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Análise: Nun Attack (PSN/PS Vita)

Os jogos de smartphones e tablets abocanharam uma boa parcela do público de jogadores casuais. Visando esse mercado, muitas empresas tratara... (por Alberto Canen em 31/03/2013, via PlayStation Blast)

Os jogos de smartphones e tablets abocanharam uma boa parcela do público de jogadores casuais. Visando esse mercado, muitas empresas trataram de portar os seus games para essas plataformas, como a Square Enix com diversos de seus RPGs e a Capcom com Sonic e Street Fighter. Contudo, a direção oposta também tem sido recorrente e podemos ver jogos feitos para celulares modernos sendo adaptados para os portáteis com tela sensível ao toque. Esse é justamente o caso de Nun Attack, que foi lançado para dispositivos com sistemas iOS e Android para depois fazer sua estreia no PS Vita. Vamos conferir o que essas freiras andaram atacando.

História que vai gerar muita penitência aos produtores

Tudo estava muito bem. Cinco freiras inseparáveis viviam normalmente. Mas o mal sempre espreita os seres de bom coração. A irmã Mortanna mudou de "time": agora ela quer trazer o Inferno para a Terra, abrindo diversos portais malignos para que criaturas medonhas, como lobisomens, vampiros e esqueletos ambulantes, possam atormentar o mundo. Quem poderá defender-nos do mal? As quatro freiras restantes (claro). Como elas farão isso? Armadas até os dentes, descendo chumbo em tudo quanto é ser malévolo e derrotando a perversa freira caída — um "domingo qualquer" na Igreja Católica? Não na que eu conheço (!).



Heresias à parte, o jogo não conta com uma história lá muito criativa ou elaborada. A ideia é apenas ser cômico, colocando pessoas que normalmente seriam serenas e calmas como se fossem verdadeiras guerreiras de elite. O pessoal da Frima Studios, desenvolvedora francesa por trás do jogo, só criou esse enredo para poder ter um tema para a jogatina: tipo de inimigos, roupas, cenários etc.

Os produtores devem ter sido excomungados depois dessa (!)

Mais um jogo de estratégia e ação

Nun Attack é um verdadeiro "mais do mesmo". A App Store e a Google Play estão lotadas de jogos desse mesmo gênero, de estratégia com ação, alterando apenas a temática. O estilo, sem dúvida, funciona muito bem nos aparelhos com tela sensível ao toque, pois basta tocar e arrastar para fazer de tudo, desde movimentar os personagens (toque nele e arraste em linha reta até o destino) até atacar os monstros (arraste até um inimigo para atacá-lo), de forma simples e intuitiva.

Cada fase do jogo é dividida em duas etapas: primeiro, as freiras devem andar por um mapa para chegar até um dos "Portais da Escuridão" criados pela Mortanna, desviando de projéteis lançados pelos próprios portais que devem ser destruídos; depois, temos as etapas de arena, onde devemos enfrentar os monstros, atirando e utilizando os poderes de cada personagem. A primeira parte é bem chatinha e não adiciona nada de interessante à jogatina. O desafio são os portais de diferentes cores, que servem como torres, atirando projéteis que podem ser refletidos com o dedo, de forma a acertá-los com sua própria munição. No meio do caminho ainda há estandartes que representam agrupamento de inimigos para derrotar em modo arena. Alguns podem ser contornados, mas outros precisam ser destruídos. Além disso, há baús que contêm recompensas importantes, como novas armas ou milagres (poderes).

Para refletir os projéteis roxos, basta passar o dedo neles

Ao término de cada fase, como já virou costume nos jogos de smartphones, você recebe "estrelas douradas" por cada tarefa feita. No caso, em vez de de estrelas, o jogo utiliza balas douradas, mas a ideia é a mesma. Você recebe um bala por completar a fase, duas se também destruir todos os inimigos e três se não deixar sequer um portal sobrando (os coloridos, pois o principal é obrigatório para terminar a fase). Ao final de cada mapa há um chefe para ser enfrentado e no fim do jogo, como não poderia deixar de ser, devemos enfrentar a freira "vira-casaca" Mortanna.

