo e disposição.

As finalizações são brutais

Raiden é um personagem fácil de controlar quando suas habilidades são dominadas, contudo, é um pouco estranho controlá-lo no inicio da aventura, pois o jogo demanda que os jogadores não só consigam atacar, mas se especializem em contra atacar os inimigos. Para realizar o movimento, é necessário pressionar o botão “quadrado” e direcionar o analógico esquerdo para a direção na qual você está sendo atacado. No entanto, o ritmo da ação é muito frenético e, inicialmente, é um pouco difícil se acostumar com controles que exijam reflexos tão rápidos. Por isso, quando as habilidades são dominadas, a sensação de conquista é inevitável e você se sentirá uma máquina mortífera, capaz de fatiar seres humanos a helicópteros com facilidade.

Após uma série de golpes bem aplicados nos inimigos, é possível ativar o Blade Mode”, que consiste no tão alardeado sistema de corte do jogo. Nesse momento, a ação fica em câmera lenta para possibilitar que o jogador decida onde deseja cortar seus inimigos. Chega a ser cômico cortar as pernas e braços de um inimigo e o ver rastejando, sem desistir de lutar. O prazer sádico de Rising está entre suas melhores qualidades. Além disso, é possível cortar os inimigos em partes estratégicas de seu corpo, seja para roubar seus fluidos e recuperar sua própria energia ou simplesmente para roubar sua mão esquerda (um dos colecionáveis do título são mãos de comandantes). Ao derrotar inimigos, Raiden receberá pontos que podem ser trocados, ao final de cada estágio, por novas habilidades, armas e até mesmo roupas. Ao recomeçar o jogo no mesmo arquivo, é possível levar tudo conquistado em sua primeira aventura, dando ainda mais senso de progresso e estimulando a revisita à aventura.


Entretanto, Rising não se isenta de alguns defeitos. O primeiro deles é a câmera, que em alguns momentos não consegue acompanhar o ritmo da ação, fazendo com que os jogadores possam se percam e sejam golpeados por não conseguirem visualizar tudo que está acontecendo ao seu redor. O problema está longe de prejudicar completamente a experiência, mas atrapalha em alguns momentos. Outro ponto que mais atrapalha do que ajuda é o uso de armas secundárias. Em Metal Gear Solid, a mecânica é possível devido ao ritmo lento da aventura. Em Rising, no entanto, abrir mão de sua espada para utilizar um RPG enquanto muitos inimigos vêm correndo em sua direção não consegue soar natural e muito menos funcional. Se pelo menos fosse possível alternar entre a espada e as armas com o simples toque de um botão, a funcionalidade seria melhor. Mas para selecionar uma arma é necessário utilizar o direcional digital e a ação é interrompida.

As armas secundárias quebram o ritmo da ação

O terceiro, e talvez o maior problema do título, é a sua vontade de abraçar o mundo. O jogo é um hack ‘n’ slash, com ação desenfreada e frenética, sendo que o maior foco é em derrotar inimigos e conquistar altas pontuações enquanto os fatia. No entanto, a Platinum quis manter diversos pontos consagrados de Metal Gear Solid que talvez não façam tanto sentido em games desse estilo. É um pouco frustrante ter que interromper uma seção de carnificina para ouvir uma longa conversa por Codec ou assistir uma cena de mais de cinco minutos. Algumas delas se encaixam perfeitamente ao teor do jogo, como as que antecedem os chefes ou o início das fases, mas que ocorrem durante um estágio são capazes de quebrar completamente o ritmo e parecem destoar do que é proposto para o jogo em termos de jogabilidade. Nos jogos da série principal, os momentos mais esperados são justamente as cenas relacionadas ao roteiro e as reviravoltas durante a jornada. Rising possui tudo isso e, não me entendam mal, é excelente. Contudo, é inegável que estes artifícios não combinam tanto assim com o ritmo de jogabilidade do título.

Produção estelar

O jogo da Platinum é extremamente bem executado. Os gráficos são apenas bons, mas é justificável, já que o título é extremamente rápido e em nenhum momento notei quedas no framerate. A direção artística é excelente e passa todo o sentimento de se estar jogando um verdadeiro Metal Gear Solid. Os personagens, como de praxe, tem a personalidade muito bem construída, e até os mais terríveis vilões são pessoas com sentimentos e desejos críveis. O efeito visual dos cortes realizados por Raiden são tão bem feitos que chegam a ser perturbadores, tamanha a frieza de seus movimentos. A trilha sonora acompanha a qualidade do restante do pacote, com destaque para as músicas das batalhas contra os chefes, que são particularmente empolgantes e capazes de liberar o assassino calculista interno até das pessoas mais tranquilas.

A aventura reserva momentos épicos a todo instante

A aventura dura cerca de oito horas, o que pode parecer pouco. Mas não existem partes que estão lá por estar, e o jogo é frenético o tempo todo, de forma que o pouco tempo de jornada é tão intenso que parece durar muito mais que muitos jogos de vinte horas soltos por aí. Para estimular os jogadores a voltar ao título, o pacote ainda inclui diversos colecionáveis, as tradicionais VR Missions e vários níveis de dificuldade. Acredite, jogar Rising é tão prazeroso que é praticamente impossível não retornar para fatiar mais alguns soldados e buscar mais segredos e easter eggs soltos pela jornada.

Passo importante

Metal Gear Rising: Revengeance é mais um lançamento de sucesso da franquia e, mesmo seguindo por um caminho tão diferente, mantém toda a essência dos mais aclamados títulos da série. O spin-off erra em alguns momentos, é inegável. Contudo, com alguns ajustes aqui ou ali, Rising pode vir a se tornar uma franquia própria e de sucesso. Hideo Kojima e a Platinum Games estão de parabéns por levar a série a um ambiente pouco conhecido e ainda assim manter todo o brilho e carisma de uma das mais importantes franquias da história dos videogames. Imperdível!

Prós

  • Ação intensa e frenética;
  • Jogabilidade excelente na maior parte do tempo;
  • Mantém o clima da série;
  • Raiden está espetacular;
  • Enredo envolvente;
  • Legendas em português;
  • Personagens carismáticos;
  • Gráficos competentes e sem lentidão;
  • Trilha sonora empolgante;
  • Batalhas contra chefes são fenomenais.

Contras

  • Câmera problemática em alguns momentos;
  • Sistema de armas secundárias não funciona bem;
  • Excesso de cutscenes e conversas por Codec durante as fases quebram o ritmo de ação;
  • Poderia durar um pouco mais.

Metal Gear Rising: Revengeance – PlayStation 3 – Nota: 8.5
Revisão: Rafael Becker 
Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

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