Balas ou estrelas douradas: a ideia é a mesma

Apesar do termo estratégia ser a melhor forma de descrever o estilo do jogo, não existe muito espaço para táticas mais complexas. São quatro personagens diferentes e cada uma tem uma função simples. Basta posicionar as freiras de acordo com as suas qualidades e repetir essa mesma fórmula até o fim. No início, controlamos apenas uma, logo depois desbloqueamos as outras três, mas só podemos utilizar duas por rodada: uma forma que o jogo arrumou para nos acostumar com os controles sem muita confusão. Ao terminar o segundo mapa, já teremos desbloqueado os quatro espaços necessários para controlar todas as freiras de uma só vez.

Enfrentando um chefão em quatro é mais fácil

A primeira freira é Eva, a "Irmã da Orientação" e líder do time. Ela é a personagem mais equilibrada e com grande poder de fogo, mas possui curto alcance. Utiliza pistolas e seu poder especial é o "Decoy", que ao ser utilizado libera uma freira fantasma que atrai os inimigos próximos até ela.

A segunda freira é Rosy, a "Irmã da Libertação". Ela tem uma função típica de snipers, utilizando rifles e atirando de uma certa distância. Seu poder é de ficar invisível — é meio inútil para o time, mas serve bem para proteger a si mesma, uma vez que ela é fraca de energia.

A terceira freira é Olga, a "Irmã da Proteção". Ela tem uma função primordial para o sucesso do time: o de tanque. Ela é a mais forte das freiras e a que tem mais energia, aguentando os ataques inimigos por mais tempo. Seu poder é justamente o de compelir todos os inimigos a atacá-la, permitindo que as demais freiras possam flanqueá-los.

A quarta freira também é fundamental para a estratégia, pois a sua função é a de curandeira. Mandy, a "Irmã da Santidade", tem o poder de restaurar, parcialmente, a energia das aliadas que estão próximas a ela (e a própria). Sua energia é bem baixa, então é bom deixá-la protegida.

Freiras ou "As Panteras"?

Fica fácil entender qual estratégia deve ser feita ao notar as características de cada freira: atrair os inimigos com Olga, flanqueá-los com Eva (mais próxima) e Rosy (mais distante), enquanto Mandy fica bem próxima (mas protegida), curando a todas. Essa mesma tática será repetida por toda a jogatina e logo enjoará. Quando isso acontecer, o jogo acaba, pois é razoavelmente curto — quatro a cinco horas de duração.

Para os que têm acompanhado os lançamentos de jogos de estratégia para smartphones, certamente sentirão que já jogaram algo muito parecido. Qual é a diferença, por exemplo, para o jogo Ghostbusters, para iOS? A temática, basicamente. O papel de curandeiro é feito pelos cientistas, o de tanque pelos Wranglers e de atacantes pelos Blasters. Existe uma fase de "andar pelo mapa" e uma de "arena", onde devemos controlar os quatro personagens tocando e arrastando pela tela. Até os problemas são os mesmos, com a confusão gerada ao tentar selecionar um personagem que está próximo ao outro e acabar selecionando errado.

Um portátil que é quase um tablet

Nun Attack tem um estilo cartunesco, belas animações e uma música animada que foram adequadamente portados. Vale mesmo destacar o quão bem o PlayStation Vita conseguiu receber jogos feitos para smartphones e tablets. Com a sua bela tela de cinco polegadas sensível ao toque, o portátil da Sony tem plena capacidade de se adaptar a qualquer game feito para celulares modernos com sistema operacional iOS ou Android. Com a vantagem de não termos os famigerados in-app purchases (compras feitas dentro do próprio jogo).
Os desenvolvedores de games encontraram um nicho confortável para os tablets e smartphones: jogos de estratégia. Esse gênero tem uma jogabilidade das mais naturais para as telas sensíveis ao toque, o que levou o mercado a ser bombardeado com diversos jogos "mais do mesmo", alterando apenas a temática. Esse é o caso de Nun Attack, que não apresenta nada de original, com apelo para situações cômicas e um ar de déjà vu.

Prós

  • Controles fazem bom uso de tocar e arrastar na tela;
  • História cômica;
  • Belo visual cartunesco.

Contras

  • Jogabilidade repetitiva;
  • Os personagens e monstros dividem o mesmo espaço, atrapalhando na hora de tocar no local correto.
Nun Attack — PSN/PS Vita — Nota: 7.0
Revisão: Leandro Freire
Alberto Canen é formado em Direito pela UFRN. Joga videogame desde os tempos do Atari e sempre acompanha as novidades na indústria de jogos. Está no Facebook e no Twitter.

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